As várias linguagens do amor – grounding #7

Éramos 15 agrupados por uma situação ocasional. Íamos passar algumas horas juntos sendo conduzidos por uma jovem árabe e um provável indiano.  No meio do caminho um senhorzinho contador de histórias, responsável por nos guiar durante a visita a um Museu de história árabe perguntou sobre os nossos países de origem e até, aquele momento,  nós mesmos não sabíamos uns dos outros. rs

E foi uma amostra no mínimo interessante.  Cada pequeno grupo (família, casais ou amigos) vinha de uma parte diferente: Holanda, Bélgica, Noruega, Finlândia, Suécia, Alemanha e eu, a única das Américas.  O idioma de comunicação transitava entre o inglês e o alemão.

Nunca havíamos nos visto antes e estávamos ali realizando uma empreitada com curiosidades ou interesses comuns. Me fez lembrar do termo Torre de Babel, nome também de um balé que assisti recentemente no Teatro Municipal em São Paulo.  Nisto pensei sobre as várias linguagens do entendimento.  

Que a verdade seja dita e escrita, rsss   Nessas andanças é usual encontrarmos com pessoas simpáticas e corteses como também, o inverso. Cruzamos com outras, que por vezes agem de formas desagradáveis  e mesmo grosseiras.  

E eu experimentei isto. Pouco tempo depois desta passagem agradável e multicultural a vida me chacoalhou. De onde eu menos esperava – de brasileiros, “irmãos” de idioma e de nação – ganhei uma “desconsideração”. Tamanha foi a deselegância a ponto de terem que esquivar-se da minha vista a posteriori.

Das lições que tenho guardado com apreço esta é uma delas:  não devo me deixar molestar por atuações como esta. Escolhas e condutas são individuais. Assim também são as responsabilidades. Eu prefiro, sempre que possível,  (porque ninguém é perfeito)  atuar com serenidade e o equilíbrio necessário.   Cada um com seus travesseiros.

Apaziguar a mente e erguer uma pauta de compreensão e amor não é corriqueiro.  Amar as pessoas que você gosta,  a  família,  seus filhos,  seus amigos… ahhhh isso é bom demais!! E fácil. Né não??   Agora amar a “humanidade” circundante, reconhecendo suas limitações e dificuldades, não é para “os fracos”, (rs)  porém, é possível.   É sobre ter consciência do que você é e sobre as suas escolhas.  É sobre ter auto gestão mental e emocional.  

O humanista Pecotche ensina: “Mude os pensamentos e você muda a sua vida”.  

Preferir não criticar e não reagir. Conseguir manter a mente calma – o que não significa não produzir emoções – é uma chave.  Somente nesse estágio de flexibilidade mental é possível lidar melhor com as situações. O silêncio,  a paciência e  a compaixão são excelentes companhias. Indicação de uso sem restrições. Comportamentos destrutivos que presenciamos são bons exemplos de como não agir.  Eu espero nunca  precisar esconder meu rosto e ter que evitar alguém por vergonha de minhas condutas indevidas.  Lutando por isso.

“O que você tem todo mundo pode ter, mas o que você é… ninguém pode ser.” Constanza Pascolato

E uma das chaves é pensar nas tantas almas boas por ai,  nas gentilezas da maioria das pessoas. Isso sim vale a pena!! Uma amiga querida escreveu esses dias no nosso grupo: “com viagens assim nunca mais voltamos para o ponto de partida… somos transformados.”.  Consinto totalmente com ela.  Experiências e histórias que fazem nossa humanidade bem melhor.

 A de dentro e a de fora de nós.

Até sempre… “in grounding”..

Darlene Dutra

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Sobre Noma – grounding #6

Ela me mostrou pelo celular as fotos de vestes coloridas e modernas usadas pelas omanenses. Explicou que elas eram livres para escolher a cor e estampas preferidas.  Um parênteses meu:  nisso, eram livres.  Compreendi e presenciei nas ruas que em situações cotidianas e profissionais o preto era o mais usual.   Por parte dos homens as vestes são brancas e nesta região muitos trocaram o turbante por um “cap”  característico do lugar. O turbante ainda prevalece e tem também uma caracterísitca mais formal. 

Foto autorizada por ela.

Ao ver realidades tão distintas nossa mente começa a fazer comparações instantâneas, quase que automáticas. Refletimos e valorizamos mais o nosso jeito de viver. Tem tanta coisa disputando o alvo de nossa atenção que a gente não para pra pensar nos hábitos e culturas de onde nascemos. Esta pequena experiência demonstrou com mais clareza a liberdade que nós,  povos de outras bandas temos para fazer uma série de escolhas. 

A jovem suave e dona de um olhar bondoso explicou logo no início  que não era uma profissional de turismo e que estava ali compartilhando seu tempo entre os estudos  e o ofício de mostrar Muscat (capital de Omã,  o único país do mundo que começa com a letra “O”) aos visitantes. Uma cidade com quase cinquenta por cento de nativos e a outra parte de estrangeiros.  

Noma nos levou a vários lugares e entre eles a grande e conhecida mesquita. Lugar de cultos religiosos do islamismo. Embora eu tenha ido preparada com uma saia bastante longa, (mostrava parte da minha perna e meus pés),  Eu e uma companheira norueguesa não fomos aprovadas. Foi necessário alugar.

Internamente uma bela arte de mosaico  enchia as paredes e o teto.  Detalhes em ouro concluíam um acabamento delicado. Lustres de cristais enormes e também finalizados em ouro. Chão inteiro coberto por  um tapete produzido especialmente pelas mulheres do Irã e “sem emendas” – o segundo maior do mundo com esta característica.   As tecelãs estiveram muito tempo no local  o tecendo.  Isto, na sala reservada aos homens.  A das mulheres,  bem menor e menos suntuosa.   Perguntamos sobre os motivadores da diferença.  Ouvimos que as mulheres, dado os seus afazeres em casa e com os filhos,  eram autorizadas a realizar a “oração” onde quer que estivessem. Também que a posição de oração é um tanto inadequada para estarem juntos.  E todos o fazem cinco vezes ao dia, em horários específicos ao som de uma música própria. Som que ouvi várias vezes nos Emirados,  seja na rua ou nos shoppings.

Estas visitas, independente da função do lugar e da minha concordãncia ou não, são valiosas para um mergulho na cultura. Algo que adoro fazer. Conhecer e conversar com gente. Saber como vivem, seus costumes, suas dores, suas artes. Sua expressão na vida.

Durante todo o percurso a atenção dela, da Noma era evidente.  Mais uma pessoinha boa no meu caminho. Observo esta característica especialmente nas mulheres.  Me parece uma conexão velada pelas afinidades de gênero. Nos entendemos em muitas coisas.

Aqui não foi diferente. Thx Noma.  

Saudações árabes, Da.

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Curiosidades:

Omã é uma “monarquia absoluta”, situada num ponto estratégico do Golfo Pérsico. Um dos dois únicos sultanatos no mundo.    O Sultão Haitham bin Tariq Al Said, em 1970  herdou essa responsabilidade do seu primo,  um dos maiores líderes do oriente.  Deu foco importante à educação (taxa de alfabetização em 2010 – 86,9%) como meio de desenvolver uma força de trabalho nacional, considerada pelo governo um fator vital para o progresso econômico e social do país. Hoje, existem mais de 1000 escolas estaduais e cerca de 650.000 alunos em Omã.

A religião predominante é o islamismo tradicional, com restrições.

Confesso que fiquei triste em ler sobre os “direitos humanos” em Omâ,  cujas práticas são bem complicadas,  se comparadas a outras áreas tão desenvolvidas.  Conforme registro na fonte que pesquisei, trabalhadores estrangeiros chegam a ser abusados por seus empregadores. (não conheços os detalhes dessa afirmação)  E no país, os atos homossexuais são considerados ilegais.

Omã tem como ponto alto da economia a exploração do petróleo e é classificado como uma economia de alta renda.

Fonte: Wikipedia –  

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Fagulha

“Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.

Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.”

Ana Cristina César

Arábias – vestes contam histórias – grounding #5

Ao cruzar com “elas” pelas arábias eu observava seus olhos, sorrisos. Fisionomias. Algumas suaves, outras duras. Quantas histórias não deveriam estar alí guardadas debaixo daquele manto preto. Que fatores seriam predominantes e como seria a vida dessas mulheres.

Fui entender um pouco mais sobre as vestes compridas, utilizadas por muitas pessoas. As brancas para os homens e pretas para as mulheres. Elas ajudam a suportar os dias quentes de verão e as noites frias de inverno. Uma das suas histórias de uso remetem aos beduínos, no século XVII – cujo significado simplifico aqui como “pessoas do deserto”. São também expressões do islamismo. Cada local tem suas próprias suas próprias regras. Mais do que uma forma de vestir, representam estilos de vida e normas de condutas.

Ao visitar alguns destes lugares ouvi mais de uma vez a orientação para que não os fotografasse sem a permissão explícita. Isto poderia suscitar inconvenientes. Seria mesmo ofensivo. Assim, o fiz sem identificação.

Estar em culturas diferentes, independente das convicções pessoais e ideias, pressupõe observar e adaptar-se ao jeito de ser do lugar. Uma forma de respeito às diferenças. Sinônimos de educação e cortesia. Algumas das características adicionais: mesmo em regiões mais modernas, não é usual que homens e mulheres se dêm as mãos em público. Beijos de casal não são permitidos. Somente os homens se beijam como um cumprimento. Bebidas alcóolicas são permitidas aos não muçulmanos desde que sejam oferecidas em lugares específicos, como os hotéis. A visita a lugares considerados religiosos tem seus códigos próprios de conduta.

Voltando ao ponto inicial, o de observar as mulheres, esta experiência me fez pensar que neste contexto social a “objetificação feminina” não é tão indevidamente explorada como em alguns dos países ocidentais. Isto reduz as consequências danosas dessas abordagens mais físicas e aparentes que intelectuais ou emocionais. Taí, gostei!

Do jornal “the natíon” de 20.02.2020
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Península Arábica

Alguns dos nomes e estilos das vestes podem ser pesquisados aqui num rápido artigo da Super Interessante.

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“as viagens são os viajantes”

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

“Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo”. Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.

Fernando Pessoa

10kg pra viver – grounding #4

Me afirmaram ser possível viver somente com uma mala de 10kg por um tempo. Ao primeiro impacto a mente desacredita na ideia. Percorrer lugares tão diferentes com estilos próprios e climas diversos carece de um repertório um pouco mais pesado, pensei. rs Me avaliei com uma mentalidade bem tradicional.

Me lancei nesses exercícios. Olhei para o armário e defini poucas peças. As que coubessem numa mala de mão. Deveriam ser úteis para qualquer tipo de situação e por tempo indeterminado. Genéricas. Eu diria tratar-se de uma tarefa difícil para a maioria das mulheres. A gente gosta de combinar peças, ter um “range” de opções – de um hotel cinco estrelas a um hostel. (rs)

Mas acabou que esse movimento se tornou uma boa provocação. Me fez “elaborar” e “processar” um pouco mais. Afinal, sobre do quê mesmo estamos falando? Roupas, calçados? Não seria interessante acrescentar estruturas, comportamentos, hábitos e pensamentos? Do que precisamos pra viver? No fim, o que realmente importa?

Conectei o assunto com um dos meus objetivos para esse ano, o de viver com mais leveza, apreciando o caminho. Encontrar a beleza no próprio ritmo. Isso é sobre fazer escolhas. É sobre carregar apenas o necessário, o que tem valor. Pensamentos e relações tóxicas podem ficar de fora dessa viagem.

A maturidade, parece nos deixar mais livres para esses experimentos. Não posso afirmar que seja fruto dela, nem que seja uma regra geral (não tenho informações adequadas para isso), mas me parece que ao alcançarmos certa altura na vida, ficamos menos suscetíveis aos julgamentos externos. Menos vaidosos até. Em vários sentidos. Com uma “hierarquia de valores” mais apurada, nos incomodamos cada vez menos com o que os outros vão dizer e conhecemos mais sobre o que é, de fato, significante pra nós.

