Fora de controle – grounding #end

Não havia completado vinte por cento do meu plano, estava no meio de uma jornada interna e cultural pelo sudeste asiático e eu me via numa interrogação diária e constante: é hora de voltar? Monitorava as informações regularmente e o que acontecia à minha volta começou a me inquietar mais seriamente. A última cidade onde estive o uso de máscaras era o mais usual nas ruas. Até que uma mensagem do meu filho acionou o meu gatilho de decisão. As fronteiras aéreas começaram a ser fechadas pelos países. Proteger-se era o mais prioritário. Era chegada a hora de cuidar-se.

Retornei pra casa tão logo consegui organizar a logística. Entrei no grupo de risco e me testei. Negativo. Mas pude ampliar ainda mais minha percepção sobre o perigo e sobre o que está ainda por vir.
(https://darlenedutra.com/2020/03/13/eu-e-o-covid-19/)

Impensável é a palavra para a pandemia do COVID-19 pelo mundo afora. Se pairava alguma dúvida de que chegaria a todo canto, dizimou-se. Dados e informações são despejadas em toda parte: realidades, preventivas, alarmistas e outras.

A questão está e permanecerá fora de controle e o que toma a pauta principal é o nível de incertezas e impactos imediatos. É praga pra tudo que é lado. No fim disso tudo a maioria de nós terá conhecido pessoas afetadas de várias maneiras. Muitos serão os que nos deixarão por conta disso.

A verdade é que nunca mais seremos os mesmos.

As pessoas vão mudar, as cidades vão mudar, os países, o mundo.

Minha esperança é que essa pandemia amplie significativamente o nível de consciência, de irmandade e solidariedade entre os povos.

Que as indesejadas perdas, dores, restrições e tristezas nos acordem para o que de fato importa.

Que a transformação traga evoluções significativas e nos torne mais humanos.

Sempre.

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COVID-19 – grounding #13

“Estou te ligando pra dizer que ninguém poderá levar suas compras e deixar na sua porta. Já falei com todos os colaboradores do prédio e ninguém se dispôs. Ninguém quer ficar doente. Eu gostaria de ajudar mas já tenho idade avançada e sou do grupo de risco.”

Era o porteiro do meu prédio me dizendo que não seria possível colocar meu pedido do supermercado no tapete do lado de fora do meu apartamento. Era o meu primeiro dia de “isolamento social” até que saísse o resultado do teste para o Covid-19. Os meus sintomas (gripe, tosse, vias aéreas e etc) e as informações da expansão do vírus pelos países que passei foram suficientes para o meu enquadramento no grupo de análise / risco.

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Eu havia desembarcado na noite anterior – suspendendo um programa de viagens por conta disto – vindo da região da Asia e fui ao hospital na primeira hora da manhã seguinte; estava preocupada e não gostaria de eventualmente ser um agente de propagação. Ao conviver nos últimos dias com esta gripe chata, optei por viajar de máscara até chegar em casa, protegendo as pessoas do meu entorno.

Quando cheguei lembrei logo da expressão “buraco de cobra”, (rs) porque era exatamente assim que minha geladeira estava: vazia. Fiz um pedido pelos aplicativos de entrega. No meu prédio não é permitido a entrada de entregadores aos andares. Expliquei pelo telefone ao porteiro o que estava ocorrendo e que eu precisaria de uma flexibilidade. Hmmmm, sem sucesso.

Senti na pele o que muitas pessoas sentem quando são discriminadas de alguma forma. Refleti o quanto a crise e o pânico sobre Covid-19 podem impactar parte da nossa “humanidade”, talvez por instinto de sobrevivência, por desinformação ou incompetência para lidar com a situação.

Enfim, os desdobramentos envolveram amigos e sindicos para orientação da equipe de colaboradores em como proceder para esses casos. Compartilho isso porque daqui pra frente, se as informações divulgadas nos meios de comunicação estiverem corretas, iremos conviver com uma série de momentos como esse e precisaremos estar preparados para as melhores condutas, orientar os colaboradores, equipes de trabalho, para que seja uma experiência humana e de valor.

Todos com o mesmo objetivo – proteção da vida. Simples assim.

O teste? Negativo!. … Ufa!!

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Momento

Enquanto eu fiquei alegre,
permaneceram um bule azul com um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,
constituindo o mundo pra mim, anteparo
para o que foi um acometimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo
alegre do que triste. Melhor é ser.

