Quero a minha garagem de volta

“Mãe você se aborreceu por causa da vaga de garagem?” Meu filho perguntou esses dias durante “nosso tradicional” almoço japonês. Algo aparentemente banal mas que me fez pensar a respeito. Eu deveria mesmo me “ocupar” com isto?

Tudo começara há quatro, cinco meses atrás. Lembro como foi estranho o dia da minha volta ao Brasil por conta do covid-19 em março. A saúde debilitada pelo cansaço na busca de alternativas e mais de vinte quatro horas entre aeroportos e vôos usando máscara para conter um resfriado forte que poderia assustar os demais. Depois a entrada no grupo de risco, os dois dias de isolamento total por segurança, as dificuldades na obtenção de ajuda das pessoas sem informação e o teste negativo.

Não obstante todo o imbróglio um detalhe corriqueiro e incômodo foi o papel colado no meu elevador que mencionava o resultado do “sorteio da garagem”. Evento dos mais disputados em qualquer condomínio. Eu havia deixado uma procuração para uma de minhas amigas me representasse. Sabia que o meu número era o 39 mas o informe anunciava que alguém se apropriara da minha garagem.

Passou esse filme todo na minha cabeça quando fiz as contas do tempo. Comunicações, notificações, protocolos e tentativas de correção do problema foram em vão. Simples e corriqueiro, mas ainda assim é um “direito”.

Lembrei de uma palestra do Karnal sobre a ética. (link) Eu a utilizei numa de minhas aulas da pós graduação há alguns anos atrás. Muitos alunos daquela turma não associavam as “vantagens” cotidianas, obtidas com certo jeitinho aos desvios de ética. É questão de ética sim senhor. Furar fila, comprar um guarda de trânsito, colar na prova, achar dinheiro perdido e não devolver, ser abusivo em contratos comerciais, não devolver um troco errado, romper o lacre de uma correspondência, entre outros.

Aí filho vai o resultado da minha reflexão: não me aborreci pela vaga da garagem em si. Eu fico incomodada quando vejo as pessoas querendo levar vantagem sobre as outras, por menores que sejam as situações. Minha natureza não me permite a inércia. O que não significa que vou bradar, brigar, gritar. Quem me conhece sabe que não uso desses artifícios. Mas tenha certeza que vou questionar e tentar elucidar a atitude.

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A vida social e a convivência coletiva carecem do polimento estrutural da honestidade, da confiança, hombridade e da lisura. É preciso se indignar e agir se isto acionar um mínimo “repensar” da coisa, se trouxer para a pauta determinados padrões de condutas. A aceitação pura e simples é omissão. O pequeno tem por trás o grande, o princípio.

Quero a minha garagem de volta!

Darlene

Significado de ÉTICA –

A palavra ética é de origem grega derivada de ethos, que diz respeito ao costume, aos hábitos dos homens. Teria sido traduzida em latim por mos ou mores (no plural), sendo essa a origem da palavra moral. Uma das possíveis definições de ética seria a de que é uma parte da filosofia (e também pertinente às ciências sociais) que lida com a compreensão das noções e dos princípios que sustentam as bases da moralidade social e da vida individual. Em outras palavras, trata-se de uma reflexão sobre o valor das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como no âmbito individual.

fonte:https://medium.com/@amarcoscrf/%C3%A9tica-no-dia-a-dia-das-rela%C3%A7%C3%B5es-pessoais-e-profissionais-c2cdd694da18

Ética é uma área da filosofia que busca problematizar as questões relativas aos costumes e à moral de uma sociedade, sem recorrer ao senso comum. A ética tenta estabelecer, de maneira moderada e com uma visão questionadora, o que é o certo e o errado e a linha, muitas vezes tênue, entre o bem e o mal. A ética está intimamente ligada à moral e consiste numa importante ferramenta para o bom convívio entre as pessoas e para o bom funcionamento das relações e das instituições sociais. 

fonte: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/o-que-etica.htm

covardia

Ao escolher a carreira política decidiu assumir a responsabilidade por governar.. Tudo bem. Aceito. Pedir pra ele ser um líder é exagero. Mas governar é o mínimo. Ser “chefe” é o papel básico para o qual foi eleito.
Impressionante como o principal político desse país parece estar totalmente avesso às dores e acontecimentos relacionados à crise da saúde. Essa coisa de mudar ministros em série, bradar mensagensdesumanas e impróprias, mudar o sistema de informações da crise em plena curva ascendente … gente!!!! Socorro!! “que país é esse”.