Lembrei da frase de Leonardo da Vinci, exposta recentemente numa amostra em São Paulo, ” a simplicidade é o último grau de sofisticação “.

Eureka!

Enriquecer a vida pressupõe criar diferentes experiências. É preciso dar espaço para que isso aconteça. Na mala. Na mente. No coração.

Aposta feita: 10kg.

“A Parceira”

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Lição de empreender – grounding #3

Enquanto sentia o vento fresco roçando a pele do rosto meus olhos corriam a paisagem inteira. Não queria perder nada de vista. Sensações como esta só são possíveis ao vivo e a cores. Conhecer lugares por leituras, fotos e vídeos é bem legal, mas viver e sentir a atmosfera “in loco” é outra história.

Eu tinha informações sobre os Emirados Árabes, em especial de Dubai, e pela primeira vez viajei para essas bandas. Um lugar, eu diria “estético” , exuberante e estruturado. E o mais impressionante, construído em pouco tempo (pelo porte) do nada. Ali estão os maiores prédios do mundo e ilhas artificiais. Estas primeiras impressões e isso já me fez lembrar da frase:

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Google.com

Pensar que poucas décadas atras era um deserto. O governo, em regime de monarquia, liderado por um rei visionário, tem transformado o lugar de forma significativa e rápida nos últimos 20 anos. Movimenta vários ecossistemas: tecnologia, negócios, turismo e óleo – que já não é mais representativo na economia como no início. Me chama a atenção a capacidade de ação, além da força e autonomia do poder, gerando resultados.

Não precisei caminhar muito para perceber que as obras não pararam. São várias novas construções e empreendimentos imobiliários em andamento. Imponentes.

Boa parte das pessoas com as quais tive contato foram corteses e amáveis. Ao olhar as fisionomias, o que faço com muita frequência quando ando pelas ruas, percebo a diversidade cultural e os sinais presentes de muitas outras nações. Afinal, um lugar de poucas décadas tem poucos nativos. Pelo menos por enquanto.

Essa passagem por aqui me fez revisitar o curso 4TOUCH – Jornada da realização – que desenvolvi há mais de dois anos atrás. Um dos meus principais propósitos era ajudar as pessoas a ampliarem sua capacidade em empreender, viabiliar a realização de seus projetos e estarem mais preparadas para alcançar seus sonhos. Ao ver Dubai reitero com alegria meus objetivos originais: desenvolver pessoas para realização. !!! É possível sempre.

Aproveito e elenco aqui alguns dos elementos que me ocorreram ao analisar a história desse lugar e sua notória capacidade de empreender:

  1. Não basta ter dinheiro, é preciso vontade política para realizar
  2. Há que se ter visão de futuro (olhar estratégico) e de “longo prazo”
  3. Requer abertura, “mindset” para inovações e para “o mundo”
  4. Conhecimento e planejamento são fundamentais
  5. E uma dose cavalar de capacidade executiva (incluindo times diversos).

Tem tanto deserto por ai, dentro e fora da gente pra construir !!!

Fico por aqui hoje, tenho muito mais a ver..

Saudações árabes,

Da⠀

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P.S – Wikipedia
Dubai (em árabe: دبيّ, Dubayy) é a maior cidade e emirado de mesmo nome dos Emirados Árabes Unidos (uma federação de monarquias absolutas hereditárias árabes).[1] O Emirado de Dubai está localizado na costa do Golfo Pérsico, sendo um dos sete emirados que compõem o país. Dubai é o emirado mais populoso entre os sete emirados, com aproximadamente 2 262 000 habitantes. 

Coragem para estalar os dedos pelo mundo – grounding #2

Ouvi a palavra “coragem” com certa frequência nessas últimas semanas. Num primeiro momento me senti reconhecida por isso. Me identifiquei. Me vejo em boas lutas e modificando meus paradigmas. Parece da minha natureza. Refleti que é sobre superar e muitas vezes dar a volta por cima. Não a qualquer preço. Minha mente puxou quase que instantaneamente a palavra “medo”. Ponderei que tenho cá os meus. E como são provocativos. Indecentes até. Mas não sou complacente com eles. No papel de durona faço que não os vejo. (rs) Apenas sigo. Independente dos resultados.

Recordei de um artigo onde a Débora Zanelato menciona que “coragem nada tem a ver com invencibilidade, em nunca fracassar, mas com se colocar em movimento ainda que o resultado não seja garantido ou mesmo, tão satisfatório”. … Ainda que “coragem está intimamente ligada à tolerância de errar. Ou por que não, à capacidade de arriscar sem ter qualquer tipo de certeza se aquilo que buscamos dará certo ou não.”

Ouvindo Machado de Assis me detive na seguinte frase: “o medo é um preconceito dos nervos e um preconceito desfaz-se – basta a simples reflexão”. Pensa se gostei (rs).

Adotar esta perspectiva nos leva a estudar as causas de intrusos temores que tem a função até mesmo de desestabilizar… (rs). É preciso parar, ouvi-los e tratá-los com o devido cuidado. Para impedir que sejam paralizantes.

Dois verbos juntos colaboram para mudar essa classe de pensamentos: “ENTENDER” e “PREPARAR-SE”. Quanto mais entendo e preparada, melhor perpasso as situações. Mais êxito, mais satisfação, mais realização e menos medo.

Eu consinto que ter coragem não significa a ausência do medo, mas a forma como o encaramos e agimos. Tudo que alimentamos cresce, então me esforço para deixá-los famintos. Guiada pelo desejo de prosseguir a favor do que faz sentido, nas várias dimensões da vida.

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Faço minhas as palavras de Adélia Prado: “Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.”

Lá vamos nós pra mais uma jornada…

Touché!

P.S:
De Marie Curie, cientista polonesa (prêmio Nobel de física) :

“Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos.” (Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less)

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Pé na estrada… e fé na vida – grounding #1

Férias, Viagens, Verão, Estilo De Vida

Formidável é a diferença que mora em cada um de nós. Conheço pessoas que adoram ficar bem sossegadas e não tem qualquer interesse em conhecer lugares e culturas. Preferem a quietude das viagens em suas próprias casas. Qual o problema? Tá tudo bem com isso!! Aí está a beleza das individualidades. Não há certo ou errado. O importante é descobrir suas próprias motivações, seus estímulos e interesses, e o que lhe faz acordar e sentir entusiasmo pelo seu dia, pelo seu futuro, seja ele qual for.

Nas últimas décadas fui inoculada com o “vírus da viagem”. As várias delas: as viscerais, as do meu quarto, do livro da vez, as do modo tradicional com mala e tudo. Nas minhas listas de afazeres não falta o nome de algum lugar a ser visitado, conhecido e desfrutado. Havendo a possibilidade, não perco mesmo. Como diz um jeito mineiro: “Gosto demais da conta”. rs.

Ao fazer o percurso de volta pra casa, enquanto esperava o trânsito, me propus a pensar sobre isso:
Por que tenho tanto prazer em viajar?
Quais meus principais motivadores?

As viagens representam um encontro comigo mesmo. Dependendo da forma e do lugar podem se tornar mecanismos incríveis para um diálogo com minha voz interna. Uma verdadeira aproximação com meus claros e escuros, meus pesados e leves, meus coloridos e pretos, meus desejos e ordens. Ufa!! Um recurso para o autoconhecimento e autoreconhecimento. Uma bela de uma terapia. Eu e eu. Nelas eu evoluo e saio sempre uma pessoa MELHOR – o que literalmente é um dos meus objetivos de vida.

As viagens São oportunidades para encontrar “o mundo”, os demais. Ampliam meu repertório de conhecimentos e minha visão. Histórias, gente, comidas, imagens, um verdadeiro afago ao meu apetite intelectual e cultural. Aprendo andando, vendo, conversando, fotografando, experimentando. Ganho novos olhos, ouvidos e palavras.

Permanecer em atividade pra mim é uma forma de vida.
Escolhas e experiências valiosas são movimentos que eu posso criar, ou que outros podem criar pra mim. Aguçam meus interesses, mantem-me em plena ação, uma usina de vitalidade.

Assumo uma certa inquietação positiva, um medo da acomodação, medo da apatia e da depressão. Tenho receio que essa vontade passe ou que eu não consiga mais exercê-la. (rs)

Ao colocar-me nessas peregrinações, empreitadas deliciosas estou pondo a minha vida em foco. Enfim, viajar é uma extasiada sensação de liberdade. De poder ir e vir. Leveza!

Concluo com a inspiração e leitura do Amyr Klink, um navegador de muitos mares e que sabe, como ninguém, os remédios pra essa doença, para esse vírus.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”
Amyr Klink

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Fotos que falam

Ainda pequeninos e já eram de poucas palavras. Sempre abreviados. Eu, mãe como muitas que conheço, querendo sempre mais. Tentava saber como foi o dia na escola, se estavam alegres, tristes, o que tinha acontecido. O que fosse.

Eles, lacônicos: “foi tudo bem”.  Ponto.

Estavam os dois entrando na pré-adolescência e eu, como de costume organizava logo cedo a mesa do café. Um ritual de aquecimento para as atividades do dia intenso pela frente. Ali começava a minha tagarelice. Mental e oral. Sempre pulei da cama com disposição de ânimo pra enfrentar o que viesse e isso incluía a fala.

Num desses dias, “conversa” em curso, Filipe, meu mais velho, num tom de voz diferente me fez parar: – Mãe!!

Levantei o olhar: – oi meu filho.   

Só ouvi um: – a gente acabou de acordar!!!

Pela fisionomia  entendi que era preciso calma. O processo de acordar pedia silêncio.  “Puxaram meu pai”, pensei. Ele era assim, precisava de um tempo  até que o dia pudesse de fato começar.  Rimos juntos e dali em diante fiquei atenta ao  “café com calma”.

Hoje quando recebo a foto deles em lugares tão distantes soam pra mim como boas notícias. Um sinal de que estão bem em suas andanças mundo afora. Sinto um quentinho na minha alma de mãe. No fundo, uma gratidão pelos homens de bem que se tornaram, rodeados de pessoas queridas e com saúde. Permanecem, obviamente, as poucas palavras.

Benditas fotos que falam!!!

#cinema – Sobre o filme “Little Women”

Se fosse definir o filme Little Women (Adoráveis Mulheres), versão 2019/2020 em uma só palavra eu diria “DELICADO”. No melhor sentido da palavra, uma forma sutil e afável de relatar aspectos humanos. AMEI!!

Adoráveis Mulheres

Uma história de época, adaptação de um clássico da literatura americana, de mais de 150 anos, desenvolvida de uma forma profunda e sensível. Uma apresentação rica em detalhes, com um roteiro muito bem escrito, retratando uma família de mulheres unidas nas problemáticas de toda ordem: comportamentos, dificuldades financeiras, diferenças e competências individuais, solidariedade, vínculos afetivos, relacionamentos, mas solbretudo, a irmandade, a aliança entre os integrantes da família.

A condução feminina da família, na ausência do pai em guerra, também é uma situação que expõe desafios importantes de sobrevivência, de força e de coragem.

Do ano de 2019, um longa metragem do gênero drama, escrito e dirigito por uma roteirista e diretora mulher Greta Gerwig, que ganhou o Oscar pela direção de “Lady Bird”.

A narrativa é complexa e utiliza-se de recursos temporais (idas e vindas no tempo da história) produzindo uma dinâmica que impressiona e prende muito a atenção. Palmas por isso.

A fotografia é admirável, com cenas muito bem caracterizadas e cenários / contextos belos e apropriados.

Enfim, vale a pena!!!!

As seis irmãs

“Um ABSURDO isso!! Até parece que ela não tem família, não tem ninguém por ela, não tem irmãs!!!

