Por mais mãos como estas…

Olhava aquela lâmpada branca enorme no teto enquanto ouvia atenta as conversas na sala 14 do centro cirúrgico sobre a adequada distribuição dos equipamentos. Eles não estavam dispostos como o anestesista recomendara por mais de uma vez. A equipe trabalhava na sua movimentação visando atender o pedido.

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Ele, o anestesista, dizia: vocês sabem sobre ergonomia? O tempo todo mostrava-se direto, franco e ao mesmo tempo educador. O ambiente estava gelado e eu, por mais que tentasse gerenciar os pensamentos, sentia frio e medo. Não sei dizer qual era o maior. rs… Algumas lembranças de seriados de hospitais visitavam minha mente. Deveriam permanecer esquecidos, seria mais fácil lidar com tudo aquilo.

Meu corpo tremia quando uma médica neurofisiologista, P., aproximou-se de mim e ao se apresentar segurou gentilmente minhas mãos entre as dela, parecendo adivinhar o tamanho da minha ansiedade. Quebrou o “gelo” ao mencionar que as dela estavam ainda mais frias que as minhas, dado o ar condicionado congelante.

Evoluíram-se as conversas e a disposição da sala foi sendo adaptada em conformidade com os pedidos e orientação do médico. Aos poucos, os equipamentos foram sendo conectados às minhas pernas, braços e tronco.

Ajustes e apontamentos ainda soavam pela voz do anestesista. Não me escapou a chamada de atenção a uma das pessoas que no canto da sala, acessava o celular. Ele fazia isso de forma educada e cortes, mas absolutamente direto e claro, o que poderia sugerir uma certa prepotência. Esta conduta talvez causasse estranheza a muitas pessoas habituadas a cultura latina (tema para outra postagem), mas não a mim. Após estudar e lidar com equipes por algumas décadas profissionalmente, reconhecia na atuação dele a pertinência exigida para a ocasião. Ele estabelecia, calma e firmemente, a autoridade necessária. E isto, por incrível que possa parecer, me tranquilizava e me gerava confiança. Para mim ele estava garantindo a minha segurança. Eram cuidados detalhados para que tudo desse certo.

Recordei-me de muitas situações profissionais e quantos esforços eram necessários para que todos cumprissem o acordado, para que tudo saísse como planejado e de forma adequada. A conhecida “eficiência” no ambiente de trabalho. Naquela sala 14 eu compreendia, dentro do meu âmbito restrito de conhecimentos, as dificuldades e riscos inerentes a esse procedimento, a expectativa em relação aos resultados esperados principalmente em se tratando de vida.

Ao conectar os equipamentos P. consultou de forma equilibrante e agradável qual dos meus braços deveria utilizar. Novamente se achegou e pegou nas minhas mãos. Pra mim era como se me entregasse a seguinte mensagem: “vai ficar tudo bem”. Ela postava harmonia ao lugar.

Recordei de um momento em Minas quando recebi uma pessoa incrível, uma jornalista de reconhecido gabarito, para ministrar um curso pelo Instituto POTHUM. Organizei tudo com a devida antecedência: local, logistica, matrículas, comunicações e o comparecimento foi especial. A sala estava repleta de muita “gente boa”, como dizemos no interior: professores, médico psiquiatra, médico neonatologista, médico anestesista, psicólogos, jornalistas, autores, mães, consultores, entre outros. No decorrer da aula nossa querida professora não sentiu-se bem. Um desconforto lhe acometera de súbito. E como nada ocorre por acaso um dos médicos presentes foi providente. Ao perceber a gravidade imediatamente orientou que fôssemos ao hospital.

Nos momentos de atendimento no pronto socorro lembro-me de colocar uma blusa dobrada para ajeitar sua cabeça e de segurar-lhe a mão. Pensava comigo que não poderia deixá-la sentir-se só. Ela só tinha a mim naquele momento, numa cidade que visitava pela primeira vez e precisava ter a segurança de estar amparada, cuidada. A vida tratou de nos aproximar e nos vinculamos afetivamente!

Nunca esqueci da manifestação dela, tempos depois, sobre como aquele meu gesto havia sido importante naquele delicado momento.