Não escrevo sobre política. Não tenho arsenal e competência pra tal. Não conheço o sistema político a fundo para tecer considerações com substãncia. Mas estudo e escrevo sobre o tema liderança em suas várias dimensões. Trabalho e experimento esse tema nas mentorias de executivos. Como cidadã e brasileira não resisti a esse posicionamento pelo porte do impacto e consequências do que tenho visto.

Pronto. Falei.

Significado de covardia (google)

  1. 1.comportamento que denota ausência de coragem; atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia.
  2. 2.violência contra o mais fraco.

#ei – Tomo conta do mundo

Sou uma pessoa muito ocupada: tomo conta do mundo. Todos os dias olho pelo terraço para o pedaço de praia com mar, e vejo às vezes que as espumas parecem mais brancas e que às vezes durante a noite as águas avançaram inquietas, vejo isso pela marca que as ondas deixaram na areia. Olho as amendoeiras de minha rua. Presto atenção se o céu de noite, antes de eu dormir e tomar conta do mundo em forma de sonho, se o céu de noite está estrelado e azul-marinho, porque em certas noites em vez de negro parece azul-marinho. O cosmos me dá muito trabalho, sobretudo porque vejo que Deus é o cosmos. Disso eu tomo conta com alguma relutância.

Dah

Observo o menino de uns dez anos, vestido de trapos e macérrimo. Terá futura tuberculose, se é que já não a tem. No Jardim Botânico, então, eu fico exaurida, tenho que tomar conta com o olhar das mil plantas e árvores, e sobretudo das vitórias-régias.

Que se repare que não menciono nenhuma vez as minhas impressões emotivas: lucidamente apenas falo de algumas das milhares de coisas e pessoas de quem eu tomo conta. Também não se trata de um emprego pois dinheiro não ganho por isso. Fico apenas sabendo como é o mundo.

Se tomar conta do mundo dá trabalho? Sim. E lembro-me de um rosto terrivelmente inexpressível de uma mulher que vi na rua. Tomo conta dos milhares de favelados pelas encostas acima. Observo em mim mesma as mudanças de estação: eu claramente mudo com elas.

Hão de me perguntar por que tomo conta do mundo: é que nasci assim, incumbida. E sou responsável por tudo o que existe, inclusive pelas guerras e pelos crimes de lesa-corpo e lesaalma. Sou inclusive responsável pelo Deus que está em constante cósmica evolução para melhor.

Tomo desde criança conta de uma fileira de formigas: elas andam em fila indiana carregando um pedacinho de folha, o que não impede que cada uma, encontrando uma fila de formigas que venha de direção oposta, pare para dizer alguma coisa às outras.

Li o livro célebre sobre as abelhas, e tomei desde então conta das abelhas, sobretudo da rainha-mãe. As abelhas voam e lidam com flores: isto eu constatei. Mas as formigas têm uma cintura muito fininha. Nela, pequena, como é, cabe todo um mundo que, se eu não tomar cuidado, me escapa: senso instintivo de organização, linguagem para além do supersônico aos nossos ouvidos, e provavelmente para sentimentos instintivos de amor-sentimento, já que falam. Tomei muita coisa das formigas quando era pequena, e agora, que eu queria tanto poder revê-las, não encontro uma. Que não houve matança delas, eu sei porque se tivesse havido eu já teria sabido. Tomar conta do mundo exige também muita paciência: tenho que esperar pelo dia em que me apareça uma formiga. Paciência: observar as flores imperceptivelmente e lentamente se abrindo.

Só não encontrei ainda a quem prestar contas.

Clarice Lispector

From – #ei – Escritos Incríveis (https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/tomo-conta-do-mundo-clarice-lispector.html)

Crônica de Clarice Lispector, publicada originalmente no ‘Jornal do Brasil, 4 de março de 1970) – Clarice Lispector, do livro “Aprendendo a viver”. Rio de Janeiro: editora Rocco, 2004.

#claricelispecto #mundo #crônicas #viver #vida

#ei – Todo dia mais ..

Pessoas, Mulher, Menina, Vestuário, Olho

Chegou ao meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar. Não sabia explicar. Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos. Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.

Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida. Estava olhando para si mesma e nem notou. Ali, naquele instante estava recebendo um presente. Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais. Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não. Não mais. Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa. Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do seu próprio tempo.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais. Sonha pelo simples exercício de sonhar. Sonha porque notou que é o sonho que tempera a vida. Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo. Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas, nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vista dos outros.

Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor. E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar. A mulher ao centro da vida traz a leveza que os anos teceram, pacientemente. Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo. Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais. Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar. Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais.
(autor desconhecido)

Do site – https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/um-pouco-cada-dia.html

#liberdade #maturidade #equilíbrio #vida #lifecoaching #sonhos #projeto #amor #pazdeespírito #escolhas #tradeoff #mulheres

#ei – Tempos difíceis …

“Minha avó uma vez me deu uma dica:
 Em tempos difíceis, você avança em pequenos passos.
 Faça o que você tem que fazer, mas pouco a pouco.
 Não pense no futuro ou no que pode acontecer amanhã.
 Lave os pratos. Tire o pó.
 Escreva uma carta.
 Faça uma sopa.
 Entende?
 Você está avançando passo a passo.
 Dê um passo e pare.
 Descanse um pouco.
 Elogie-se. Dê outro passo.
 Então outro.
 Você não notará, mas seus passos crescerão cada vez mais.
 E chegará o momento em que você poderá pensar no futuro sem chorar.”

– Elena Mikhalkova

Imagem Tasha Tudor 

Do site escritosincriveis.blogspot.com

https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/em-tempos-dificeis-elena-mikhalkova.html

#ei – A bolsa ou a vida?

Contardo Calligaris
Psicanalista, na FSP de 14.05.2020


Há quem ache que, diante da pandemia, deveríamos sacrificar vidas

A bolsa ou a vida? Anos atrás, o psicanalista francês Jacques Lacan se serviu dessa alternativa para explicar o que é uma escolha forçada —que, de fato, nem sequer é uma escolha.

Eis por quê: se eu escolher ficar com a bolsa, não perderei só a vida, mas também a própria bolsa pela qual me sacrifiquei, pois nenhum ladrão vai ser burro a ponto de deixar a bolsa com o meu cadáver. Então, quem escolhe a bolsa perde a vida e também a bolsa.

Conclusão: só resta escolher a vida e entregar a bolsa. No Brasil, por causa de um gosto antigo pela violência (que talvez tenha penetrado a cultura nacional junto da prática da escravatura), o bandido, às vezes, recebe a bolsa e ainda assim nos dá um tiro de despedida. De qualquer forma, entregando a bolsa, temos ao menos uma chance de ficar com a vida —embora, é claro, uma vida sem a bolsa.

A alternativa de “a bolsa ou a vida?” talvez nos ajude a enxergar a estranheza do debate em curso entre a saúde e a economia diante da pandemia de coronavírus. Deveríamos, por exemplo, proteger as vidas com o maior isolamento social possível? Ou deveríamos aceitar um aumento da taxa de infecção e do número de mortos para preservar a atividade econômica? A vida ou a bolsa?

Parênteses: em outros países, o debate a favor ou contra o isolamento existe como discussão sobre qual caminho poderia, a longo prazo, produzir uma imunidade coletiva e portanto poupar mais vidas.

No Brasil, a questão é apenas sobre a “necessidade” de reabrir o comércio e retomar a atividade econômica.

Voltemos. Há uma diferença considerável entre a alternativa proposta pelo bandido e nossa situação atual. A pergunta do bandido se endereça a uma pessoa só —você, que está sendo assaltado.


Imagine que, na hora do assalto, você esteja com um seu conhecido. Ao serem assaltados, você consegue se entrincheirar numa sala segura, junto com a sua bolsa, mas seu conhecido fica de fora. O bandido pede para você escolher entre a sua bolsa e a vida do conhecido. Qual será sua escolha?

Os que acham que, diante da pandemia, deveríamos escolher a bolsa e sacrificar vidas não estão entrincheirados em abrigos que os protejam da contaminação e de uma morte eventual. Eles apenas se consideram invulneráveis. São crianças atrasadas, convencidas de sua onipotência e da proteção eterna que lhes seria reservada pelo amor de suas mães.

Essa é uma patologia frequente, sobretudo masculina, incômoda para quem tem a desgraça de conviver com o paciente e só realmente perigosa quando o paciente ocupa um cargo de governo, sobretudo executivo.

No governo, a criança onipotente se transforma facilmente num canalha, que, considerando-se invulnerável, está disposto a escolher a bolsa, porque a vida que ele perderia seria sempre a vida dos outros.

Ou seja, os negacionistas acham que deveríamos desistir do isolamento social para preservar a economia e estão dispostos, para isso, a entregar, não a vida deles, mas a vida dos outros. Eles escolhem a bolsa e deixam o bandido (o vírus) matar a quem ele quiser (salvo a eles mesmos, que se imaginam protegidos por serem os eternos bebês maravilhosos de suas mães).