Esta foi uma bronca de uma das minhas cinco irmãs quando soube que eu concordei, no período da tarde, em realizar uma cirurgia na manhã seguinte à distãncia de seiscentos quilômetros. Ia me aliviar das recorrentes dores então prontamente consenti quando houve a liberação de agenda do médico. Dado à decisão super rápida não foi possível tè-las comigo no hospital, coisa absolutamente usual na nossa família. Um detalhe: meu filho mais velho suspendeu o trabalho e prontamente me acompanhou. (um fofo)

Ao assistir o filme “Little Women” – belíssimo trabalho, sensível, adaptação de um livro escrito por mulher, dirigido por outra mulher, Greta Gerwig (roteirista e diretora americana, ganhadora do Oscar de melhor direção por Lady Bird) – lembrei várias vezes da gente lá em casa, “da casa das sete mulheres”, das nossas convivências, dos nossos atritos, das nossas trocas e especialmente das nossas colaborações. Muita cumplicidade existia. Guardadas as diferenças individuais, que hoje entendo como ricas, éramos um time de peso. Dos serviços de costureiras, que nossa mãe fazia questão de cuidar, às aulas de artes, esportes, piano e inglês.

“Uma escadinha.”, ouvíamos sempre. Uma atrás da outra. Era pequena a diferença de idade entre nós. As meninas da Ruth e do Nil, sempre muito arrumadas e juntas.

Recentemente no nosso grupo de mensagens da família surgiram algumas fotos, ahhh que belas recordações. Ventilei a possibilidade de contarmos algumas de nossas histórias. E olhe que não são poucas!! E algumas, incontáveis até. rs. Deu mesmo saudade.

As boas lembranças, que deixam saudades apertadas, não são para nos fazer sofrer. Ao contrário, elas são a coleção de tudo o que custa caro para nós. São os tesouros de cada biografia, páginas de alegria. Quem tem saudade é rico de vida.

Lucas Lujan

O fato é que ao longo do tempo a família cresceu, a árvore ficou robusta, cheia de galhos e folhas novas. Frutos pra tudo que é parte. São muitos netos e bisnetos. Minhas irmâs vovós agora são tomadas pelos cuidados e afazeres com seus filhos e netos. Dizem que ter netos é uma das melhores coisas da vida (que delícia). E a dedicação das vovós é algo sanguíneo, absolutamente explicável, dado a generosidade e manifestações de afeto natos.

Eu sei, por experiência própria posso afirmar que este vínculo de irmandade sobrevive aos tempos modernos, agendas familiares e às distãncias. Mesmo não sendo possível a presença naquela hora exata eu sabia que estava amparada por elas, as irmãs de ouro.

Minhas queridas, com vocês, esteja eu onde estiver, nunca estarei só!! Vocês estão comigo no meu melhor lugar, o coração.

Antes que seja tarde, fale sobre seu amor. Fale antes do sol se por. Antes que seja tarde, entregue seu coração. Mas entregue sem ilusão. Pois a vida corre e, antes que alguém perceba, já é tarde demais.

Lucas Lujan

Há vida lá fora!

Acredite!  Grande parte das  horas diárias das pessoas são gastas em comportamentos absolutamente automáticos. Dentro do táxi, do metrô, do ônibus, do carro, … Podem passar por paisagens lindas, porém,  sem de fato vê-las,  apreciá-las,  desfrutá-las.knight-122838_640

Ao final de um período (dia, mês, ano) constatam  o sentimento de insatisfação por não terem feito o que gostariam. Permeia  a sensação de que poderiam ter feito mais ou de forma diferente.   Com tantos desenvolvimentos tecnológicos, inovações,  modernos padrões de vida as pessoas ainda estão abarrotadas de atividades, sem tempo para muitas outras que gostariam de realizar. Não parece contraditório?

Estamos correndo atrás do que mesmo?  

Se a resposta for “da felicidade”,   será esse o caminho?   Dedicamos uma enormidade de tempo na busca, do que  “achamos”  que nos fará mais felizes e ainda assim nos sentimos insatisfeitos,  infelizes até.  Se esse não é o seu caso,  tiro o meu…

Ver o post original 1.151 mais palavras

Ir-rompe.

Um sopro.
Um instante.
O elo.
O desencontro.
Que encontra.
Uma estreia.
Uma luz.
Acende.
Brilha.
Apaga.
Arrefece.
A palavra.
A reticência briga.
O sim ou não impõe.
Forte, audaz,
E leve e doce.
Apaga.
Ascende.
O grito.
A vida.
O silêncio.
Diz que não.
Mas sim.
Diz que sim.
Mas não.
O preto no branco.
No laço.
O nó.
Vai.
E volta.
E está.
Porque sim.
Marcou.
Ficou.
O que é.
O é.
Gritou.
Estrondou.
Pontuou.
Sucumbiu.
Sumiu.
Na reticência..
Na dúvida.
No ponto..
Do sim ou não.
Na batida.
Na dúvida.
No tom.
Forte.
Na cor.
No toque.
Do coração.

Nevoeiro, Montanhas, Natureza, Paisagem
Lírio D ' Água, Lírio, Água, Natureza

Imagens pixabay

Dançaremos pra sempre…

Publiquei este texto em agosto de 2017,   uma reunião de lembranças e uma homenagem ao meu pai que havia partido há algum tempo.   Nesse final de 2019, em especial,  recordei muito dele quando nós,  as seis filhas (sim, seis mulheres, rs) ganhamos de presente de nossa mãe,  uma mensagem escrita deixada por ele.

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 Uma mensagem  redigida e assinada de próprio punho,  coisa rara em tempos digitais. Suas palavras eram cheias de calor,  de afeto,  transmitindo  uma emoção embargada, amorosidade (palavra da minha irmã mais velha).  Tudo muito próprio dele. Na verdade, sua cara!!!

O “Dançaremos pra sempre”  é uma forma de dizer que essa pessoinha  estará sempre viva em nós, sua esposa e filhas (a casa das sete mulheres), por meio de suas criações, suas lições, suas palavras.

Reposto…

Dançaremos pra sempre…(13.08.2017)

Desde pequena aprendi os primeiros passos de bolero com ele, …
O agradava esse estilo musical.
Seu olhar sempre se modificava quando as escutava.
Em eventuais festas, casamentos, formaturas, aniversários..
Havendo possibilidade, estávamos lá bailando,  dando nossos passos.

Recordo sempre do seu jeito e de seu ritmo…. peculiares.

Essa era apenas  uma,  das muitas danças que tivemos juntos
durante essa existência. Todas elas, com seus ritmos, melodias e passos peculiares à  vida de pais e filhos.

Ensinamentos de toda ordem,  correções, aprendizados,  inúmeras  circunstâncias que nos ensinaram crescer  e evoluir dentro da nossa órbita de  conhecimentos e limitações.

No porte de nossas condições mentais, intelectuais e sobretudo, sensíveis.
Foram ricas experiências de vinculação e construção de afetos.

Agora,   seu desaparecimento físico,  a matéria se foi.
Mas só a matéria, só o físico.

Ele, meu querido pai, sempre viverá  na minha mente e no meu coração!
Viverá nos seus feitos, viverá em mim,  em nós.
Porque nossa dança é eterna,  não tem dia nem tem hora pra acabar…

Amo vc, meu pai.

Darlene

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#EI – 2020, por Ana Cláudia Q.A.

Pessoas, Amigos, Casais, Parque

Mais graça, criação.
Mais arte, liberdade.
Mais risadas, horizonte.
Mais aventuras, tempo.
Mais silêncio, compaixão.

Menos cansaço, tristeza.
Menos negatividassde, solidão.
Menos dor. Menos fronteiras.
Mais pontes.
Menos muros.
Mais janelas abertas.
Menos portas fechadas.

Mais leve. Mais humana. Mais gentil.
Amor, todos os dias.

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Ana Claudia Quintana Arantes
Especializou-se em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford, em Londres. Ana Cláudia é sócia-fundadora e vice-presidente da Associação Casa do Cuidar, Prática e Ensino em Cuidados Paliativos e ministra aulas nos cursos de formação multiprofissional e em Congressos Brasileiros.
Ana Cláudia Quintana Arantes – – Conass
www.conass.org.br › consensus › ana-claudia-quintana-arantes

LivrosA Morte é um Dia Que Vale a Pena Viver

Paro, quando morrer.

Virada de ano lança uma oportunidade no colo da gente: revisitar o caminho, os objetivos, planos e perspectivas para o futuro. Meditar sobre as várias dimensões da vida: pessoal, amorosa, profissional, familiar, social, cidadâ.. etc.

Há quem não goste desse momento por conta das muitas festas, fogos e euforias desmedidas. Independente da época do ano, eu ocasionalmente curto fazer uma parada estratégica pra pensar. Ao longo do tempo fui aprendendo o valor de estar comigo mesma, de ouvir com certo cuidado o meu interno e refletir sobre como prosseguir, sobre quais escolhas quero fazer e especialmente como quero viver.

A D O R Á V E L momento.

Percebo mudanças, inovações relevantes quando olha as minhas décadas passadas. Quanta experiência e transformação pude trazer à tona. Sou grata pela lucidez e parte de consciência em percorrer alguns caminhos.

À medida que os anos passam as prioridades são realmente muito diferentes. Atualmente valorizo muito mais o meu tempo e o que faço com ele. Insisto sempre em preenchê-lo de forma LEVE para estar atenta e impedir que a vida passe desapercebida. Para que eu a trate com a delicadeza de alma que ela merece. Honro a liberdade que conquistei! O que para alguns pode ser até mesmo uma tortura, por não saber o que fazer com ela, pra mim é um motivo de regozijo, êxtase.

Ao 2019 preciso me curvar e agradecer as importantes superações: saúde, trabalho, relações. Me exigiram esforços e dedicações inimagináveis. UFA!! kkkkk

Eu faço listas sim, como a maioria das pessoas que interessa-se por organização, mas não o faço com o mesmo rigor de antes. Aponto a direção e permito-me a flexibilidade necessária para alterá-la se for o caso. LEVEZA!!- A minha palavra da vez. Até porque a coluna não permite mais cargas pesadas!! (kkk)

À frente anelo enxergar as oportunidades que desfilarem diante dos meus olhos para escolhê-las com sabedoria e aproveitá-las da forma mais elevada possível. E ao vivê-las, tirar lições, aprender sempre.

Sou do tipo que não se detém esperando as coisas acontecerem. Disso eu tenho certeza: não páro NUNCA. Como bem disse a inspiradoras Clarice Lispector minha educação só acaba no túmulo.

Que venham as classes de 2020!

P.S. – Desejo um ano novo de muita evolução pra você!!
De experiências, conquistas relevantes e felizes!!

#cinema – Sobre o filme Marriage Story

Um filme  maduro que apresenta sutilezas das emoções vividas diante das dificuldades no rompimento de uma relação adulta com filhos.

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O tema em sí –  separação, a desconstrução de relacionamentos – implica tristezas, desacordos. Isso por si só, pode tornar a película  “chata” para algumas pessoas. Especialmente em épocas de conteúdos rápidos e rasos nem sempre há a disposição para mergulhos em histórias tristes. Existe uma preferência por histórias de sucesso, realizações e resultados positivos.

O roteiro tende a agradar mais os interessados pelos melindres humanos,  questões emocionais e suas consequências.   Os que já vivenciaram situações semelhantes encontrarão afinidades e reflexões relevantes.  Não o considerei corriqueiro.

Além de uma série de escolhas e decisões passíveis de análise, o desenvolver da história me fez pensar sobre  o “merge”  existente entre o relacionamento amoroso e o relacionamento profissional.  Isso muitas vezes cria uma simbiose entre os papéis e suas repercussões nos envolvidos.  Abarca o  sucesso de um e o sucesso do outro,   a carreira de um vinculada, de certa forma à carreira do outro.  Desconstruir uma relação com esse panorama implica  quebrar mais de uma estrutura de relações ao mesmo tempo. Considerando-se, inclusive, que uma delas envolve o “público”,  “plateia”,  já que o contexto de trabalho dos dois passa por esta exposição.   

Acrescento ainda a interferência dos advogados, normalmente cheio de estratégias,  influenciando as decisões sendo algumas até meio “involuntárias” aos conceitos do casal.

Os relacionamentos não deveriam impactar os processos e projetos individuais.   Ao contrário, deveriam contribuir para fortalecer os seus indivíduos. Entretanto, algo que me ocorreu nessa trama foi a mulher parecer abdicar-se de sua parcela individual no desenrolar da relação, deixando-se levar pelo mix de projetos coletivos,  sem se dar conta de que deixava de lado parte de suas necessidades, desejos.  Ao tomar consciência o rompimento passa a ser um mecanismo de solução pra ela,  uma válvula de retomada dessas  questões (reavendo-se).   

