“Quem é você?”, por Ana Holanda

“Pode parecer até bobo, mas uma das razões pelas quais nos colocamos a quilômetros de distância do outro é porque,  muitas vezes, confundimos “quem somos” com “quem estamos”.  Tente se fazer essa pergunta agora:  Quem é você? Posso afirmar com bastante certeza  que a resposta será aquilo que você faz, o cargo que ocupa neste momento, a empresa para a qual trabalha, o seu status social etc.  A primeira vez que me fiz essa pergunta eu mesma respondi:  “Sou jornalista, editora de revista.” E então me dei conta de que eu não sou,  eu apenas estou isso.

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Acreditamos tão fortemente nisso que, numa reunião social quando nos perguntam: “O que você faz?”,  imediatamente respondemos nossa profissão ou aquilo com que trabalhamos. São nossas credenciais para o mundoo.  Então um dia surge uma baita crise econômica,  você é demitido,  e deixa de ser aquilo em que acreditava tanto.  Isso pode acontecer na vida de qualquer um a partir da perda de emprego, do fim de um relacionamento,  da morte de alguém querido, uma guerra, um tsunami,  uma enchente. É incrível: em um espaço tão curto de tempo tudo o que a gente acreditava ser vai embora.

Gosto muito da médica geriatra Ana Claudia Quintana Arantes. Eu a conheci na The School of Life de São Paulo, um espaço para cursos sobre questões ligadas à vida e que tem entre seus fundadores o fisósofo Alain de Botton.   Ana ministra na escola uma aula linda demais, chamada Como lidar com a morte.   Ela é especialista em cuidades paliativos e lida, todos os dias,  com gente que está muito próxima da morte.  Ela traz alívio para a dor física – e ouso dizer que emocional também – de quem está vivenciando seus últimos dias por aqui.  Ela tem, aliás,  uma fala potente no TEDx FMUSP e que vale muito a pena dar uma espiada (“A morte é um dia que vale a pena viver^,  disponível no youtube).

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No final de 2016 ela lançou um livro de mesmo nome, no qual demonstra, no texto de abertura, a maneira como costuma se apresentar às pessoas – e o incômodo que isso causa.  Ao ser perguntada, em um evento social, o que fazia, ela deciciu responder a verdade: cuidava de pessoas que morrem.  Isso foi seguido por um silêncio profundo.  “Falar de morte em festa é algo impensável. O clima fica tenso, e mesmo a distância percebo olhares e pensamentos.  Posso escutar  a respiração das pessoas que me cercam.  Algumas desviam o olhar para o chão, buscando o buraco onde gostariam de se esconder.  Outros continuam me olhando com aquela expressão: ~OI?´,  esperando que eu rapidamente possa consertar a frase e explicar que não me expressei bem.  Já fazia algum tempo que eu tinha vontade de fazer isso, mas me faltava coragem para enfrentar o abominável silêncio que, eu já imaginava,  precederia qualquer comentário.  Ainda assim,  não me arrependi.  Internamente,  eu me consolava e perguntava: ´Algum dia as pessoas escolherão falar da vida por esse caminho.  Será que vai ser hoje?.”

Ana Claudia Quintana Arantes é uma das médicas mais humanas e sensíveis que conheço. Ela se aproxima, toca, olha nos olhos,  conversa, se interessa pelo outro, se emociona sem medo de deixar as lágrimas escororerem, e isso faz uma grande diferença na vida de muita gente.  Ela afeta as pessoas porque percebe o humano que existe em cada um. Se reconhece e se entrega.  E o texto não é muito diferente disso. Quando nos reconhecemos nas palavras que colocamos no papel,   o outro também se reconhece. Mas este precisa ser um processo com menos máscaras.  Daí a necessidade de você se perguntar: quem é você?”

Texto de Ana Holanda,  do livro “Como se encontrar na escrita”. 

_DSC9365awAna é jornalista, formada pela PUC-SP. Passou pelas principais redações de revistas do país, e desde 2011 é editora-chefe da revista Vida Simples.  É embaixadora da The School of Life no Brasil.  Na filial da escola em São Paulo, ministra o curso Como se Encontrar na Escrita.  Também viaja pelo país dando workshops e palestras sobre Escrita Afetuosa e sobre narrativas que nascem na cozinha.  Saiba mais sobre ela em www.anaholanda.com.br.

 

“Phubbing: o comportamento de não desgrudar do celular está acabando com relacionamentos”

“É como dar uma grande banana a seu (sua) companheiro (a).”