“A vida é feita de travessias e metáforas. E enfrentá-las é também um exercício diário de intensidade e de coragem.” Cris Guerra

Enfim, o universo respondeu-me por meio da inexorável lei de correspondência oferecendo-me de presente o mesmo conforto pelas mãos de uma doutora.

Hoje posso afirmar que entendo ainda mais sobre confortar.

Imagino quantas e quantas reverências humanas dessa estirpe são praticadas todos os dias em vários contextos!! Sempre penso sobre a enormidade de pessoas boas que cruzam o meu caminho e como tenho gratidão por isto!! Há muito ser humano de bem por ai.

A luz branca do centro cirúrgico já não estava tão clara. Respirando o oxigênio, calma e profundamente, … apaguei.

P.S – Extras

Ergonomia, segundo http://www.significados.com.br

Ergonomia consiste no conjunto de disciplinas que estuda a organização do trabalho no qual existem interações entre seres humanos e máquinas. Este termo se originou a partir do grego ergon, que significa “trabalho”, e nomos, que quer dizer “leis ou normas”. O principal objetivo da ergonomia é desenvolver e aplicar técnicas de adaptação de elementos do ambiente de trabalho ao ser humano, com o objetivo de gerar o bem-estar do trabalhador e consequentemente aumentar a sua produtividade.

A “personalidade” pode mudar ou permanece igual a vida toda? Um novo estudo sugere que é um pouco de cada.

A personalidade permanece a mesma desde o nascimento pelo resto de sua vida, ou pode ser mudada? Um novo estudo que abrange 50 anos de dados sugere que é possivelmente uma mistura de ambos.

Por décadas a personalidade foi considerada tão pouco concreta quanto o concreto – quem você era aos 15 anos é quem você seria aos 75 anos. Mas nos últimos 20 anos, a ciência cognitiva e comportamental revelou insights dinâmicos sobre o cérebro humano e os comportamentos correspondentes. Chegamos a ver a personalidade como, pelo menos, marginalmente mutável e, possivelmente, muito mais.

O estudo mais recente acompanhou as mudanças de personalidade ao longo de cinco décadas, e os resultados sugerem que, enquanto certos elementos da personalidade permanecem estáveis ​​ao longo do tempo, outros mudam de maneiras distintas. Em outras palavras, a personalidade é relativamente estável e mutável, e o grau de mudança é específico para cada pessoa.

A boa notícia da pesquisa é que, para aqueles de nós que experimentam mudanças significativas de personalidade, a mudança é principalmente em uma direção positiva.


“Em média, todos se tornam mais conscienciosos, mais estáveis ​​emocionalmente e mais agradáveis”, disse a principal autora do estudo, Rodica Damian, professora assistente de psicologia na Universidade de Houston.

Ao mesmo tempo, as pessoas que eram especialmente atenciosas, agradáveis ​​e emocionalmente estáveis ​​em tenra idade, também eram mais propensas a ser mais tarde.


“As pessoas que são mais conscienciosas do que outras pessoas com 16 anos são mais conscienciosas do que outras com 66 anos”, disse Damian.

O estudo extraiu dados do Inventário de Personalidade de Talentos do Projeto, um repositório de dados de personalidade sobre mais de 400.000 pessoas (no total) reunidas ao longo de um período de 50 anos. O valor dos resultados vem do intervalo de tempo expansivo, que permite aos pesquisadores medir as mudanças nos traços de personalidade, como conscienciosidade, extroversão e neuroticismo ao longo do tempo.

Quanto ao que influencia a estabilidade ou maleabilidade da personalidade, tanto a genética quanto os fatores ambientais desempenham papéis principais, com pesquisas anteriores sugerindo que cada um contribui igualmente para o resultado. O enrugamento relativamente novo nesse entendimento é a influência epigenética, na qual os genes de certos fatores podem ser “ativados” por influências ambientais.

O estudo também descobriu que, embora alguns elementos da personalidade pareçam mais específicos de gênero, as mulheres e os homens mudam praticamente na mesma proporção em relação ao tempo de vida. Nenhum dos dois tem uma vantagem sobre a “maturidade da personalidade” ao longo do tempo.