Enfim,  .. um ótimo repertório sobre relações.

Conhecimento “prático”

“Não se deve adquirir o conhecimento como se adquire uma coisa que ocupe momentaneamente um lugar em nossa memória.

Um conhecimento não é nada se ele não se transforma em algo que nos modifique.

Assim, ao contrário do que se crê, o conhecimento nunca é senão um meio, não um objetivo; e o objetivo é descobrir por meio dele uma das potências de nossa vida secreta.”

O Erro de Narciso – Louis Lavelle

By Carl Jung Sincero

(creditos ao amigo Rodrigo Diniz)

(

Por onde passa a experiência de escutar..

A gente fica triste e ou mesmo chateado quando há um “desentendimento” na experiência de troca com o outro, com nossos afetos mais queridos. Recordo de um professor do MBA dizendo que às vezes nossos entendimentos percorrem uma linha paralela aos do outro. E linhas paralelas nunca se encontram.

Escutar hoje em dia, em meio à cultura do rápido, da conhecença rasa tornou-se um desafio gigante.

O ato de sair da caverna, de escutar o outro pressupõe consciência, pressupõe um querer valioso, pressupõe abrir minha de estar sempre certo e cheio de razões.

Vamos combater a tristeza pelo caminho do conhecimento. “O conhecimento é o único bem verdadeiro que temos”, segundo Espinosa.

O ato de escutar pode ser transformador… o vídeo abaixo pode colaborar com essas reflexões.

Gosto muito do texto do  ESCUTATÓRIA (por Rubem Alves) sobre esse tema. Transcrevo aqui:

“A mente e os pensamentos, por vezes, entram em estado de puro alvoroço. Por um motivo ou outro. Ou mesmo por motivo nenhum. Esse texto do Rubem Alves pode ajudar. Ele nos convida a um reposicionamento de imediato. Uma maior calmaria para alma. Como se fosse uma atualização de “setup” do modo “ouvir”.

Compartilho contigo e espero que também curta e encontre elementos de valor. Leia com calma, sem pressa, desfrutando das palavras.

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise…) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada…“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós – como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a ideia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto… “

Rubem Alves, do Livro, (O amor que acende a lua, pág. 65.)

Patrocínio: www.pothum.com.br

Prometo (Maria)

Gugelhupf, Cake, Bowl Cake, Pot Pie

Se eu pudesse te mandaria um bolo de côco.
Côco daquele original, da Bahia.
Tão gostoso, que vai lhe fazer esquecer teus revezes….
“Rapidinho. Com jeitinho!
Vai sem cartão, sem aviso, sem recado mesmo.
Mas saberás… que fui eu.
Disso não terás dúvidas, afirmo.
Fico de cá torcendo.. pra que ele te encha a alma.
De sabor… de humor…
De delicadezas sublimes inerentes aos bons.
Prometo… irás degustar cada um dos ingredientes,
Sutis que sejam.
E tanto quanto eu…
Divertidamente…
As passagens simples da vida carregam esse dom…
De nos quebrar por dentro….. fazer brotar sentimentos.
Rirás muito, talvez até a barriga doer.
Hoje, amanhã e sempre….
Porque rir, já disseram, é um santo remédio..
E com um bolo desse…. Ahhh se não cura!

Maria

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IA – o futuro passa por ai…

A série “Black Mirror” apresenta episódios imperdíveis, pra não dizer pertubadores. Estimula reflexões importantes sobre vários dilemas alusivos ao uso das tecnologias substituindo ou reposicionando as habilidades humanas, e seus riscos e perigos. São verdadeiros exercícios mentais de ordem prospectiva que apresentam elementos formidáveis para conceber futuros. Pensar o futuro, literalmente.

Vr, Virtual, Virtual Reality, Technology
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Os desafios que o desenvolvimento tecnológico têm despertado são adimensionais. Há pouco tempo escrevi uma postagem – O que você anda fazendo nas redes – com a intenção de iluminar alguns riscos no uso indiscriminado das redes. Infelizmente a maioria de nós não se imagina como vítima de ataques e problemas digitais. É preemente ampliar a atenção para esse tema.

Um dos autores mais lidos da atualidade, o israelense Yuval Noah Harari – autor de best-sellers internacionais – esteve no Brasil recentemente apresentando suas ideias sobre temas relevantes, e este é um deles. Suas falas e textos reforçam sobremaneira aspectos relacionados à mudanças na vida dos indivíduos e a necessidade de estar melhor preparados para tal. Essa frase dele, do último livro nos convida a pensar:

Em 2018 a pessoa comum sente-se cada vez mais irrelevante. Um monte de palavras misteriosas são despejadas freneticamente em TED Talks, think tanks governamentais e conferências de alta tecnologia — globalização, blockchain, engenharia genética, inteligência artificial, aprendizado de máquina —, e as pessoas comuns bem podem suspeitar que nenhuma dessas palavras tem a ver com elas. A narrativa liberal era sobre pessoas comuns. Como ela pode continuar a ser relevante num mundo de ciborgues e algoritmos em rede? ”

Yuval Noah

A inteligência artificial já é uma realidade. Promove evoluções brilhantes e necessárias à sociedade. Cito, por exemplo, um dos lados positivos: uma pesquisa realizada pela consultoria americana DuckerFrontier (a pedido da Microsoft) e publicada pela “The Shift”, que menciona que o uso da IA (Inteligência artificial) em vários setores da economia pode promover crescimento (CAGR) do PIB – Produto interno bruto, para 7,1% ao ano, até 2030. Entretanto, é inegável a diversidade de propósitos e finalidades com a sua utilização. É sobre o bem e o mal.

A dominação de indivíduos por meio da tecnologia, em vários aspectos da vida, seja na influência velada para o consumo, seja na interferência para tomada de decisões de carreira, e outras, acende sinais de alerta. Fazer frente a essas questões pressupõe ampliar conhecimentos, mergulhar profundamente no entendimento de quem somos, sobre nossas reais necessidades e sobre o contexto em meio aos “aparatos” todos. (algoritmos, robôs, neuromarketing, etc).

A série que comentei no início dessa postagem pode ser um caminho divertido e prático para essa ampliação de consciência sobre o assunto e para elaboração mental de novas visões a respeito. Proponho esse dever de casa… rs. Se topar, compartilhe comigo suas elaborações, reflexões a respeito. Vou gostar.

Até sempre,

Da

Thinker, At A Loss, Consider, Play
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“Embora os desafios não tenham precedentes, e as discordâncias sejam intensas, o gênero humano pode se mostrar à altura do momento se mantivermos nossos temores sob controle e formos um pouco mais humildes quanto a nossas opiniões. “

Yuval Noah

Sozinho, não há.

Em determinado momento pensei que ela fosse desabar, desmanchar-se em prantos. Embora estivesse na “tpm” e mencionasse a sensibilidade aflorada, segurou o desconforto de forma valente. Sim, me pareceu engolir em seco algumas vezes, sinal de que todo aquele mergulho interno promovia repercussões internas, as mais diversas.

E, afinal, esse era o objetivo. Um grupo de amigas e amigas das amigas, realizando uma mentoria coletiva. Esta é uma prática valiosa ao desenvolvimento humano e de negócios., mas há que se registrar a potencial turbulência, principalmente àquelas pessoas que estão verdadeirametne abertas e se deixam perscrutar.

Ahhhh!!! Processo belíssimo! De ver brotar insights, dificuldades, oportunidades e o melhor, perspectivas!!

Estivemos juntas, ao longo de ininterruptas três horas e meia. Um tempo que parecia passar difernte daquele do relógio. Penso que pelo prazer da colaboração e das interações de toda ordem. Um verdadeiro pout-pourri de elementos entrelaçados: visões, sentimentos, percepções, e pensamentos críticos. Tudo junto e misturado com muito afeto e respeito humano.

O valor de experiências coletivas nesse nível, com conexões genuínas e verdadeiras é inexprimível. A gente fica muito melhor a partir do olhar do outro. Sozinho, não há “jogo”.

Stadium, Football, Viewers
From pixabay –

“Há tantas coisas que não sabemos que não sabemos, que ignoramos a respeito de nós mesmos, coisas que fazemos automaticamente, como se seguíssemos determinado programa executado em nossas mentes. Coisas em nós mesmos que requerem olhar para o outro para nos vermos de verdade, e o que a gente acaba descobrindo na imagem refletida pode ser muito bom ou muito difícil, mas acho que o resultado compensa.”

Cavalcanti, Sérgio. Sorte na vida . Editora Morena. Edição do Kindle.

Sobre o que você mudou de opinião recentemente? (Filipe D.Nunes)

Nov 7 · 7 min read

Ouvi essa pergunta no Tim Ferriss Show e fiquei intrigado. Peguei um papel e comecei a rascunhar algumas respostas. Não é uma pergunta fácil de se responder sem tirar alguns minutos para pensar. Mesmo quando você pensa em algo, não é imediatamente claro o que te fez mudar de opinião e nem quando a mudança aconteceu.

Mr. Ferriss é criterioso com suas perguntas, sempre escolhendo uma construção que ajude o entrevistado a pensar e responder. Nesse caso, ele assumiu que mudar de opinião é algo desejável, não perguntando se o entrevistado tinha, de fato, mudado de opinião sobre algo.

Minha intuição diz que ele está certo.


Por que mudar de opinião é algo desejável?

Embora minha primeira reação tenha sido que sim, ter a capacidade de mudar de opinião é desejável, as razões só ficaram claras quando coloquei as ideias no papel. Cheguei à seguinte conclusão:

A capacidade de mudar de opinião influencia a capacidade de se viver plenamente.

Ãn? Como assim?

Minha lógica é a seguinte…

Meu objetivo é viver a vida até a última gota. Extrair o máximo possível de vida do tempo que tenho no planeta azul. Na vida existem coisas que controlo e coisas que não controlo. A abordagem deveria ser me adaptar ao que não controlo e gerenciar da melhor forma possível o que está ao meu alcance. Meu sucesso em fazer isso aumenta proporcionalmente à qualidade de minhas decisões. Decisões influenciam valores, hábitos, identidade, uso do tempo.

Para tomar melhores decisões preciso enxergar o mundo como ele é e não como gostaria que ele fosse — idealmente não confundindo o mapa com o território. Se o mundo muda, preciso continuar aprendendo, me adaptando, o que pressupõe um intake de novas informações e conceitos, e uma adaptação de métodos, frameworks e mapas mentais. À medida que tenho novos inputs, atualizo minha visão de mundo e tomo a melhor decisão possível naquele momento. Se isso significa mudar de opinião sobre algo, que seja! Se levo em consideração o que tenho ao meu dispor, e tomo a melhor decisão possível, opiniões passadas deveriam ser irrelevantes. Não?

“Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. O que você faz, sir?”
– Frequentemente atribuída a John Maynard Keynes

Se essa lógica é válida, mudar de opinião deveria ser algo comum, mas não vemos isso com frequência — incluindo em nós mesmos.

Na verdade é mais complicado que isso.


Por que mudar de opinião pode ser difícil?

A natureza humana e o mundo atual muitas vezes jogam contra nós.

1. Não pensamos para decidir, pensamos para justificar nossa decisão

Apesar de pensarmos que tomamos decisões racionalmente, com base em fatos, análises e ponderações, pesquisas mostram que, quando abordamos assuntos relacionados à moralidade, tomamos decisões emocionalmente e instintivamente, usando a parte automática do cérebro. Somente, em seguida, utilizamos a parte racional, não para decidir mas para justificar a decisão já tomada.

Jonathan Haidt aborda esse mecanismo contra-intuitivo em “The Righteous Mind”“Pensamos moralmente não para reconstruir as razões pelas quais nós mesmos chegamos a um juízo; pensamos para achar as melhores razões possíveis para que outros se juntem a nós em nosso juízo.”