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A tecnologia é uma ferramenta sensacional. Tem viabilizado transformações em dimensões inimaginãveis.  Quem me conhece sabe o quanto eu a aprecio (até demais).  Mas como tudo na vida é necessário utilizar adequadamente,  com equilíbrio.  Como diz o ditado “bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

Incômodo,  “desagrado” é o que sinto quando  presencio  o “desvio de atenção”, o “desprestígio” e até mesmo o “desrespeito”  provocado pelo uso indevido no convívio entre pessoas. Chega a ser, por vezes,  uma atitude deselegante, interrompendo raciocínios,  dedos de prosas,  olhares. Até mesmo filmes.  Eu mesmo já cometi deslizes desses em várias  situações. Tive a feliz  colaboração  de pessoas próximas e queridas. Acatei rapidamente o feedback (filhos).  O que me ajudou a pensar e me reposicionar.

A utilização massiva e desagradável ocorre não somente nos contextos das relações afetivas e familiares.  Tem sido usual e frequente no ambiente de trabalho, durante reuniões e atividades coletivas.   As mensagens instantâneas jorram. Que descuidado esse telefone (rs).!!!!           Que as interações são muito facilitadas pelas aplicações,  não resta dúvida.  Entretanto, vale sim,  a pena,  pensar no seu uso consciente. A busca do equilíbrio.  Um enorme  desafio desses novos tempos.

Por conta desses impactos,   transcrevo aqui,  um texto de um estudo americano,  publicado originalmente em inglês pelo HuffPost US e posteriormente traduzido por eles.

“Uma saída a dois não poderia acabar de maneira mais deprimente: uma das clientes da terapeuta conjugal Christine Wilke estava prestando tanta atenção a seu telefone recentemente que nem sequer percebeu que a noite a dois tinha acabado.

“Ela tinha um problema sério com o telefone e se deu conta disso quando saiu para jantar com o namorado”, comentou a terapeuta conjugal de Easton, Pensilvânia. “A cliente estava tão focada na telinha que, quando finalmente desviou os olhos do celular, o namorado já havia pago a conta e estava saindo do restaurante.”

A mulher estava praticando “phubbing” intensivamente: ignorando seu companheiro e prestando atenção no smartphone. O phubbing, uma palavra criada a partir da soma de “phone” (telefone) e “snubbing” (esnobar), está se tornando cada vez mais comum em nossas interações sociais, especialmente nos relacionamentos românticos.

Em um estudo recente realizado pela Universidade Baylor com 143 pessoas envolvidas em relacionamentos românticos, 70% disseram que os celulares “às vezes”, “com frequência”, “muito frequentemente” ou “o tempo todo” atrapalham suas interações com seu companheiro.

Em uma pesquisa posterior que envolveu 145 adultos, 22,6% disseram que o phubbing já havia provocado conflitos em seus relacionamentos e 36,6% relataram sentir-se deprimidos às vezes porque têm a impressão de que seu parceiro priorizava seu telefone, em vez deles.

Wilkes vê essa dinâmica frustrante se repetir o tempo todo em seu consultório.

Os casais que eu atendo muitas vezes querem ter uma conexão mais profunda um com o outro, mas seus respectivos telefones tomaram conta de suas vidas“, ela comenta.
“As pessoas me dizem muitas vezes que a sensação é de que seu companheiro está tendo um caso com o telefone.”

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Manter um relacionamento estando atrás de um telefone não é uma boa maneira e levar a vida. A seguir, Wilkes e outros terapeutas conjugais de todo o país compartilham conselhos sobre como coibir sua mania de phubbing.

1. Pare de achar que você precisa documentar no Snapchat ou Instagram tudo que vocês fazem quando saem juntos.

“Uma das coisas que ainda me espantam (e, como terapeuta, me entristecem) é quando um casal está jantando, por exemplo, em um lugar público, mas uma das pessoas esta ocupada postando fotos, em vez de dar atenção real à outra. As redes sociais trazem muitos benefícios positivos, mas também podem levar as pessoas a buscar a gratificação imediata, em vez de viverem a satisfação do momento. Se você é alguém que publica posts para chamar a atenção de outros, em vez de realmente curtir a pessoa com quem está, é hora de se disciplinar um pouco. Desista dessa obsessão por acumular curtidas. É claro que isso não significa que você não deva postar uma selfie simpática de vocês dois. Mas aguarde para postar até a noite a dois ter terminado, ou, no mínimo, espere para postar na hora em que seu companheiro tiver ido ao banheiro.” – Carin Goldstein, terapeuta conjugal e familiar em Sherman Oaks, Califórnia.