Alguém dirá: então deveríamos escolher a vida e esquecer a bolsa? E como vamos pôr comida na mesa?

Pois bem, é exatamente aqui que se esperariam a existência e a intervenção de um governo. O debate entre privilegiar a saúde ou a economia (a bolsa ou a vida) parece ser uma diversão inventada por um governo que não enxerga sua função crucial, a qual consistiria em administrar as consequências econômicas da única escolha aceitável (a escolha pela vida).

Ou seja, uma vez que só é possível escolher a vida (e não a bolsa), resta a tarefa de sustentar a vida de todos da melhor maneira possível.

Os governos, mundo afora, gastam e gastarão o que têm e o que não têm (sim, há momentos em qualquer administração nos quais é necessário gastar o que não se tem) para que os cidadãos possam proteger suas vidas (e logo retomá-las) sem se preocupar com sua sustentação básica, suas dívidas vencidas, seu aluguel e seus impostos atrasados etc.

Em vez disso, no Brasil, até agora, assistimos a uma comédia patética em que o governo promete, brada e não consegue nem sequer distribuir dignamente uma ajuda irrisória (os famosos R$ 600) sem que a própria distribuição se torne, para muitos, a ocasião de mais uma sinistra exposição ao contágio, em filas de espera.

https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/a-bolsa-ou-vida-contardo-calligaris.html

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Sinal de continência

Nunca sequer imaginamos que a cena desses tempos pudesse acontecer. (número de mortes dobra a cada 10 dias no Brasil) Se algum dos gurus do futuro tivesse dito que em duas semanas estaríamos todos “quarentenados”, esperando o vírus passar … teríamos gargalhado. “Deve ser um louco.”. Lembrei da frase “de médico e louco todo mundo tem um pouco”.

E é mais ou menos isso… uma loucura.  Estamos no meio de uma guerra e não há que pestanejar. Obviamente que muitos avisos foram dados pelo caminho: cientistas, intelectuais, visionários e tantos outros disseram em vão. Porque enquanto tentavam ser ouvidos o que estava em jogo eram  a política, o negócio, o dinheiro. O mundo tinha outras “pressas”.

Lamentar?  Não.  Isso posto o melhor a fazer é encarar. Rs… O que quero dizer? Passou da hora de trocar de roupa e vestir a farda, Qual? A do “front”. A da comissão de frente. Queremos e precisamos vencer essa fase do jogo. Começando por filtrar pensamentos e palavras que só servem pra piorar as coisas.  Algumas precisam entrar na gaveta dos “proibidos”. Lembrou de alguém, vizinho, amigo, parente, que vivia reclamando da vida sem fazer nada? Pois é.   Engavete também.. rs

Hora de aceitar que modelos vigentes até bem pouco tempo não mais retornarão porque hoje já somos outros, sociedades, empresas, estado, indivíduos. Aquela sensação de controle, de que tudo estava indo bem? Esquece. O momento urge por resiliência e mais do que nunca adaptação, em várias direções. Estamos sendo convocados a uma reinvenção sem precedentes na nossa história. ” Na bruta”. “Na marra”.  “Na saúde”.  Em escala mundial.  

Conforme informações da BCG, a taxa de mortos no Brasil dobra a cada dez dias e a comparação com outros países colabora para o aprofundamento e análises, pois trata-se de um momento crítico. Veja:

BCG – Boston Consulting Group

Escutei um dos governadores do Nordeste do Brasil, onde há uma aceleração da contaminação,   clamando pelo cumprimento:  “Pelo amor de Deus,  fiquem em casa”.  Os impactos podem ser maiores para os que demorarem a assumir posições firmes e efetivamente entrar na guerra.  As curvas de contaminação e mortes escancaram isso.    E dai? Mãos à obra. Acionamento emergencial da guarita da consciência.  Sinal de continência e procure seu posto.  Fica na trincheira da tua casa!