Nossa intuição vem primeiro, depois nosso racional. O rabo abana o cachorro. Ou seja, se queremos mudar a opinião de alguém, inclusive a nossa, precisamos chegar ao emocional de alguma forma e não somente usar o racional. Isso explica em parte a dificuldade de colocar aquela lógica ali de cima em prática.

2. Vivemos em bolhas de informação que confirmam nossas opiniões

Somos atraídos por pessoas que se parecem conosco. Inconscientemente. São mais relacionáveis, o contato parece ter menos risco de rejeição. É mais provável que essas pessoas tenham opiniões parecidas às nossas. Quando nossas opiniões são confirmadas, ficamos mais seguros e confiantes que essa é a melhor opção. Quanto mais seguros estamos, menos buscamos opiniões divergentes. De repente estamos vivendo numa bolha com viés confirmatório.

Essas bolhas de informação podem se formar naturalmente ou serem potencializadas pela tecnologia. Se os algorítimos do Google e Facebook querem otimizar nossas buscas levando em consideração buscas anteriores, localização, comportamento de clicks na web, etc., nossos resultados sob medida não necessariamente trazem um mix diverso e extrapolável de páginas com posições diferentes sobre determinado tópico.

[Existem estudos contraditórios sobre os efeitos de mídias sociais e sites de busca na potencialização dessas bolhas e consequente polarização. Mas mesmo se acessamos sites diretamente, por exemplo, de política. Se sou de esquerda, a tendência é que navegue em sites de direita tão frequentemente quanto nos de esquerda, pra calibrar minhas impressões? Acho que não.]

Opiniões confirmadas são opiniões enraizadas. Opiniões enraizadas, por definição, são menos passíveis de mudança/atualização.

3. Opiniões passam a fazer parte da identidade

Algumas opiniões, reforçadas ao longo do tempo, passam a fazer parte de nossa identidade. Isso é particularmente verdade se essas opiniões forem compartilhadas publicamente.

Se você fala para todos seus amigos, conhecidos e colegas que você é vegano, argumenta sobre a necessidade de se mudar nossa relação com os animais, fazendo vídeos sobre o tópico, é menos provável que você leia artigos científicos que abordem os potenciais downsides nutricionais do veganismo, mesmo que eles sejam cientificamente confiáveis. É mais provável que você não queira ouvir os argumentos de alguém que seja 100% carnívoro. Não porque você é uma má pessoa, mas porque esse rótulo está tão enraizado em quem você é, que você inconscientemente rejeita quem não concorde com você. (E quando eu falo você, quero dizer nós)

Defendemos quem somos com unhas e dentes. Queremos ser consistentes com a forma que vivemos até então. Mudar é desconfortável e o instinto de defender nossa identidade turva nossa capacidade de buscar ativamente e avaliar racionalmente novos pontos de vista.

Opiniões enraizadas podem se tornar parte de nossa identidade e mudar nossa identidade é desconfortável.

4. Excesso de confiança é recompensado

Políticos que mudam de opinião sobre um determinado assunto são vistos como “vira-casaca” ou são acusados de negociar influência. Gerentes de empresas que mudam de opinião sobre uma estratégia de mercado perdem credibilidade com o time, especialmente quando o trabalho feito até ali vai ter que ser refeito. “Ele não sabe o que quer!”

O mundo é probabilístico. Existem graus de certeza e incerteza sobre qualquer posição que tenhamos, mas raramente vemos alguém falando: “Tenho 60% de confiança que nossa estratégia vai dar certo. Não é o ideal, mas é o melhor que temos nesse momento.” Não soa convincente, não empolga o time, não sai bem no vídeo. Mudar de opinião e dizer que estava errado menos ainda.

O mundo é probabilístico mas percepção é realidade. Na maioria das vezes parece ser melhor projetar confiança omitindo riscos do que comunicar a incerteza sendo totalmente sincero.

O candidato bem articulado e pouco lógico é mais bem recebido do que o candidato menos articulado e super lógico. O líder confiante fez o dever de casa, sabe onde quer chegar e inspira seus seguidores. Confiança recompensada. E o que é recompensado é repetido.

Triste, mas real. [Minha percepção de mundo está muito pessimista aqui?]

5. Dá trabalho

Precisamos de capacidade mental para “escapar do tigre e caçar o jantar”, então automatizamos o que for possível. Nossos hábitos são formados para isso e se construímos uma opinião sobre algo, é mais fácil manter essa opinião do que reavaliá-la a todo momento.

Normalmente temos opiniões fortes sobre assuntos polêmicos. Assuntos polêmicos normalmente são complexos e discutir assuntos complexos requer tempo, disposição, e lucidez.

  • Tempo para definirmos os elementos de construção sobre os quais nossa opinião se apoia. Muitas vezes partimos de conceitos diferentes. Digamos que sou a favor da legalização das drogas. Não faz sentido discutir os prós e contras sem antes definir o que significa legalizar e de quais drogas estamos falando. Palavras podem significar coisas diferentes para pessoas diferentes e sem estabelecer um terreno comum a discussão se transforma numa competição de quem fala mais alto. Uma entrevista de 5 minutos na TV não é suficiente para argumentar sobre um assunto complexo. Um dos motivos que formas de mídia mais longas (e.g. podcasts) estão cada vez mais relevantes. Mais complexidade = maior o tempo necessário para a discussão.
  • Disposição para engajar e ouvir outros pontos de vista. Digo disposição porque é preciso investir energia para controlar nosso instinto. Nosso instinto é ouvir para contra-atacar. Para evitar que isso aconteça, precisamos engajar ativamente com o intuito de entender a lógica do argumento e a validade de novas informações. É uma prática constante. Lembrar que o objetivo é sair conjuntamente com a melhor opinião possível e não “vencer a discussão” pode ajudar. Mais forte nossa opinião = mais difícil de controlar nosso instinto.
  • Lucidez para entender que assuntos complexos são complexos por um motivo (por vários, na realidade!) e que provavelmente não existe uma opção claramente melhor – uma bala de prata que funcione para todos, em todos os lugares, sempre. O objetivo deveria ser promover o diálogo, testar nossas hipóteses e refinar nossas posições.

“Eu nunca me permito ter uma opinião sobre qualquer coisa antes de saber os argumentos de minha contraparte melhor que do que ela.”
— Charlie Munger

Não precisamos chegar ao nível de Munger, mas podemos caminhar direcionalmente a ele. Dá trabalho! 😁


Dito tudo isso, o objetivo de se viver a vida ao máximo continua. Chego a conclusão de que tomar melhores decisões passa:
1) Pela busca ativa de opiniões divergentes e outras visões de mundo
2) Por reconhecer nossos instintos e aprender a conviver com eles

Calibrar nossas opiniões e refinar nossa visão de mundo toma tempo e é desconfortável no curto prazo, mas dada sua alavancagem e seu efeito acumulativo, no longo prazo, a conta parece fechar com folga.

Quando ouvi a pergunta no podcast não imaginei que viria parar aqui. Acho que acabei refinando minha opinião sobre ter opiniões. (ba-dum ching!)

E você? Sobre o que você mudou de opinião recentemente?


Resumo

Por que mudar de opinião é algo desejável?

A capacidade de mudar de opinião influencia a capacidade de se viver plenamente.

Por que mudar de opinião pode ser difícil?

A natureza humana e o mundo atual muitas vezes jogam contra nós.

1. Não pensamos para decidir, pensamos para justificar nossa decisão
2.
 Vivemos em bolhas de informação que confirmam nossas opiniões
3. Opiniões passam a fazer parte da identidade
4. Excesso de confiança é recompensado
5. Dá trabalho

Ainda assim vale a pena!

Filipe Dutra Nunes

WRITTEN BY

Filipe Dutra Nunes

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Lindaaaaa!

Intencionalmente entrei na organização contando os passos e olhando a fisionomia das pessoas: seus olhares e suas expressões. Fui desenhando mentalmente uma fotografia viva e coletiva. Este “retrato”, normalmente, me diz muito dado que sou uma observadora interessada na “humanidade”. rs

Naquele curto trajeto alguns poucos responderam aos meus estímulos e cumprimentos básicos, outros sequer olharam nos meus olhos. Tenho aprendido que um conjunto de seres contam muito sobre a cultura do lugar e do grupo do qual pertencem. Expressões, gestos, comportamentos e ações representam bem a comunidade, a forma de serem “juntos”.

Não localizei o fotógrafo para os devidos créditos (from pinterest)

Uma negra linda de cabelos coloridos respondeu-me com um sorriso genuíno quando fiz menção de sua beleza extravagante. Tive vontade de fotografá-la. (adoro fotografia), não somente pela beleza física, mas pelo que transmitia. Forte e leve ao mesmo tempo. Segura de si. Tem gente que é assim, naturalmente radiante. Comove. Manifesta-se no mundo. Tem aqueles que simplesmente sobrevivem a ele. Mortos indigentes vivos. Perambulando por ai.

É uma arte a forma como cada um escolhe e “consegue” viver. Saborear, desfrutar, ou morrer um pouco a cada dia.

Bjo,

Darlene

O que é angústia?

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Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida, pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra de que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria – o que é também uma forma de angústia.

Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar.

Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem suficiente de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai.

Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda.

Clarice Lispector

Desesperar jamais…

Ontem, por um aplicativo de mensagem, uma grande amiga de Minas me perguntou há quanto tempo estou lidando com essa situação. Foram-se dois anos e meio ou mais. Perdi a conta! Dependendo do contexto, da circunstância, dois anos pode ser considerado “pouco”. Não pra mim. Neste inacabável período, convivi com o desconhecido, incertezas, com vários momentos de frustração e desânimos que beiravam a apatia. Relembro esforços inúteis na investigação de uma dor persistente e chata. Na verdade, muuuita dor. Limitante.

Enveredei por várias especialidades médicas, clínicas e exames. Ingeri medicamentos fortes pra ‘segurar a onda’ quando o mar estava revolto!! Verdadeiros “sossega leões” que me levaram, inclusive, até a Califórnia. Senti alguns dos seus efeitos colaterais no estômago e nos tufos de fios de cabelos ao chão, rs… (Um parênteses aqui ao mencionar o impacto para as mulheres, quando se trata de “cabelos”). rsss, Também não faltaram as inúmeras sessões de acupuntura e fisioterapia!!

No meio do imbróglio projetos e planos foram desviados para “o oxigênio” – termo que uso pra designar o “ponto de espera”. Aprendi com Motomura, um dos meus educadores. Resignei-me, repensei direções, desenhei e agi com passos novos, diria, adaptados. Tudo para lidar com o suposto “fracasso” frente a um “bicho desconhecido”. Confesso que tive dúvidas sobre a possível retomada dessas iniciativas.

Como “consultora de desenvolvimento executivo e de profissionais de gestão”, sempre compartilhei o conceito de “RESILIÊNCIA”, o que de forma simples e pelas minhas palavras é dar a volta por cima o mais rapidamente possível, independente do que houvesse acontecido. O lapso temporal de retomada significa o grau de resiliência atingido. Fracassos são úteis sim, mas podem ser breves. Pensava comigo mesmo: preciso segurar a onda e levantar a cabeça. Hora dessas isso se resolve.

À medida que o tempo passava e não apresentavam-se soluções ou uma maior clareza da origem, muitas dúvidas sobre o futuro me acompanhavam. Afinal, não sou mais nenhuma jovenzinha. rs.

Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar – a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas.

Por Clarice Lispector

No decorrer desse processo cheguei a ganhar uma trégua. Alguns meses e uma esperança fez crescer a expectativa de que aquilo, o que quer que fosse, pudesse ter acabado. Infelizmente foi só um pequeno fôlego. Daí a pouco, o “monstrinho” voltou, e eu reiniciei a pesquisa. Essa frase representa bem o meu espírito naquele ponto: “é o que temos para hoje”.

Reflexões que estiveram comigo no percurso: Como segurar a ansiedade, a tristeza ou o desânimo nas antessalas diversas? Como manter o equilíbrio? Como cultivar a paciência e aliviar o cansaço na busca? Como desviar os pensamentos de “planos improváveis”? O que posso fazer com tudo isso? O que escolho fazer?