Poesia da mineira Adélia Prado

Sobre ser vulnerável – grounding #12

A lombada da rua Nossa Senhora da Conceição era minha pista de patinação com faixa de chegada dentro da garagem de casa. Lembro de ser uma criança livre que ousava em várias situações e estripulias, o que me rendeu marcas na pele: pontos na testa, no queixo e atrás na cabeça; sem contar as repreensões.  O par de patins era daqueles antigos de amarrar e ajustáveis embaixo do pé, (Ahhh) e como eu gostava deles!! A ciência diz que a gente carrega para a vida adulta muitas das características que desenvolvemos na infância. Naquele tempo já vestia o espírito meio aventureiro. Meus pais que o digam…rs

“uma história contada é uma vida vivida.” (foto do google)

Sou muito grata por ter tido o privilégio de viver infância de muita qualidade, provida de elementos fundamentais numa criação: valores morais, princípios, recursos diversos, limites e muita liberdade para crescer, criar e experimentar. Eu faço questão de compartilhar aqui e me reconhecer hoje nos meus traços da infância porque nesses últimos meses várias destas características foram iluminadas e estiveram “sob judice”, à medida em que fui tocada por questões e escolhas.

Algumas delas: “Você tem coragem de ir sozinha?  Não tem uma amiga que toparia ir junto?  Você vai partir sem data certa pra voltar? Como você consegue fazer isto sem ter um plano prévio detalhado?  Você está indo para lugares complicados onde ser mulher pode ser um problema. Já pensou nisso?  E o “coronavirus” se espalhando?  Você está indo para perto da origem do vírus,  lugares considerados críticos e você não está com medo?”

Todas elas foram oportunas e afetuosas além de demonstrarem o quanto essas pessoas se preocupavam, se interessaram por mim e confesso que por uma,  duas ou mais vezes o desânimo me percorreu. Me detive a analisar os meus motivadores e conclui ser absolutamente normal um certo “balançar” diante de um desafio cheio de incertezas.  “Quem nunca?”

Referindo-me às questões digo que sim, que tenho medo, assim como todas as pessoas mas tenho também coragens absurdas como diz Clarice Lispector. (Bem lembrado pela amiga Cláudia Senna =)) Optei por ir só porque atualmente estou nessa condição e livre de algumas ocupações; e não considero isto negativo. A solitude tem seu lugar de destaque e importância na vida de todas as pessoas. Quem não precisa, por vezes, ficar consigo mesmo?

Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não propriamente um estado de solidão. Pode representar isolamento e a reclusão voluntária ou impostos, porém não diretamente associados a sofrimento. Uma distinção foi feita entre solitude e solidão. Nesse sentido, essas duas palavras se referem, respectivamente, à alegria e à dor de estar sozinho (fonte – Wikipedia)

Sobre as incertezas e ausência de um plano detalhado este é um dos elementos dessa jornada: definida a direção deixar fluir conforme os acontecimentos; ajustando os ponteiros na medida das minhas realizações e observações pelo caminho.   Bem diferente de uma viagem nos moldes tradicionais, que têm como objetivo principal o turismo. A ideia é viver um pouco em outros lugares.  Talvez eu possa mesmo dizer que escolhi experimentar um  “estilo de vida”,  uma atitude diferente por um tempo. Algo que me acrescenta em conhecimentos e novas perspectivas.

Google images

Incertezas e situações inesperadas temos todos os dias independente do lugar onde estivermos e é obvio que em lugares muito diferentes com contextos culturais distintos a chance de ocorrências aumenta, entretanto penso que posso lidar com isso como mecanismo de aprendizagem. Sobre visitar lugares com histórias discriminatórias é uma oportunidade para “olhar de perto” temas tão relevantes e pelos quais tenho cá meus interesses: universo feminino, estilos de vida, escolhas, desenvolvimento humano, liderança, visão estratégica, empreendedorismo, entre outros.

A expansão do vírus “Covid_19” é um dos fatores mais limitantes desta empreitada por ser algo novo em plena expansão no mundo, cujo impacto ainda está por ser conhecido. Escolhi acompanhá-lo mais de perto e caso identifique algo que julgue muito crítico tenho a opção por mudar a rota. Por que não? Mérito do meu filho que me faz pensar constantemente sobre.

Um “amontoado” que me deixa vulnerável claro, porém isso significa estar aberta a viver situações mesmo que impliquem riscos,  mas que ainda assim promovam valores de vida, evoluções e crescimentos que façam sentido pra mim.   “Safe travels” ouvi de um amigo recente; e é por ai. “thx dear”.

Gosto e consinto com Bob Marley quando diz que você descobre que ser vulnerável é a única maneira de permitir o seu coração a sentir o verdadeiro prazer que é tão real que te assusta. – “You find that being vulnerable is the only way to allow your heart to feel true pleasure that’s so real it scares you. You find strength in knowing you have a true friend and possibly a soul mate who will remain loyal to the end.”

A  criança dos patins vai levar muitos pontos pela vida afora. Ela foi. Ela vai sempre. Ela adora ir.