2. Desligue seu telefone por pelo menos 30 minutos por dia.

“Uma das ‘lições de casa’ que passo aos casais é criarem um período diário de 30 minutos sem eletrônicos. É a hora em que eles podem ter um contato significativo cara a cara, sem ingerências de fora. Com muita frequência esses 30 minutos acabam virando um período de tempo muito mais longo, porque acabam representando um momento de intimidade que os dois valorizam muito.” – Christine Wilke

3. Eleve seu tempo sem tecnologia para outro patamar: tire um fim de semana inteiro sem celular.

“Trabalhei com um casal que foi passar um fim de semana em Palm Springs e definiu algumas regras de antemão relativa a eletrônicos: os celulares tinham que ficar desligados e dentro da mala ao longo do fim de semana inteiro. Cada pessoa era autorizada a ligar o celular por apenas cinco minutos por dia, o tempo de verificar se não havia alguma crise os aguardando quando voltassem. No final do fim de semana, eles disseram que adoraram a chance de prestar mais atenção às coisas pequenas: a piscina refrescante, as gargalhadas durante o jantar e a intimidade real entre os dois.” – Spencer Scott, psicólogo de Santa Monica, Califórnia.

4. Se seu companheiro se sentir “phobado”, reconheça o fato e pare de “phobar”.

“Combinem de cada um informar ao outro quando sente que está sendo ‘phobado’ ou quando ele próprio está tendo uma recaída e praticando phubbing. Como todos nós podemos cair na tentação de mergulhar fundo no telefone, podemos não ter consciência disso quando recaímos no mau hábito. Combinar que você vai dar ouvidos a seu parceiro quando ele se sentir ‘phobado’ e então se dispor a deixar o telefone de lado já constitui um passo sadio para conservar a relação.” – Kristin Zeising, psicóloga de San Diego, Califórnia.

5. Não encare seu celular como seu inimigo absoluto.

“Pode parecer contraintuitivo, mas se você anseia por tempo e atenção de seu companheiro, procure não enxergar o telefone como sendo a raiz do problema, mas como uma ferramenta para a solução. Torpedos bem articulados enviados ao longo do dia, ou mesmo Snapchats (que levam dois minutos para ser feitos e enviados) podem ser ótimos para lembrar a seu parceiro que cada um está pensando no outro ao longo do dia. Podem fazer você se sentir menos isolado e insatisfeito.” Spencer Scott

6. Saiba que num primeiro momento você se sentirá estranho ao guardar seu telefone.

“Ficar grudado ao celular é um hábito que vicia e que não será fácil de cortar. Entender o porquê disso pode levar tempo, mas você vai dar conta! Em um primeiro momento você sentirá algo descrito como uma dissonância cognitiva. Interromper o uso do celular não lhe parecerá correto nem normal. Levará quase um mês para o novo hábito lhe parecer normal – ou seja, dar a seus entes queridos, amigos e familiares sua atenção em pessoa, e não por meio de um telefone. Mas acredite em mim, terá valido a pena.” Barbara Melton, terapeuta em Charleston, Carolina do Sul.”

 

Publicado por

https://www.huffpostbrasil.com/2017/11/13/phubbing-o-comportamento-de-nao-desgrudar-do-celular-esta-acabando-com-relacionamentos_a_23275752/

Fonte extraída em 15.10.2018

 

 

“Metade”

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.

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Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

por Oswaldo Montenegro

 

A questão da disciplina

Em tempos de confusão acerta do que é ou não “disciplina”,  considerei muito prática a explicação do Gikovate. Veja:

“A palavra “disciplina” já teve conotação positiva; relacionava-se com valor e era considerada uma aquisição indispensável para o desenvolvimento emocional das pessoas.

Ultimamente, passou a ser associada a autoritarismo, a disciplina militar. Pais disciplinadores passaram a ser vistos como pessoas antiquadas, como quem não ama de verdade os filhos. Damos a certas palavras conotações de ordem moral e é comum não sabemos sequer o que elas realmente significam, como nesse caso.