Quando meu olhar percorreu o vivido e analisei a forma como reagi a tudo me reconheci “na luta”. Algumas vezes só, outras vezes em boa companhia. Me reconheci na persistência e na teimosia em lidar com algo inquietante. Conversas com amigos que conviveram com sintomas similares me acordaram para alguns novos aspectos. Vestida de uma determinação atroz abri mais uma frente sem saber muito bem como iria terminar. Marquei com um profissional indicado por uma amiga-irmã. Lá fui eu. Novo “round”.

Não me canso de repetir: quanta gente boa tem no meu caminho, caaaaaraaaaaa!!! Com calma e impressionante experiência o doutor começou analisar a minha história, relatos, exames novos e antigos. Observou o caminho percorrido e reconheceu os excelentes profissionais pelos quais eu havia passado. Acessou tudo, inclusive laudos confusos e por vezes contraditórios, com uma tranquilidade de quem sabe o que está fazendo.

Estar nessa posição é desafiador e ao mesmo tempo, admirável. Significa ficar diante de um painel com inúmeros dados e informações e achar significados em tudo aquilo. Prá mim, uma leiga, isso me pareceu grande. Grande não, imenso. Afinal, a dor era minha. Só eu sabia seu porte e suas entranhas.

Enfim, ele diagnosticou uma situação um tanto incomum no meu quadro clínico e penso que sua experiência, competência e anos de estrada falaram alto. Pós centro-cirurgico, a dor, aquela antiga companheira das noites adentro, emudeceu-se. Ele extirpou aquilo!! Sem palavras!! (no words). Serei-lhe eternamente grata por me devolver perspectivas de vida!!! A ele e à sua equipe.

Por ser um médico desprovido de vaidade, diferente de muitos que conheço, fiquei na dúvida se ele gostaria de ser nomeado aqui. Dessa feita, optei por não fazê-lo.

Alguns daqueles planos do oxigênio começaram a ficar mais próximos!!! Possibilidades se desenham e vão fazer brilhar o meu caminho!!… eba!!

Lembrei da música do Ivan Lins e Vitor Martins, da década de 70: Desesperar jamais. Ela não deixa de ser um alento, um chamado à resiliência, paciência e persistência.

Tudo, de um jeito ou de outro, encontra seu caminho, encontra seu lugar. O que é seu é pra viver.

BJo

Segue a Letra e link com a música

Desesperar Jamais

Desesperar Jamais
Aprendemos muito nestes anos.
Afinal de contas, não tem cabimento.
Entregar o jogo no primeiro tempo.
Nada de correr da raia, nada de morrer na praia.
Nada, nada, nada de esquecer.
Do balanço de perdas e danos.
Já tivemos muitos desenganos.
Já tivemos muito que chorar.
Mas agora acho que chegou a hora de fazer valer o dito popular.
Desesperar, jamais.
Aprendemos muito nestes anos.
Afinal de contas, não tem cabimento. Entregar o jogo no primeiro tempo.
Nada de correr da raia, nada de morrer na praia.
Nada, nada, nada de esquecer.
Do balanço de perdas e danos.
Já tivemos muitos desenganos.
Já tivemos muito que chorar.
Mas…

“A arte de perder apesar de parecer desastre”

Uma arte (por Elizabeth Bishop)

Não é tão difícil dominar a arte de perder;
tanta coisa parece preenchida pela intenção de ser perdida
que sua perda não é nenhum desastre.

Perca alguma coisa todo dia.
Aceite a novela das chaves perdidas, a hora desperdiçada,
aprender a arte de perder não é nada.

Exercite-se perdendo mais, mais rápido:
lugares, e nomes e… para onde mesmo você ia viajar?
Nenhum desastre…

Perdi o relógio de minha mãe.
E olha, minha última e minha penúltima casas ficaram para trás.
Não é difícil dominar a arte de perder.

Perdi duas cidades, adoráveis.
E, mais ainda, alguns domínios, propriedades, dois rios, um continente.
Sinto sua falta, mas não foi um desastre.

– Até mesmo perder você
(a voz gozada, o gesto que eu amava) eu não posso mentir.
É claro que não é tão difícil dominar
a arte de perder apesar de parecer (pode Escrever!) desastre.

Por mais mãos como estas…

Olhava aquela lâmpada branca enorme no teto enquanto ouvia atenta as conversas na sala 14 do centro cirúrgico sobre a adequada distribuição dos equipamentos. Eles não estavam dispostos como o anestesista recomendara por mais de uma vez. A equipe trabalhava na sua movimentação visando atender o pedido.

from pixabay

Ele, o anestesista, dizia: vocês sabem sobre ergonomia? O tempo todo mostrava-se direto, franco e ao mesmo tempo educador. O ambiente estava gelado e eu, por mais que tentasse gerenciar os pensamentos, sentia frio e medo. Não sei dizer qual era o maior. rs… Algumas lembranças de seriados de hospitais visitavam minha mente. Deveriam permanecer esquecidos, seria mais fácil lidar com tudo aquilo.

Meu corpo tremia quando uma médica neurofisiologista, P., aproximou-se de mim e ao se apresentar segurou gentilmente minhas mãos entre as dela, parecendo adivinhar o tamanho da minha ansiedade. Quebrou o “gelo” ao mencionar que as dela estavam ainda mais frias que as minhas, dado o ar condicionado congelante.

Evoluíram-se as conversas e a disposição da sala foi sendo adaptada em conformidade com os pedidos e orientação do médico. Aos poucos, os equipamentos foram sendo conectados às minhas pernas, braços e tronco.

Ajustes e apontamentos ainda soavam pela voz do anestesista. Não me escapou a chamada de atenção a uma das pessoas que no canto da sala, acessava o celular. Ele fazia isso de forma educada e cortes, mas absolutamente direto e claro, o que poderia sugerir uma certa prepotência. Esta conduta talvez causasse estranheza a muitas pessoas habituadas a cultura latina (tema para outra postagem), mas não a mim. Após estudar e lidar com equipes por algumas décadas profissionalmente, reconhecia na atuação dele a pertinência exigida para a ocasião. Ele estabelecia, calma e firmemente, a autoridade necessária. E isto, por incrível que possa parecer, me tranquilizava e me gerava confiança. Para mim ele estava garantindo a minha segurança. Eram cuidados detalhados para que tudo desse certo.

Recordei-me de muitas situações profissionais e quantos esforços eram necessários para que todos cumprissem o acordado, para que tudo saísse como planejado e de forma adequada. A conhecida “eficiência” no ambiente de trabalho. Naquela sala 14 eu compreendia, dentro do meu âmbito restrito de conhecimentos, as dificuldades e riscos inerentes a esse procedimento, a expectativa em relação aos resultados esperados principalmente em se tratando de vida.

Ao conectar os equipamentos P. consultou de forma equilibrante e agradável qual dos meus braços deveria utilizar. Novamente se achegou e pegou nas minhas mãos. Pra mim era como se me entregasse a seguinte mensagem: “vai ficar tudo bem”. Ela postava harmonia ao lugar.

Recordei de um momento em Minas quando recebi uma pessoa incrível, uma jornalista de reconhecido gabarito, para ministrar um curso pelo Instituto POTHUM. Organizei tudo com a devida antecedência: local, logistica, matrículas, comunicações e o comparecimento foi especial. A sala estava repleta de muita “gente boa”, como dizemos no interior: professores, médico psiquiatra, médico neonatologista, médico anestesista, psicólogos, jornalistas, autores, mães, consultores, entre outros. No decorrer da aula nossa querida professora não sentiu-se bem. Um desconforto lhe acometera de súbito. E como nada ocorre por acaso um dos médicos presentes foi providente. Ao perceber a gravidade imediatamente orientou que fôssemos ao hospital.

Nos momentos de atendimento no pronto socorro lembro-me de colocar uma blusa dobrada para ajeitar sua cabeça e de segurar-lhe a mão. Pensava comigo que não poderia deixá-la sentir-se só. Ela só tinha a mim naquele momento, numa cidade que visitava pela primeira vez e precisava ter a segurança de estar amparada, cuidada. A vida tratou de nos aproximar e nos vinculamos afetivamente!

Nunca esqueci da manifestação dela, tempos depois, sobre como aquele meu gesto havia sido importante naquele delicado momento.

“A vida é feita de travessias e metáforas. E enfrentá-las é também um exercício diário de intensidade e de coragem.” Cris Guerra

Enfim, o universo respondeu-me por meio da inexorável lei de correspondência oferecendo-me de presente o mesmo conforto pelas mãos de uma doutora.

Hoje posso afirmar que entendo ainda mais sobre confortar.

Imagino quantas e quantas reverências humanas dessa estirpe são praticadas todos os dias em vários contextos!! Sempre penso sobre a enormidade de pessoas boas que cruzam o meu caminho e como tenho gratidão por isto!! Há muito ser humano de bem por ai.

A luz branca do centro cirúrgico já não estava tão clara. Respirando o oxigênio, calma e profundamente, … apaguei.

P.S – Extras

Ergonomia, segundo http://www.significados.com.br

Ergonomia consiste no conjunto de disciplinas que estuda a organização do trabalho no qual existem interações entre seres humanos e máquinas. Este termo se originou a partir do grego ergon, que significa “trabalho”, e nomos, que quer dizer “leis ou normas”. O principal objetivo da ergonomia é desenvolver e aplicar técnicas de adaptação de elementos do ambiente de trabalho ao ser humano, com o objetivo de gerar o bem-estar do trabalhador e consequentemente aumentar a sua produtividade.

Nado!

“Tinha vantagens não saber do inconsciente, vinha tudo de fora, maus pensamentos, sensações, desejos. Contudo ficar sabendo foi melhor, estou mais densa, tenho âncora, paro em pé por mais tempo. De vez em quando ainda fico oca, o corpo hostil e Deus bravo. Passa logo. Como um pato sabe nadar sem saber, sei sabendo que, se for preciso, na hora H nado com desenvoltura. Guardo sabedorias no almoxarifado.”

Adélia Prado

Sobre Liderança Holística…

Compartilho com você um artigo escrito por Luah e Danilo do Walk & Talk Brasil .  sobre uma nova visão do papel da liderança nos tempos atuais –  a tão necessária liderança holística.  Fiquei feliz em contribuir nesse tema, que gosto muito!!!

Transcrevo o artigo, na íntegra,  do site EXAME:
http://exame.abril.com.br/blog/o-que-te-motiva/lideranca-holistica/

O mundo está mudando para um cenário cada vez mais autêntico e múltiplo. Vivemos a era da macromudança.

E a liderança, como fica diante dessa transição?

Por Danilo e Luahaccess_time29 ago 2017, 08h20

(Rawpixel.com/EXAME.com)

O mundo está mudando, rumando para um cenário cada vez mais autêntico e múltiplo – diferente de todas as épocas anteriores. Como diz o filósofo, cientista interdisciplinar e prêmio Nobel da Paz Ervin Laszlo em seu livro “Um Salto Quântico no Cérebro Global”:

“Defrontamo-nos com uma nova realidade, tanto individual como coletivamente. A mudança se dá porque o mundo humano tornou-se instável e não mais sustentável. Mas a revolução da realidade abriga uma oportunidade única: essa é a primeira década da história que nos oferece a escolha entre ser a última de um mundo desvanecente e obsoleto, ou a primeira década de um mundo novo e viável. A realidade emergente é radicalmente nova, intrinsecamente surpreendente e anteriormente imprevista. Vivemos a era da macromudança.”

O livro, excelente por sinal, é um tratado sobre os tempos modernos e os papéis da economia, política e da sociedade frente ao novo contexto. Diante desse cenário tão disruptivo, escolhi conversar sobre o papel da liderança, que acredito, também deva romper com paradigmas obsoletos e avançar para um formato mais autêntico.

Mas afinal, quais os contornos da nova da liderança? Vamos tatear juntos?

Vejo no horizonte uma nova onda se formando, acredito que o foco da liderança, hoje em gestão de pessoas, vai começar a dividir o palco com a gestão holística. É isso aí, a “liderança holística” começa ganhar espaço em estudos, metodologias e novas ferramentas de governança.