Uma grande conclusão das descobertas, enfatizaram os pesquisadores, é que, quando se trata de mudança de personalidade, não devemos nos comparar com os outros. Seu amigo especialmente simpático e sociável no ensino médio ainda será provavelmente mais simpático e sociável do que a maioria das pessoas que você conhece na meia-idade, portanto não deixe que o espelho social o leve a uma comparação. O que importa é o quanto você mudou – e que, de acordo com este estudo, é uma avaliação muito específica da pessoa.

O estudo foi publicado no Journal of Personality and Social Psychology.

Texto pstado em 16 de novembro de 2018 por David DiSalvo.  http://www.daviddisalvo.org.
Traduzido em método automático.

“Emoções negativas geram processos inflamatórios? o que dizem as pesquisas.”

“Uma enormidade de pesquisas demonstram   que a inflamação mata. Quando a resposta natural de nossos corpos a doenças e lesões não é controlada, pode levar a condições crônicas variando de artrite a depressão e doenças cardíacas.

Nessas pesquisas também foram encontrados links para alguns tipos de câncer e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. O que ainda é pouco  entendido é se nossas respostas emocionais também desencadeiam e pioram a inflamação.

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Um novo estudo se concentrou nessa questão examinando o aumento de processos inflamatórios em pessoas que perderam recentemente um cônjuge. Os resultados sugerem que não só o luto pode resultar em mais inflamação, mas em níveis comparáveis ​​a doenças cardiovasculares potencialmente fatais.

Os pesquisadores conduziram entrevistas com pouco menos de 100 pessoas cujos cônjuges morreram recentemente e também coletaram amostras de sangue. As amostras de sangue daqueles que estavam passando por “sofrimento elevado”, incluindo a sensação de que a vida havia perdido seu significado, tinham níveis de inflamação 17% mais altos do que aqueles que não se sentiam assim (medidos pelos níveis de proteínas de citocinas inflamatórias). E o primeiro terço do grupo de luto tinha níveis quase 54% mais altos do que o terço inferior.

“Pesquisas anteriores mostraram que a inflamação contribui para quase todas as doenças em adultos mais velhos”, disse o principal autor do estudo, Chris Fagundes, professor assistente de ciências psicológicas na Rice University.

“Nós também sabemos que a depressão está ligada a níveis mais altos de inflamação, e aqueles que perdem um cônjuge estão em risco consideravelmente maior de depressão, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e mortalidade prematura. No entanto, este é o primeiro estudo a confirmar que o sofrimento dos níveis de sintomas depressivos das pessoas – podem promover inflamação, que por sua vez pode causar resultados negativos na saúde “.

O que esta pesquisa nos diz, primeiro, é que o velho ditado sobre morrer de um coração partido é mais verdadeiro do que imaginamos. O luto, via inflamação, pode nos matar, e isso não é uma hipérbole. Os resultados do último estudo confirmam pesquisas anteriores mostrando que a perda de um cônjuge “aumenta a mortalidade por todas as causas do parceiro enlutado”. 

Isso vale igualmente para mulheres e homens, particularmente para adultos mais velhos.As descobertas também oferecem um aviso sobre emoções não gerenciadas. O luto é saudável, mas o que esta pesquisa parece mostrar é que o sofrimento extremo que leva à perda do sentido da vida é perigoso em mais de um sentido. Se agimos ou não em nossas emoções, elas têm conseqüências bioquímicas que podem prejudicar nossa saúde.

O estudo foi publicado na revista Psychoneuroendocrinolgy. 

A recém-revisada e atualizada edição de 2018 do What Makes Your Brain Happy e por que você deve fazer o oposto está agora disponível.”

Texto escrito e postado em 1 de dezembro de 2018 por David DiSalvo. no  http://www.daviddisalvo.org

Essa é uma tradução automática. 

Informações sobre o autor –

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David DiSalvo is a science writer and public education specialist who writes about the intersection of science, technology and culture.

His work has appeared in Scientific American MindPsychology TodayForbesTIMEThe Wall Street JournalChicago TribuneMental FlossSlateSalonEsquire and other publications, and he is the writer behind the widely read blogs, Neuropsyched, Neuronarrative and The Daily Brain. He is frequently interviewed about science and technology topics, including appearances on NBC Nightly News, National Public Radio and CNN Headline News.