“Disciplina” pode ser definida como a vitória da razão sobre as emoções. Não que devamos reprimir sempre as nossas emoções em nome da razão. As emoções são inerentes a nós. O ideal é que possamos cada vez mais aprender a lidar com elas, encontrando um equilíbrio adequado entre razões e emoções. Trata-se de uma conquista difícil, diretamente relacionada com a maturidade da pessoa. Muitas são as circunstâncias em que existe um antagonismo entre emoção e razão. Na criança vence a emoção, mas, com o crescimento, a razão deveria transformar-se em poder central das decisões. É uma pena que isso só ocorra a certo número de pessoas – fortes o suficiente para suportar a frustração relacionada com a renúncia.

Vamos a um exemplo esclarecedor que já foi usado por muitos autores. Quando, numa manhã fria e escura de inverno, o despertador toca, nos informando que é hora de levantar, passamos a viver um dos conflitos mais duros entre a razão – que nos lembra de nossos deveres – e a preguiça – emoção natural em nós e que se recusa à obediência. Das pessoas que se deixam vencer pela preguiça, pouco se pode esperar em termos de sucesso nas atividades relacionadas com o trabalho. Sabemos que este se distingue do lazer pelo caráter obrigatório, pelos compromissos que temos com outras pessoas e pelo rigor com que seremos julgados se não obtivermos resultados aceitáveis.

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Se o compromisso estiver relacionado com o lazer, desde que não tenhamos combinado nada com ninguém, não levantar ofenderá “apenas” a nós mesmos, que nos avaliaremos como fracos. Não aprovaremos nossa conduta se tivermos faltado a um compromisso esportivo ou se tivermos perdido a hora para uma viagem de lazer. Isso nos fará mal, mas procuraremos nos enganar, dizendo que na próxima vez isso não vai acontecer. Se tivermos nos comprometido a acordar cedo para fazer algum tipo de ginástica e a preguiça nos vencer, não será nada bom para nossa autoestima, pois nos sentiremos “para baixo”. Poderemos fingir para os outros que estamos bem e que a cama estava uma delícia, mas não poderemos jamais enganar a nós mesmos; sabemos que fraquejamos e lamentaremos por isso.

Por outro lado, se o compromisso for com terceiros e envolver atividades profissionais importantes, os resultados objetivos serão catastróficos – além do prejuízo maior à autoestima. Caso um vendedor falte ao compromisso com seu cliente, talvez não seja perdoado e não tenha outra chance. O mesmo vale para o funcionário de uma empresa que sempre chega atrasado: acabará demitido, evidentemente. O médico que não comparecer aos compromissos com seus clientes será dispensado, e assim por diante.

Além da ofensa à autoestima, esses profissionais sofrerão todo tipo de sanção objetiva, de modo que não terão dinheiro nem o respeito dos outros.

Inversamente, aqueles que se reconhecem capazes de ter uma razão vencedora, que domine as emoções em geral, se tornam cada vez mais fortes, à medida que acumulam sucessos nas disputas que travam com eles mesmos.  E acabam por desenvolver um novo tipo de prazer, dos mais importantes para a nossa psicologia: o prazer de ser forte o suficiente para renunciar a um prazer imediato em favor de uma recompensa maior que virá em algum momento do futuro. Assim, a renúncia aos prazeres imediatos se transforma em um novo e maior tipo de prazer, o prazer da renúncia. Quem quiser dar certo no jogo da vida terá de se desenvolver até chegar a esse ponto de maturidade interior. Essas pessoas são capazes de dirigir a própria vida, pois deixam de ser escravas das emoções.

É preciso cautela, pois, à medida que a renúncia se transforma em fonte de prazer, ela pode passar a ser buscada de modo ativo e prejudicial. Orgulhar-se de ser capaz de fazer renúncias necessárias é coisa boa e ponderada. Entretanto, renúncias indevidas, buscadas apenas com o intuito de provocar a sensação de superioridade e de força extraordinária, são um excesso, algo que nos afasta do bom senso e já contém os sinais característicos dos vícios.”

 

(Trecho do livro “Os sentidos da vida”, p. 81-84),  de Flávio GIkovate – Publicado no próprio site do autor pela sua equipe, em 07.08.2018

O império do consumo – Eduardo Galeano

“A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.”
– Eduardo Galeano

Eduardo Galeano – foto: Samuel Sánchez

 

O império do consumo

“Esta ditadura da uniformização obrigatória impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.”
– Eduardo Galeano

A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?

A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.

A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.

O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.

“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.

O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel par trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.

Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.

Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.

Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.

Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.

Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.

A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.

Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?

O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.

O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.

A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.

O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?

A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.

A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

Fonte: Publicado originalmente na revista Carta Capital, em 30.12.2010.