Darlene

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Viajar! Perder Países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

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Mulheres, menstruação e etc – grounding #11

Eu me vi por várias vezes confirmando o meu entendimento do  “inglês nepalês” durante um café numa aldeia do interior do Nepal e o mais crítico era que estava correto, embora preferisse que não porque foi durante estas conversas, com um guia nativo, que me deparei com questões culturais difíceis de acreditar para o meu modelo mental.

A história de muitas aldeias conta que “elas”, as mulheres nepalesas, são obrigadas a saírem de suas casas uma vez por mês, de cinco a sete dias, enquanto passam pelo período menstrual.  Desconvidadas ao próprio lar elas precisam se abrigar do frio,  por sua conta e risco, em pequeninas cabanas, muitas construídas por elas próprias ou em currais nos fundos de suas casas.  São consideradas tóxicas e impuras para convivência durante esta fase com o argumento de que são portadoras de má sorte.  Dizem algumas pessoas locais que caso elas entrem nas casas das famílias três coisas ruins acontecem:   a entrada de um tigre, o incêndio da casa e o adoecimento do dono.

Trata-se de uma crença milenar, em parte do Hinduísmo,  conhecida por  “chhaupadi” – significa impureza – e que ainda perdura nos dias atuais, principalmente nas menores aldeias do interior do Nepal, onde um desenvolvimento mínimo ainda está longe de acontecer,  onde há muita pobreza e pouca escolaridade e onde as crenças, os costumes e hábitos têm uma presença forte que chega a estarrecer.    Muitas mulheres, principalmente as  jovens,  chegam a morrer nesses abrigos temporários seja pelo frio,  pela inalação de fumaça (que acendem para se aquecer)  ou vítimas de ataques de animais.

Transcrevo aqui três depoimentos de jovens nepalesas citadas numa reportagem do Jornal de Notícias, de 11.02.2018, texto de Rita Salcedas.

As mulheres do lugar também passam por uma outra situação de discriminação quando se tornam esposas e recebem uma marca no alto da cabeça.  Caso venham se separar por algum motivo ou tornem-se viúvas nenhum outro homem se aproximará mais delas por acreditarem que elas emanam má sorte e coisas ruins podem lhes acontecer.

Meus passos foram lentos e um tanto reflexivos numa destas aldeias ao constatar um estilo de vida  bastante arcaico, primitivo e dominado por crenças;  absolutamente precário no que se refere ao saneamento básico onde a água  para beber ainda é capturada de cisternas (estudo em 2015, pela National Planning Comission menciona que somente 37% das casas nepalesas possuem rede sanitária – fonte no final), e o banho – não sei bem como – ocorre num local público coletivo. 

Sobre a questão feminina no Nepal ainda existem outras realidades merecendo uma atenção especial, como o casamento de crianças, embora seja uma ação ilegal. O jornal da cidade (The Kathmandu Post) fez uma reportagem sobre esta prática frequente nas comunidades próximas não obstante as inúmeras campanhas e esclarecimentos que são feitos. Muitas delas interrompem os estudos para casar e morar com seus maridos. Pessoas da comunidades “Chepang” acreditam ser econômico casar as crianças mais cedo, elas tornam-se força de trabalho extra.

Recorte do “The Katmandu Post”, de 07.03.2020

Sobre estas práticas o governo federal anunciou um plano de erradicação de casamentos com crianças até 2030, mas algumas províncias são mais ambiciosas e querem alcançar a meta ainda em 2022.

São acontecimentos e evoluções de uma nação em meio a um verdadeiro caldeirão de tradições, religiosidades, crenças e superstições que além de milenares são adimensionais.  

Levei um tempo “processando” tudo que vi e ouvi ponderando sobre como ainda existem tais realidades em pleno século XXI quando o acesso às informações de toda ordem está em franca expansão pelas redes. Para o meu jeito de pensar foi difícil ver como as fortes crenças movem uma cultura, uma sociedade,  e as dificuldades de mudanças arraigadas nas mentes. Muitas jovens (cabanas menstruais), em detrimento de uma maior consciência e mais esclarecimentos  acabam por seguir as tradições  para não perder os vínculos familiares,  por vergonha ou por pressão social.  As superstições ainda amedrontam muito as pessoas.

Tendo em vista tudo isso os movimentos voltados a promover mudanças culturais  e de direitos humanos têm se apresentado mais fortemente. Leis foram instituídas penalizando as práticas da “cabana menstrual” mas a sociedade ainda não está totalmente adaptada à sua aceitação e principalmente à sua prática. Em 2008,  o Ministério das Mulheres, da Criança e Previdência Social promulgou diretrizes nesse sentido, mas considerou a adesão incompleta.  Ativistas de direitos humanos tem atuado para que a aplicação da lei seja efetiva e o governo posiciona-se contra este costume, tendo registrado em 2019 uma primeira prisão relacionada a esta prática com muitas controvérsias por parte da população  (saiu mediante pagamento de fiança).  A percepção é de que as pessoas não se importam e alegam que estes costumes são parte da cultura delas. 