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O barulho do andar de cima

Ele ou ela, não sei.  Só sei que corria no andar de cima.  Insistentemente.  Tive dúvidas se seria alguém se exercitando.  !?!?!  Seria uma brincadeira de criança ou de bicho?  Gato, cachorro?  Uma verdadeira viagem  pra quem está há algumas semanas em distanciamento social.

picture from pixabay

Acho que prefiro ficar com a hipótese de alguém se exercitando. Assim usarei como um incentivo. (rs)  O vizinho de cima realizou uma proeza: conseguiu  “movimentar o esqueleto” dentro da nossa pequena casa.   Uma verdadeira façanha dado que atualmente moramos cada vez em menores espaços físicos e maiores espaços  de vida.     Méritos para ele.  Inovou pra não se entregar somente às guloseimas de uma cozinha disponível e convidativa dia todo. !! Ufa!!   Um parênteses:  os experimentos culinários e novos sabores são grandes prazeres.   Ponto para os chefes de cozinha, os peritos cozinheiros.

Não tive como não lembrar dos parques que adoro por aqui e que estão fechados.   Eu sempre brinco que são “meu quintal”.   Sei que daqui a pouco estarão de novo disponíveis pra gente se esbaldar.    Também recordei de quando morava em Minas e acordava pra correr.  Lugar lindo. No entorno de um pequeno lago!!  Certo que essa necessidade de reclusão nos ajuda a revisitar  o valor do que temos disponível em muitos aspectos.  A mente busca  rapidamente a liberdade.  A condição de ir e vir. 

O  fato é que aqueles passos rápidos e firmes do andar de cima me deram um empurrão.   Havia dias que eu não fazia exercícios aeróbicos  e meu corpo e mente cobravam alguma ação a respeito.  

Liberdade pode ser encontrada ainda que na mente.
Nos dias que se seguiram,   corri também.

Da

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socorro, pandemia “digital”

Pela manhã, antes de começar o trabalho será a live “X”. Na hora do almoço se as reuniões digitais do trabalho permitirem – sem “pit stop” para comer – terei a live “Y” e a tardinha tem aquela pessoa imperdível que eu admiro muito e que vai falar sobre um tema que preciso aprender pra melhorar minha performance profissional. Não posso perder. Ahhhh, a noite precisarei escolher pois haverão quatro lives importantes e legais ao mesmo tempo … SOCORRO!!!!

A utilização massiva da internet e dos seus atributos de conexão e comunicação cria possibilidades SENSACIONAIS. Abriu um espaço extravagante para o consumo de conteúdos dos mais diversos tipos e a custos acessíveis.

A tendência tecnológica apontada em seminários internacionais há mais de dez anos que mencionava o consumo em “qualquer lugar, qualquer dispositivo, qualquer hora” se materializou a uma velocidade impensada. São vários os fenômenos das aglomerações digitais. Marília Mendonça que o diga. rsss A novidade e a facilidade de utilização é tão grande que gerou certa avidez pelas práticas e o uso indiscriminado. Um verdadeiro fermento para carências humanas!!!

“não aguento mais tanta “live” e reuniões digitais a todo instante”.

Foi o que ouvi de amigos recentemente. Me disseram que estão muito mais sobrecarregados que antes, sem tempo para comer e organizar a vida direito. Antes o tempo de deslocamento era também o tempo pra pensar, organizar as ideias. Hoje ?!?!?! E com o agravante de que em tempos de quarentena essas pessoas assumiram adicionalmente as tarefas de casa e apoio aos filhos. Estamos convivendo com o “milagre da multiplicação de agendas” (rs). Os efeitos nocivos podem ocorrer na saúde mental e emocional.

Me lembro de quando a televisão aberta ainda dominava a sala de muitas casas dispersando a atenção de outras atividades mais interessantes e saudáveis. A tela só mudou de tamanho. Agora passou a morar na mão de cada um de nós. Os produtores e distribuidores de conteúdo atingiram uma escala mundial: nada mais nada menos que quase “TODO O MUNDO”.

Eu não sou louca de não reconhecer o poder da digitalização. Eu que sempre fui tecnófila. (rs). A tecnologia criou caminhos inovadores e em grande parte, muito mais produtivos para a realização em vários aspectos e setores. Entretanto, como ocorre nas curvas de aprendizagem, adaptações são necessárias. “Manual de instruções” (rss) Como lidar com isso no sentido de desfrutar de todos os benefícios inegáveis mas de uma maneira estruturada e positiva?

A competência humana “análise crítica” ou “pensamento crítico” passou a ser ainda mais “essencial” para a gestão do tempo e para o discernirmento acerca do consumismo digital. Um dos mecanismos analógicos e que, se aplicado ao digital pode contribuir muito é a utilização de curadorias. Pessoas ou instituições especialistas que têm a missão de reunir conteúdos relevantes, com profundidade e valor diferenciados.

“lives”, use com moderação.