O interessante é que muita gente ainda trata o holismo com um certo preconceito, atribuindo a tudo que é “holístico” falsas percepções. Legal então definirmos o termo antes de seguir: A palavra holístico foi criada a partir do termo “holos”, que em grego significa “todo” ou “inteiro”. Já o conceito holismo foi criado por Jan Christiaan Smuts em 1926, que o descreveu como a “tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um “todo” que é maior do que a soma das suas partes.”Já a visão holística é a visão global, oposta à lógica mecanicista que é compartimentada, causando a perda da visão total.

Abro novas aspas para Ervin Laszlo: “Chegou a hora de mais uma mudança: de uma civilização de Logos (Razão) para uma civilização de Holos (Todo).

Atingir uma civilização de Holos significa passar por uma transformação que é única na História, mas que é mais rápida do que qualquer transformação que tenha ocorrido no passado. Por causa da velocidade com a qual a macromudança global de hoje está se desenvolvendo, muitas pessoas não conseguem acompanhar essas transformações: para eles, uma civilização de Holos parece utópica. No entanto, há pessoas para quem a cultura holística já é norma. E há muito mais dessas pessoas do que podemos imaginar.”

Uma vez que o holismo está alinhado à uma visão global e sistêmica, a liderança holística é a promessa de um modelo mais autêntico e integral, com olhos no futuro e nos desdobramentos da macromudança. Pedi reforço com o tema e entrevistei a consultora Darlene Dutra – diretora do Instituto POTHUM e idealizadora dos Programas 4TOUCH, TI Talento e SOS Liderança.

A primeira coisa interessante a citar é que quando trago a palavra liderança, gostaria de ampliar o foco para além dos líderes corporativos ou políticos, e Darlene me ajuda nessa expansão, contextualizando os líderes e a liderança dos novos tempos:

“Líderes não são apenas aqueles em posição de gerência, coordenação, supervisão ou chefia, mas todos que de alguma forma, seja através do conhecimento, da atitude ou forma de ser, lideram pessoas, ideias e atividades.

A liderança está em uma importante fase de transição. Hoje o acesso à informação foi amplificado, tornando a liderança mais exposta, e seu papel ainda mais desafiador. O aumento considerável da complexidade que envolve os tempos modernos – representada pela revolução tecnológica, globalização econômica, diversidade cultural, etc, convida a liderança a transcender as fronteiras de seu modelo tradicional e se reconstruir para atender essa nova realidade.”

E emenda “Nos novos tempos, os líderes são e serão ainda mais reconhecidos por seus princípios e valores – não negociáveis, e pela maior consciência de si e da missão que carregam. Holísticos por apresentarem uma visão muito mais ampla da organização ou do contexto em que estão inseridos, levam em consideração a interdependência entre os aspectos econômicos, humanos, sociais, ambientais e políticos. Suas decisões consideram variáveis que transcendem os negócios e efetivamente seus lucros, preocupam-se verdadeira e estrategicamente com a sustentabilidade social, ambiental e com os efeitos coletivos que promovem, tanto para essa geração quanto para as futuras. Estão atentos não somente aos resultados em si, mas como estes são obtidos.”

Fica fácil de perceber o alargamento de visão característico da liderança holística. Quando se amplia a conexão consigo e com o outro, a totalidade – característica primordial do holos – começa a se manifestar. A equipe passa a ser vista como um conjunto equânime onde todos tem seu valor e são interdependentes. Na visão holística, não existe uma área, parte ou grupo mais relevante, o que importa é o conjunto harmônico e o despertar do protagonismo de cada um dos envolvidos. Podemos comparar o líder holístico com um maestro que enxerga o todo e afina cada um de “seus instrumentos” para que toquem harmonicamente a melodia.

Questionei Darlene Dutra sobre quais são as características que estão presentes nos agentes dessa nova liderança. Achei mais prático distribuir as respostas em tópicos:

  • Uma das características mais relevantes é ser seu próprio exemplo. São primeiramente líderes de si mesmos.
  • Não basta parecer, é preciso SER.
  • A coerência entre o que se é e o que se pratica torna-se base fundamental.
  • Possuem uma maior consciência de suas próprias emoções e clareza sobre seus objetivos.
  • Atuam especialmente em causas e missões de interesses coletivos e não de interesses particulares.  
  • Tem o poder de articular e facilitar a realização das missões e propósitos que dirigem.  
  • São donos de uma visão crítica e de um grande senso de justiça. 
  • Os líderes para o agora e para o futuro tem o importante papel de inspirar os demais. Despertam nas pessoas o que elas tem de melhor, considerando suas necessidades e suas emoções.

Se você já exerce um papel de liderança, está em transição para cuidar de um time, pensa em se empreender ou até mesmo liderar melhor sua vida, vale a pena refletir sobre cada um dos pontos citados pela Darlene, eles ajudam na construção de uma gestão mais atual, inovadora e sistêmica.

Em todas as organizações, desde as mais simples como o lar, o bairro, uma associação, passando pelas pequenas empresas até as grandes corporações, a estrutura baseada no holos tem uma tendência mais assertiva para acompanhar as macromudanças já presentes em nossa sociedade e no mundo.

Laszlo comenta em seu livro: “A mudança de realidade que experimentamos hoje se refere à maneira como nos relacionamos uns com os outros, com a natureza e com o cosmos.” Portanto, todas as nossas interações também passam por um refinamento e a liderança não podia ficar de fora. Ela também reajusta sua rota, aprimorando a maneira de se relacionar com o outro e com o meio. Percebo também um aumento considerável de líderes buscando por caminhos de autoconhecimento e práticas relacionadas ao equilíbrio e harmonização, como Yoga, Mindfulness, Meditação, etc…, dividi essa minha observação com a Darlene e perguntei se ela considerava que os líderes praticantes desses caminhos geravam algum impacto em suas atividades profissionais.

Ela comenta que hoje existem inúmeras ferramentas, tecnologias e técnicas disponíveis para aqueles que desejam aprimorar-se. “O mergulho no “eu interior” pode sim fazer uma grande diferença, tanto ampliando a consciência sobre responsabilidades e oportunidades, como ajudando no desenvolvimento de novas capacidades. O autoconhecimento é uma alavanca sensacional, podendo conectar líderes à grandes objetivos de transformação”. E faz uma ressalva: “O simples fato de conhecer técnicas, não pressupõe seu alcance. É necessário um engajamento muito próprio e profundo afim de colocá-las em prática.”

Lembro aqui de uma curiosidade super interessante que descobrimos em nosso projeto Volta ao Mundo…

Quando passamos pelo sítio arqueológico de Tikal (Guatemala), descobrimos ao escalar a maior das pirâmides do complexo, que no topo da construção se encontrava uma plataforma quadrada de pedra coberta, com uma enorme “janela panorâmica” na frente. Perguntamos sobre a função daquela plataforma e nos contaram que era um local próprio para que o líder do clã Maia pudesse olhar a cidade como um todo (holos) e meditar sobre as decisões importantes a serem tomadas.

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E as descobertas seguiram adiante. Os descendentes dos governantes Maias ao nascer passavam por um processo de alargamento do crânio. Muitos citam que esse procedimento na região superior da cabeça e da testa tinha como finalidade aproximá-los ao formato da espiga de milho – alimento considerado sagrado pelos povos indígenas da América Central. Mas outra corrente conta que tal alargamento tinha como finalidade a abertura do terceiro olho, e assim, o despertar da intuição, da ampla visão, da consciência, enfim, do olhar holístico.

Acho que as descobertas na Guatemala são apenas um exemplo sobre esse anseio por uma visão mais consciente que o homem já buscou inúmeras vezes ao longo da História. E como conclui Laszlo no final de seu livro:

“A conexão entre uma mudança na consciência e uma mudança na civilização foi imaginada por diversas culturas nativas, incluindo a cultura dos Maias, Cherokees, Hopis, Incas, Mapuches, etc… É provável que a conquista da consciência transpessoal promova o progresso rumo a uma civilização baseada na empatia, na confiança, na solidariedade, uma civilização de Holos.” 

Que assim seja!

(Agradeço imensamente a Darlene Dutra pela contribuição.)

Por Luah Galvão

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Idealizadores do Walk and Talk, Luah Galvão e Danilo España, realizaram 3 projetos. O primeiro foi uma Volta ao Mundo por mais de 2 anos em que visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que Motiva pessoas das mais variadas raças, credos e culturas. O segundo foi caminhar os 800 km do Caminho de Compostela na Espanha, entrevistando peregrinos sobre o sentido da Superação. E recentemente voltaram da Expedição Perú, onde o sentido da resiliência foi a grande busca do casal. Agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos e histórias inspiradoras para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil.
Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br. Conheça também a página no Facebook.

perdas…

Tudo aconteceu há mais de trinta dias e durante todo esse tempo eu não tive coragem de lhe escrever embora tivesse vontade. Faltavam-me as palavras. Eu não sabia o que dizer nesta circunstância. Tinha certeza de que ele não estaria nada bem. Soube de sua enorme tristeza. Queria que ele soubesse que eu estaria ali à disposição, consternada por ele, pelo que houve, pela sua enorme perda. Os poucos momentos e oportunidades que tivemos juntos há alguns anos atrás foram suficientes para eu guardar um sentimento de afeto e carinho por ele.

Reuni as palavras e teclei enter.

” A morte nos ensina a transitoriedade de todas as coisas. ”
autor desconhecido

Eu me desmanchei ao receber como resposta uma linda e verdadeira declaração de amor. Parágrafos cheios de um sentimento nobre e genuíno. Frases de quem perdeu seu companheiro de forma abrupta e inusitada, de quem viu ir-se o amor da sua vida e o amigo fiel de décadas.

Ao ler aquela mensagem era como se eu estivesse sendo envolvida pela dor dele, pelo calor e sofrimento em cada pedaço de texto. Pensei: amigo, a saudade não pede licença, doi sim. Eu queria abraçá-lo e foi ele quem me abraçou.

Comovida senti meus olhos marejarem. Pensei no tão pouco que sabia da história deles, no que viveram, no companheirismo, no afeto e amor que tiveram juntos até a repentina separação. Acho que nessa breve troca de mensagens pude experimentar a empatia, cujo significado transcrevo resumidamente aqui: capacidade de sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. … A capacidade de se colocar no lugar do outro. (www.significados.com.br)

Preservo a sua identidade ao compartilhar alguns dos seus fragmentos vibrantes. Retratam a dimensão das duras perdas na vida:

“sinto um vazio enorme no peito e muita dor no meu coração. Eu perdi de uma só vez, de forma trágica e rápida, o meu amor e o meu melhor amigo. …

enquanto eu continuo nesse sofrimento, o mundo ao meu redor segue, o trãnsito continua, o telefone toca, as pessoas continuam tomando chopp na esquina, …


e de repente tudo ficou incoerente diante da dor lancinante que estou experimentando. …


vou ter que dar um jeito de amenizar essa dor dilacerante que não para de latejar no meu coração e na minha alma e dar espaço ao sentimento da falta dele, acompanhado das lembranças, do carinho e do amor que eu tive o privilégio de receber dele nesses trinta anos de convivência tão harmoniosa. …

Snifff.


Em tempos de amores líquidos, fulgazes e superficiais este é pra mim um exemplo de convivência, de forte vinculação afetiva, de companheirismo, de dedicação mútua e de amor.

Que seja uma inspiração também para aqueles que querem “viver”, “cultivar” sentimentos profundos e nobres.

Anelo que fique em paz e certo de ter experimentado a prerrogativa de uma das grandes construções da vida humana. Oportunidade de poucos. Você tem o meu respeito.

Sem mais…

Pare! É revista! Já passou por este procedimento antes?

Pela terceira vez consecutiva estava eu ali, os pés posicionados no tapete marcado com o gabarito, pernas afastadas e braços estendidos, no meio de algumas dezenas de passantes, sendo “apalpada” eu diria, de corpo inteiro. Uma cena estranha, carregada talvez com certo constrangimento, pra não dizer cômica. Era uma revista feminina no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Ocorre normalmente após a passagem pelo portal detector de metais e a pergunta que se ouve, depois de ser escolhida é sempre a mesma, a senhora conhece o procedimento? Já fez isto antes? Sim, sim, sim. Sim, eu já conhecia o procedimento e pensava comigo: já passei por isso recentemente. Mas, eu de novo? Caracaaaaa!!!

