Prometo (Maria)

Gugelhupf, Cake, Bowl Cake, Pot Pie

Se eu pudesse te mandaria um bolo de côco.
Côco daquele original, da Bahia.
Tão gostoso, que vai lhe fazer esquecer teus revezes….
“Rapidinho. Com jeitinho!
Vai sem cartão, sem aviso, sem recado mesmo.
Mas saberás… que fui eu.
Disso não terás dúvidas, afirmo.
Fico de cá torcendo.. pra que ele te encha a alma.
De sabor… de humor…
De delicadezas sublimes inerentes aos bons.
Prometo… irás degustar cada um dos ingredientes,
Sutis que sejam.
E tanto quanto eu…
Divertidamente…
As passagens simples da vida carregam esse dom…
De nos quebrar por dentro….. fazer brotar sentimentos.
Rirás muito, talvez até a barriga doer.
Hoje, amanhã e sempre….
Porque rir, já disseram, é um santo remédio..
E com um bolo desse…. Ahhh se não cura!

Maria

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“É como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou …”

Eu me vejo,
me assemelho,
me leio,
me questiono,
me emociono,
com as tantas “palavras”,
ou “provocações”
de Clarice Lispector.
Uma verdadeira arte na expressão de sentimentos,
na tradução da existência humana.

Como bem disse Yudith Rosembaum não se lê Clarice impunemente.

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Compartilho sua bela crônica “As três experiências”, de 1968,
atemporal.

“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. “O amar os outros” é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida . Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.

Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos.

Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres. Sempre me restará amar.

Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera. “

Veja esse video sobre a leitura de Clarice e seus efeitos.

bjo,

Darlene

Sobre Clarice

Nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Chechelnyk, na Ucrânia, Clarice Lispector se chamou Chaya Pinkhasovna Lispector. Mas de ucraniana só teve o local nascimento: ao longo de sua carreira, ela dizia literalmente nunca ter pisado lá, visto que foi carregada no colo. Em 1921, ela e a família migraram para o Brasil fugindo da perseguição a judeus durante a Guerra Civil Russa. Instalaram-se primeiro em Maceió, e logo mudaram para o Recife, tanto que Lispector se considerava pernambucana. Aos 14 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com o pai e as irmãs após a morte da mãe. Lá estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, embora já se interessasse mais pelo meio literário.

Fonte: Revista Galileu

Palavras conectam… 📚

Sempre nos demos bem..   suas histórias, seu interesse pela literatura,  seu gosto pela educação…  tanto “reparo” de admiração tenho por ela, minha tia.  Recente tomamos um café em casa e fomos ao cinema. Desses programas adoráveis… de muita prosa.

Ao passar pela livraria…  não havia como escapar.  Juntas, desfrutávamos do lugar.    E não é que ao procurar um livro de poesias ela descobriu alguns tesouros..??  Com um sorriso estampado, meio que justificando alguns achados comentou:  “ah, tenho certeza que eu escolhi a profissão certa”.

Descobriu dois livros.. . sobre o amor,  sobre relações, sobre a vida.   Eram livros compostos por frases..  inspirações.  Ela os folheava e encantava-se.  Conhecemos juntas o Lucão, publicitário de Goiás (do blog Abra o bico), e o Carpinejar, poeta dos guardanapos.  Ao folhear saboreávamos as palavras cheias de sentimento, de sentido. Muitas pareciam de dentro da gente. A literatura faz isso com, conecta.  Irresistíveis, ela levou os dois pra casa.

Ao sair do cinema fez questão de voltar lá e me comprar  mais um deles de presente… Aí não resisti, comprei o outro. rsss   Acabei carregando também os dois autores. ..  o poeta que escreve nos guardanapos.   O livro dele,  como se fosse um pacote de guardanapos destaca-se.. como que para  jogar com as frases, com as palavras numa boa mesa de convivências,  de “dedo de prosa”,  como falamos em Minas.

A d o r e i ..

 

p.s –

Algumas das pérolas dos dois livros aqui pra você leitor, também..