Da

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Traços dos líderes genuínos e humanos

Num dia corriqueiro de trabalho João, um profissional sério e dedicado foi surpreendido com algo quase incompreensível. Foi advertido pelo seu superior sobre um email que teria enviado. Parece que uma frase no meio da mensagem escrita por ele teria despertado a “ira” do “chefe-mor” (do alto escalão) .

A menção feita por joão era algo quase banal e existia uma preocupação genuína dele ao dizer que deveriam aguardar um direcionamento para que o trabalho fosse encaminhado. Isso porque o projeto era de alta complexidade e eles, naquela posição da hierarquia, não tinham alçada para as decisões que se impunham. Eles realmente não tinham “autoridade” suficientemente outorgada.

Aí vem algo que costumeiramente ocorre quando o contexto reúne variáveis como poder, competência, comunicação e especialmente contextos humanos. Por detrás das posições corporativas existem indivíduos e junto com eles todo um arsenal de histórias, acertos, desacertos e até traumas, egos.

Aquela “bronca” era uma surpresa aos olhos do João. Ele, ao escrever a mensagem entendia que estava valorizando e respeitando a posição daquela chefia. Entendia que não deveriam seguir sem que “o poder instituído” desse seu comando e parecer. Mas ao contrário disso, a percepção do superior era de que o profissional estava “dizendo o que o chefe deveria fazer”. Por algum motivo a frase remexeu em algo seriamente abalado dele, talvez acordou questões de “ego trêmulo” e provocou um “quem ele pensa que é”, “quem manda aqui sou eu”, “não aceito subordinados me dizendo o que devo fazer.”

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Nesse caso, assim como em inúmeros outros na história de empresas e executivos, a comunicação por mensagem escrita provocou entendimentos contraditórios. Pontos de vistas absolutamente diferentes sobre o mesmo fato. Essa história voltou à tona nesses tempos de pandemia e que tenho assistido o presidente da república repetir várias vezes a mesma frase, ainda que com outras palavras: “quem manda aqui sou eu”.

“Ser líder é como ser uma dama: se você precisa provar que é, então você não é. ”

Margareth Thatcher

Em momentos de grandes crises as pessoas, especialmente as que ocupam cargos de gestão pública ou privada são convidadas a apresentar suas competências, suas habilidades para lidar com adversidades de toda ordem. Escancaram suas carências de desenvolvimento enquanto humanos e gestores.

Me fez lembrar também de um determinado período profissional quando cheguei a pensar que “acreditar nas características humanas dos líderes” fosse puro romantismo ou um olhar com óculos “cor-de-rosa” demais. Via uma combustão de interesses diversos. Meio que uma ingenuidade instalada pensar na bondade e generosidade de algumas mentes. Isso porque estava convivendo com muitas situações criticas e até cruéis. Percebi que me molestaram emocionalmente. O mais incrível é que foi daí uma grande oportunidade de aprendizado. Me levaram a um aprofundamento sobre comportamentos humanos como eu nunca havia estudado. Vi percepções caírem por terra e muitos conceitos positivos sobre liderança foram colocados “sob judici”.

Esse amadurecimento de conhecimentos foi extraordinário. Uma das lições da época, na história do João que contei, é que pude comprovar algo que já havia lido: chefes ou gestores não necessáriamente são líderes, embora ocupem posições de autoridade e responsabilidades maiores. E o contrário, na maioria das vezes é verdadeiro. Líderes em geral são bons gestores.

Recentemente lendo o livro que conta a admirável história do Starbucks, me deparei com várias questões sobre escolhas na liderança. compartilho um parágrafo que grifei, entre outros tantos:

“Os céticos sorriem maliciosamente quando me ouvem falar em “tratar as pessoas com respeito e dignidade”, uma frase que posteriormente incorporamos à Declaração de Missão da Starbucks. Eles acham que é papo furado, ou uma realidade evidente. Mas algumas pessoas não vivem conforme essa regra. Se eu sinto que uma pessoa sofre com falta de integridade ou princípios, encerro qualquer acordo com ela. A longo prazo, não vale a pena.

Schultz, Howard. Dedique-se de coração (p. 99). Buzz Editora. Edição do Kindle.

Sigo em outros escritos e postagens nesse tema que está entre os meus preferidos..

Atéeeee..