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A escolha é aleatória e definida pelo olhar discriminatório dos agentes de plantão. Antes de continuar, quero fazer um parênteses: outro dia li um relato pessoal (link ao final desse post) sobre uma “insólita (incomum) revista” em um aeroporto dos Estados Unidos, cujo motivador era nada mais nada menos que os tamanhos dos seios (grandes) da passante.

Ops .. é isso mesmo?? Pior que sim.

Olhei para os meus… Não me pareciam ser do mesmo estilo dos da referida americana (rs). Quais então seriam as razões para ser uma “escolhida e repetente”?

Viajei na maionese: seria por conta da minha expressão facial? Talvez minha usual tranquilidade e calma no meio de tanta gente aparentemente “estressada” correndo como se fosse perder o último vôo para Paris. Uma certa displicência talvez de quem passa absorta pelo cenário, pessoas e lugares. Será que mesmo sendo uma pessoa do tipo “comum” poderia carregar algo de estranho ou esquisito? Aparento algo de “subersiva” como Clarice Lispector? rsss Ou seria o meu jeito próprio e despretensioso de me vestir? Na minha bagagem de mão não havia nada de mais. Nem meu pó branco (bicarbonato de sódio) eu carrego mais para evitar potenciais dúvidas.

O ato corriqueiro do aeroporto conta um pouco sobre julgar os outros. Julgamos os outros pela aparência, pela roupa ou sapatos, pelo tamanho dos seios, pelo corte ou cor dos cabelos, pelo dinheiro que tem, pela vida que leva, pelo relacionamento que sustenta, pelo carro que tem, pelo cargo e status, etc, etc, etc. Fazemos isso repetidamente baseado no que temos dentro de nos. Obviamente não carregamos o “papel”, ou a “responsabilidade” de fazer isso como os agentes da “revista no aeroporto”, mas a mecânica de medir os outros é automática em nós.

Diante desse fato relembro a frase do Bernardo Penna, que diz “A consciência do sujeito não contempla apenas valores positivos. É nela também que se encontram seus preconceitos, traumas, crenças etc. ” Daí, a necessidade de cuidar do que temos dentro da gente, evitando julgamentos maldosos, indevidos, indelicados e das consequências dos julgamentos que desdobram-se em ações.

Completando esse ocorrido, pra quem gosta de analisar situações por meio dos filmes posso citar o título “12 homens e uma sentença” que possui uma série de elementos e oportunidades de reflexão sobre julgamentos.

12 homens

“No decorrer do filme, podemos perceber “a arte imitando a vida” e, enquanto os jurados jogavam pedras no acusado, exteriorizando um “sentimento de alívio pessoal para seus próprios pecados”, Davis (jurado nº 8) ia de encontro ao “senso comum” e seguia na saga em absolver o réu. Infelizmente, as pessoas absolvem seus próprios pecados atirando pedras nos pecados alheios e cada vez mais as redes sociais “formam” juízes, verdugos e carrascos que exercem oficialmente a profissão, expondo suas certezas e prontos para divulgarem o rosto do próximo acusado / condenado.

Assim, o “fenômeno do senso comum”, pelo menos desde o final do século XIX já é estudado, através do trabalho de Gustave Le Bon (Psicologia das Multidões, no ano de 1895) e no começo do século XX, com o estudo sobre Psicologia das Massas, elaborado pelo visionário e “pai da psicanálise”, Sigmund Freud, mas, infelizmente, a sociedade como um todo, continua em acordo com o senso comum, continua agindo como os onze jurados que inicialmente, tinham a total certeza da culpa do acusado.” – por Leonardo Nolasco.

Como diz o ditado o tema dá pano pra manga!! E minha análise me leva a concluir que provavelmente aparento algo que foge ao senso comum. rsss Algo suspeito. kkk

Dentro de poucos dias, passarei pelo mesmo portal, pelo mesmo processo de embarque rumo às Minas Gerais… Já fico pensando… será que serei eu de novo? Vou levar umas perguntinhas preparadas a tiracolo… rs

Uma coisa é certa: essas passagens, por pequenas que sejam, no mínimo, me fazem pensar e ou rir da vida.

Como diz o provérbio portugues “rir é o melhor remédio”.

Até a próxima!!

“A REVISTA FÍSICA pode ocorrer mesmo após a passagem pelo detector de metais, como uma medida alternativa ou adicional de segurança. A revista deverá ser feita por policial ou agente de proteção da aviação civil de mesmo sexo do passageiro. Pode ser feita em sala reservada, se solicitado pelo passageiro, com a presença de testemunha. “

http://www.transportes.gov.br/novoguiadopassageiro/inspecao-de-seguranca-do-passageiro

Relato de revista nos Estados Unidos – http://acontecimentos-insolitos.blogspot.com/2010/11/aeroporto-de-orlando-eua-revistada-por.html

Assumo minha incompetência.

O que vejo neste exato momento são buracos e estragos grandes nas paredes. Desalento talvez seja uma boa palavra para a cena. Hoje é sábado e acordei decidida a dar cabo de alguns itens daquela usual “to do list” , vulgo “lista de pendências” ou lista de afazeres.

Ahhhh quanta valentia!!! Observo pensamentos de autosuficiência dançando na mente. “Eu posso lidar com isso, é simples e basta conseguir as ferramentas certas”. Arranjei emprestado o martelo do zelador e com os pregos e trena nas mãos me vi equipada. Cheia de “poder”! (pra não dizer empoderada, palavra cansativa dos últimos tempos).

Em instantes já estava em cima de um “banquinho” fazendo barulhos de sábado para os vizinhos. Medidas feitas, buracos e pregos entraram em ação. Vários deles foram sendo desfilados na parede. Ufa..!!!! Que legal!!! Ia ver meus quadros de mais de uma década, montados com os bibelôs e lembranças trazidos cuidadosamente de uma viagem ao continente africano, na parede da minha sala atual. Desde que me mudei há alguns meses os olhava diariamente encostados no canto, pedindo um lugar pra ficar. Hoje eu iria resolver isto. Ah se não!!!!

O que estava indecorosamente fora do planejamento, pelo menos para mim, é que os pregos não aguentariam o peso dos quadros. Estrondos à parte, viam-se cacos de vidros e pedaços de molduras esparramados pelo chão.

Uma atividade, que a princípio parecia simples (ao meu juízo) transformou-se num insucesso desalentador. E ainda colecionando prejuízos. Sabe aquele pensamento de “autosuficiência” ?? Um racional enganoso. “Coitada”!!!

Embora seja um acontecimento corriqueiro exemplifica bem as situações com as quais nos deparamos diversas vezes na vida e que resultam em fracassos. Ressalta-se então a necessidade de saber como lidar com elas, como aprender com o fato, e principalmente como se preparar melhor para vivê-las novamente.

Como trabalho especialmente com o desenvolvimento de pessoas essas análises são frequentes pra mim. Ao avaliar as “reais” habilidades e competências é preciso oportunamente pedir ajuda à pessoas e profissionais que estejam mais capacitados em determinadas áreas. Um processo que requer autoconhecimento, paciência e humildade para a conquista de melhores resultados.

Se pararmos para pensar é muito mais usual sermos condescendentes conosco, não enxergando nossas reais condições. Fácil demais é reconhecer e apontar as limitações dos outros. Olhar para o próprio umbigo e identificar as próprias imperfeições, insuficiências é bem mais desafiador.

Enfim, nosso dia a dia é cheio de boas lições. Agora é procurar um lugar que me ajude a consertar o estrago que fiz!!

Bom final de semana!!

“É como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou …”

Eu me vejo,
me assemelho,
me leio,
me questiono,
me emociono,
com as tantas “palavras”,
ou “provocações”
de Clarice Lispector.
Uma verdadeira arte na expressão de sentimentos,
na tradução da existência humana.

Como bem disse Yudith Rosembaum não se lê Clarice impunemente.

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Compartilho sua bela crônica “As três experiências”, de 1968,
atemporal.

“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. “O amar os outros” é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida . Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.

Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos.

Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres. Sempre me restará amar.

Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera. “

Veja esse video sobre a leitura de Clarice e seus efeitos.

bjo,

Darlene

Sobre Clarice

Nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Chechelnyk, na Ucrânia, Clarice Lispector se chamou Chaya Pinkhasovna Lispector. Mas de ucraniana só teve o local nascimento: ao longo de sua carreira, ela dizia literalmente nunca ter pisado lá, visto que foi carregada no colo. Em 1921, ela e a família migraram para o Brasil fugindo da perseguição a judeus durante a Guerra Civil Russa. Instalaram-se primeiro em Maceió, e logo mudaram para o Recife, tanto que Lispector se considerava pernambucana. Aos 14 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com o pai e as irmãs após a morte da mãe. Lá estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, embora já se interessasse mais pelo meio literário.

Fonte: Revista Galileu

Sampa (Caetano Veloso)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim, Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

SamPan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

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Questão de propósito

O livro de Michelle Obama pra mim está coberto de belas tônicas (não cabe descrever aqui), das mais sutis às mais e largamente expressas. Hoje em especial compartilho aqui um trecho com o qual me identifico muito. Esta parte me fez recordar de várias situações que vivi e de um trabalho de reposicionamento pessoal e profissional que empreendi nos últimos anos – que foram bem diferentes das minhas últimas décadas – e vi surgir muitas afinidades com as palavras e propósitos que ela menciona. Ressalto o “processo de evolução”, a ambição positiva de “avançar” sempre, a continuidade e o ideal de realizar com sentido.

Ao conhecê-la há uns bons anos tornei-me uma admiradora. Mediante esse arrojado projeto do livro, carregado pelas suas manifestações, pela sua coragem e posicionamento fiquei ainda mais.

“Minhas responsabilidades de antes – para com Sasha e Malia, Barack, minha carreira e meu pais – mudaram e agora me permitem pensar de outra maneira sobre o que virá. Tenho mais tempo para refletir, para ser eu mesma. Aos 54 anos, continuo avançando e espero não parar. 

Para mim, ter uma história não significa chegar a algum lugar ou alcançar algum objetivo.  Entendo-a mais como um movimento adiante, um meio de evoluir,  uma maneira de tentar, continuamente, ser uma pessoa melhor. É uma jornada sem fim. Tornei-me mãe, mas ainda tenho muito a ensinar e aprender com minhas filhas. Tornei-me esposa, mas continuo a me adaptar e aceitar o verdadeiro significado de amar e construir uma vida com outra pessoa. Tornei-me, em certa medida, uma figura de poder , e mesmo assim há momentos em que ainda me sinto insegura e desconsiderada.

É um processo, são passos ao longo de um caminho. Tornar-se exige paciência e rigor em igual  medida. Tornar-se é nunca desistir da ideia de que é necessário avançar.  “

#tmj

Quem é Michelle Obama – Pela Wikipedia

Michelle LaVaughn Robinson Obama (Chicago17 de janeiro de 1964) é uma advogada e escritora norte-americana. É a esposa do 44.º presidente dos Estados UnidosBarack Obama, e a 44.ª primeira-dama dos Estados Unidos, sendo a primeira afro-descendente a ocupar o posto.

Michelle Obama nasceu e cresceu em Chicago. Graduou-se pela Universidade Princeton e pela Harvard Law School. Após completar seus estudos, retornou a Chicago e aceitou um emprego na firma de advocacia Sidley Austin, onde conheceu seu futuro marido, Obama. Subsequentemente, trabalhou como ajudante do prefeito de Chicago Richard M. Daley e para o Centro Médico da Universidade de Chicago.

Em 1992, casou-se com Barack Obama, com quem tem duas filhas: Malia e Sasha. Ao longo de 2007 e 2008, ajudou na campanha presidencial de seu marido, sendo a sua presença um dos principais destaques da campanha. Discursou na Convenção Nacional Democrata de 2008 e 2012. Como esposa do então senador e mais tarde primeira-dama, se tornou em um ícone da moda e modelo para as mulheres.