Fonte –  Revista Prosa Verso e Arte,  em 01.10.2018

Mais sobre Eduardo Galeano:
Eduardo Galeano (textos, vídeos, crônicas e contos)

#asmelhorescoisasdavidanãosãocoisas

Consenti tannnnto com esse posicionamento do Mark (autor do livro “a sutil arte de ligar o foda-se”, que decidi compartilhar com você.

Isso não significa que compartilho de todas as ideias dele.  Algumas ainda têm me feito pensar sobre (rs).   Mas nada como dedicar nosso tempo de vida às questões realmente importantes e permanentes.  Essas sim, alimentam a alma e promovem a alegria de viver.

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tome nota..

“Nada contra bons negócios, mas ter necessidades demais faz mal para sua saúde mental.  Você acaba se agarrando demais ao que é superficial e falso, dedicando a vida à meta de alcançar uma miragem de felicidade e satisfação.

O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais coisas; é se importar com menos,  e apenas com o que é verdadeiro, imediato e importante. “

Mark Manson

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Prefere leitura rasa ou funda?

Em tempos de altíssima oferta de informações, dados  e outros atrativos,  os livros têm sido “jogados às traças”. Postergados.  Até esquecidos.   O rápido passar de olhos nos títulos ou em pequenos trechos tem sido um costume usual. Por vezes,  satisfazem os desejos das mentes.  Leituras rasas.  Curtas.  Todos passam por elas.

Falta tempo.  Dias corridos.  Compromissos inadiáveis.

Escolhas.

E a leitura, aquela  escolhida, necessária, detida? Essa fica na lista de pendências.  Lista de afazeres, quase nunca feitos.  Pense comigo.  Quais os últimos livros que você leu?  E por que leu?

Saborear o texto do outro. Buscar entender seu contexto. Compreender ideias. Pensar na sua lógica. Prazeres daqueles que curtem aprender com os outros.  Apreciam a diversidade e  a arte por detrás das palavras. Daqueles que gostam da “fundura”  (termo de um conhecido  escritor)  das coisas.

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Em há tanta disponibilidade!!  Excelentes e provocativas obras!!

Recentemente, junto com uma parceira (o que é uma estratégia de execução fantástica), estabeleci um desafio diário, que envolvia a prática sistemática de  algumas atividades.  Uma delas,  obviamente, era a leitura.   Tudo bem, sempre apreciei.  Mas realizar  esse desafio me acordou ainda mais para esse gosto.  Em trinta dias percorri quase três.  Não me recordo de ter lido tanto em tão pouco tempo.

Você pode pensar:  “a quantidade não é o mais importante”.  Se pensa assim,  você está coberto de razão!!  Não se trata da quantidade de páginas que você lê.  Mas do porquê da leitura.  Trata-se de como se lê. Trata-se de estar aberto para onde o conteúdo  “levará” você.

O fato de estabelecer a leitura diária como objetivo e meta  foi  uma forma bastante positiva para  acelerar e intensificar essa minha prática.  Foi uma forma de dedicar uma parte do tempo (programada ) para isso.   E acredite.  Valeu muito a pena!

“A vida começa a cada manhã.
Joel Olsteen

Caso tenha dificuldades em estabelecer a leitura como uma prática,  comece por estabelecer uma pequena meta. Estabeleça o desafio  de apenas cinco páginas por dia.   Se seu livro tem cento e oitenta páginas, por exemplo, você o terá lido em apenas trinta e seis dias. No ano terá lido em torno de dez livros. Crie uma disciplina, uma rotina específica,  um horário determinado para isso. Todos os dias.  Aos poucos poderá aumentar a meta. Dez, vinte páginas.  Mantenha seu livro sempre à mão.  Num lugar que possa vê-lo com frequência.

Considere ter uma caneta ou lápis para marcar os pontos importantes.  Aquelas frases que lhe chamam atenção de alguma forma e que de repente, você poderá voltar sem ter que perder tempo procurando a localização.   Faça anotações nos cantos.

Uma dica: Escolha temas que você goste muito ou um assunto que você precise aprender um pouco mais.    Os livros são um excelente mecanismo de desenvolvimento.  Além, é claro, de ampliar seus conhecimentos gerais e seu pensamento crítico.

“Uma pessoa que não quer ler não tem nenhuma vantagem
sobre um que não sabe ler.
Mark Twain

Se essa postagem foi útil pra você e se promoveu alguma mudança de comportamento e posicionamento, compartilhe comigo.  Ficarei feliz de saber.

Boas leituras.  Com fundura.

Bjo,
Darlene

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