Da

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#EI – Novo mundo

“Defrontamo-nos com uma nova realidade, tanto individual como coletivamente. A mudança se dá porque o mundo humano tornou-se instável e não mais sustentável. Mas a revolução da realidade abriga uma oportunidade única: essa é a primeira década da história que nos oferece a escolha entre ser a última de um mundo desvanecente e obsoleto, ou a primeira década de um mundo novo e viável. A realidade emergente é radicalmente nova, intrinsecamente surpreendente e anteriormente imprevista. Vivemos a era da macromudança.”

 Ervin Laszlo em seu livro “Um Salto Quântico no Cérebro Global”

citado no artigo “Liderança Holística”, Exame Digital https://darlenedutra.com/2019/10/18/sobre-lideranca-holistica/

Dias nublados

Hoje o dia amanheceu sem sol. Não é o sol de fora. É o aqui de dentro. Aquele que ilumina a alma. Acho que é tristeza. De ver tantas perdas mundo afora. O meu sol está vestido de uma palidez estranha. Só de pensar nas muitas pessoas que já estão lá fora lutando contra as mazelas do vírus. médicos, enfermeiros e profissionais de saúde deixando suas casas logo cedo rumo ao trabalho sem ter certeza do que está por vir.

Quantos mais estarão nas listas dos hospitais no fim do dia. Não sei se posso chamar de desafio ou se seria mais adequado chamar de uma missão de fé. Nno fronte nem todos conseguem executar seguramente seus ofícios. Esse momento exige equipamentos de proteção especiais para evitar o contágio. Que condições delicadas as deles! A falta de material adequado é um dos gargalos noticiados em todos os países. Imagine nos subdesenvolvidos cuja estrutura já não atendia as necessidades mesmo antes de tudo.

Eu, como a maioria, só tem que ficar em casa. É a maior das contribuições. Não ser agente transmissor.

Ontem o número de mortes subiu mais de quarenta por cento. Sim, esse dia sem sol fala muito. Fala de medo. Fala do desconhecido. Fala de perdas. Eu soube do que o Dudu fez a noite lá no centro da cidade de São Paulo. Por volta de dezenove e trinta da noite ele começou a tocar a música “Imagine” dos Beatles na sua janela. Em seguida vieram outras canções. Ele ficou ali acalentando e compartilhando com a vizinhança por mais de trinta minutos. O som enternecido e vibrante tomou conta dos ares naquele instante. O coro foi a resposta de tantas outras janelas. Um verdadeiro sopro de luz, uma acolhida pelos ares. É algo que comove. É como se nesse momento um círculo se formasse. Sempre digo que a música tem o poder de tocar frequências humanas inimagináveis.

Arte e Arquitetura: "Janelas do Mundo" / André Vicente Gonçalves ...
imagem de https://www.archdaily.com.br/br/775067/arte-e-arquitetura-janelas-do-mundo-andre-goncalves

Tive vontade de conhecer e conversar com o Dudu. Saber mais dele, como está vivendo esse momento e o que pensou ali ao unir-se a tantos pelos acordes. Atitudes como essa, de gente como a gente, sensibiliza. Me faz reafirmar a crença na bondade das pessoas. Tem uma frase que me acompanha há algumas décadas: “há gente boa em toda parte”.

Em todo canto do mundo. 

Em muita janela.  

Da.

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SURTO

Tem dias que nem ele próprio se aguenta e parece que algo sacou-lhe o eixo central do corpo. Cambaleia. Uma ausência de si mesmo, um lapso, talvez. Registra sinais rasos de certa impaciência ou uma ligeira e persistente irritação. A mente procura em tudo que é canto, atividade ou conteúdo uma forma de sair dessa combustão.

Image by Harpreet Batish from Pixabay

Algumas distrações tentam ludibriar o olhar aproveitando um filamento ainda vivo de interesse. Vários recursos saltam da cartola: meditação, música, estudos, leituras e filmes; todos companheiros pertinentes.

aEle sente a bola na boca do estômago. Ela grita. Seja lá o que for que estiver atravessado ali está fazendo questão de bem manter-se acordada. Aliás, por falar em acordado a noite dele não foi lá essas coisas. Sono entrecortado. Ele pensa que talvez possa ser isso. Sua mente vagueia escarafunchando razões para essa visita indesejada. Uma coisa meio fora de ordem.

Mas quem é que manda em quem?

Uma frase de Karen Vogel lhe vem à tona: “Quando a gente busca a paz, isso tira a paz.” e nessa conversa veio a Ana dizendo que brigamos o tempo todo com a gente mesmo por não querer sentir certas coisas. É fato que evita-se sentir o que provoca o nó na garganta.