Um dos guias com os quais conversei demonstrou ter  uma visão clara deste panorama e os considerou impróprios completando sua visão sobre a lentidão em que ocorrem as mudanças.   Ele deposita sua esperança de transformação para o futuro nos jovens que estão estudando e estão mais esclarecidos. 

Pois é. Isto ainda existe.

Sabe aquela frase do Klink que menciona que  “deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”.   Então, eu estive aqui.  E a palavra que não me escapa da mente hoje é liberdade.

Deixo uma pauta hoje:  Sempre estamos inseridos na nossa cultura de origem, lugar onde nascemos e vivemos a maior parte da vida e isto de certa forma nos “anestesia”  e nos deixa  “acostumados”  a uma série de costumes, hábitos, crenças e etc.   Na sua visão o que seria “prioritário”  em termos de “mudança cultural” para uma evolução mais rápida do nosso país? 

Me escreva e conte o que pensa!!!

Até sempre por aqui.

#euestiveaqui #groundingaroundtheworld #humanidadespelomundo #grounding #desenvolvimento humano #humanidades #darlenedutra #multiculturalidade #conhecimento #knowledge

Leia mais sobre este e outros temas da região aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/06/140619_deusa_nepal_mv

https://oglobo.globo.com/sociedade/celina/mulheres-do-nepal-morrem-por-causa-de-tabu-sobre-menstruacao-24162611

https://noticias.r7.com/internacional/nepal-tenta-acabar-com-habito-de-exilar-mulheres-na-menstruacao-27012019

https://www.publico.pt/2019/12/27/impar/noticia/nepal-luta-cabanas-menstruais-mulheres-terem-morrido-causa-pratica-1898580

Descanso e quietude – grounding #10

Ontem vi o sol nascer em Nagarkot, uma aldeia a 32 km de Catmandu, com em torno de 5000 habitantes e 973 residências.  Começamos a viagem por volta de cinco horas da manhã e era noite ainda.  Embora fosse perto a previsão era de uma hora para alcançar o “posicionamento” que seria alto o suficiente para permitir desfrutar da vista das montanhas.  Ao subir pela estrada de chão super estreita e sinuosa (um carro de cada vez..rs. )  entendi  melhor a previsão.   O motorista habituado ao local acionava a buzina nas curvas perigosas como forma de aviso para quem viesse do lado de lá…. (vixe). Esta viagem me colocou mais perto ainda da vida desse país.  Confesso que preciso “processar” um pouco mais minha leitura pra escrever sobre isso.   Não quero que meus preconceitos e crenças afetem muito essa minha análise. De alguma forma eu sei que estarão impressos pois vemos com os olhos do que temos dentro de nós.   .

Sunrise at Nagarkot, Nepal

No alto daquele lugar, com um frio intenso e uma indesejada cerração, tive o privilégio de contemplar o sol nascer atrás das suntuosas montanhas como nunca havia visto antes. A natureza fazendo seu belíssimo espetáculo. Eu fiquei feliz e grata por ter conseguido um celular mais equipado quando passei pelo Qatar pois foi com ele que pude registrar esta linha dourada do horizonte. (Deixei de carregar minha adorável câmera por conta do peso e esforço físico requerido). Ao viver isso lembrei de uma frase que encontrei outro dia, do poeta italiano Cesare Pavese: “Não nos lembramos de dias, nos lembramos de momentos.” Este com certeza me lembrarei sempre – “momento dourado”.

(Here comes the sun) – Observation point, Nagarkot, Nepal

Meu corpo hoje acordou pedindo descanso: mais quietude, mais leitura, mais escrita e mais calma, e vou respeitá-lo.  Não tenho pressa e definitivamente não estou correndo pra alcançar nenhum prémio. (rs)  Nepal é um lugar árido e de muito pó pelo ar.  Ao caminhar pelas ruas sinto a sequidão pelas vias aéreas e meus olhos por vezes ardem. Tenho receio ou medo mesmo (rs) de adoecer. Se isto vir a acontecer posso ficar insegura por estar longe do meu contexto e sozinha.  Associo esta preocupação  à crise do vírus “Covid-19” cuja origem está bem concentrada na Ásia onde estou. Após várias análises e ponderações, inclusive dos filhos e familiares, decidi permanecer no caminho proposto. Acompanho diariamente os movimentos de expansão do vírus pelos países, como sei que preciso me cuidar pra não reduzir minha imunidade.  Não tenho mais o vigor dos vinte anos e nesta experiência  um dos requerimentos  é seguir o meu próprio ritmo.  

Ao descanso…

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