Há mais de quinze dias em quarentena e suas saídas de casa só ocorrem para questões essenciais como mercado e farmácia. Seu corpo anseia por movimentos e os poucos exercícios físicos não parecem suficientes para destampar o barril. Algo ofusca-lhe o raciocínio…. O homem é um ser social. Isolamento parece vir na contramão da sua natureza.

Angústia ou quarentena? Qual dos dois vem primeiro?? rs..

Mas por que é que em dias como esse a solução passa longe de tudo que é alternativa normal? Muita calma nessa hora! (rs) É ela que vai colocar todas as coisas no lugar. Mentes turbulentas não pensam direito… só executam, impostam na vida.

Para. Senta. Tenta o silêncio.
Se acolhe. Só seja. E sente.
Escreve.
E alí no processo de dar a forma de palavras ao pensamento começa nascer a clareza e a mente inicia sua viagem de volta ao corpo.

Pois é.

(Crônicas de Darlene Dutra)

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Lua estrela

Bastou a roupa chegar da lavanderia pra eu me lembrar da minha afilhada. E não foi porque ela hoje tem lavanderia. Recordei dos muitos anos morando juntas, dividindo tantas vivências, conquistas, dificuldades, dias bons e os outros nem tanto. Muitos socorros recíprocos… Ela presenciou muitas de minhas lutas e eu, as dela. Nos dias mais duros não precisava nem conversar. O silêncio de saber que ela estava lá já bastava. Outras vezes era tanto riso, daqueles de doer a barriga e de chorar. Motivos tínhamos aos montes, dos mais elevados aos mais tolos… AHHH que o digam as “lagartixas”.

Hoje ao bater os olhos na toalha de banho “de céu” que ela usava – cheia de estrelas e lua – foi o suficiente pra despertar imagens de tudo que jeito, dos bilhetes afetuosos e de tudo que fez a gente aprender tanto juntas. Talvez eu precisasse de mais uns anos dessa convivência pra aprender as matérias das aulas que eu faltei. Enfim.. a vida é uma eterna escola.

Minha estrela cresceu, formou, se casou e tornou-se mãe. Parece que foi ontem de tão rápido. Assumiu mais e mais responsabilidades. Agora é ela que tem desfrutado dos mesmos privilégios que eu ao conviver com seus afilhados bem de pertinho. Aproveite, porque depois eles crescem e se vão.. (rs) Amo vc!

#EI – Medida de competência

“A medida final de um homem não é onde ele fica nos momentos de conforto e conveniência, mas onde fica em fases de desafio e controvérsia. “

MARTIN LUTHER KING JR.

Martin Luther King: quem foi, biografia e discurso - Toda Matéria

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Curar

E as pessoas ficaram em casa
E leram livros e ouviram
E descansaram e se exercitaram
E fizeram arte e brincaram
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam
E ouviram fundo
Alguém meditou
Alguém orou
Alguém dançou
Alguém conheceu sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E pessoas se curaram
E na ausência de pessoas que viviam de maneiras ignorantes,
Perigosas, sem sentido e sem coração,
Até a Terra começou a se curar
E quando o perigo terminou
E as pessoas se encontraram
Lamentaram pelas pessoas mortas
E fizeram novas escolhas
E sonharam com novas visões
E criaram novos modos de vida
E curaram a Terra completamente.

Um poema de Kathleen O’Meara (1839-1888)

POEMA ESCRITO EM 1869

#EI – Mais fortes, mais doces, mais humanos.

Sonhe com o que você quiser.
Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

Clarice Lispector

Emirates – Dubai (fev-2020)

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Fora de controle – grounding #end

Não havia completado vinte por cento do meu plano, estava no meio de uma jornada interna e cultural pelo sudeste asiático e eu me via numa interrogação diária e constante: é hora de voltar? Monitorava as informações regularmente e o que acontecia à minha volta começou a me inquietar mais seriamente. A última cidade onde estive o uso de máscaras era o mais usual nas ruas. Até que uma mensagem do meu filho acionou o meu gatilho de decisão. As fronteiras aéreas começaram a ser fechadas pelos países. Proteger-se era o mais prioritário. Era chegada a hora de cuidar-se.

Retornei pra casa tão logo consegui organizar a logística. Entrei no grupo de risco e me testei. Negativo. Mas pude ampliar ainda mais minha percepção sobre o perigo e sobre o que está ainda por vir.
(https://darlenedutra.com/2020/03/13/eu-e-o-covid-19/)

Impensável é a palavra para a pandemia do COVID-19 pelo mundo afora. Se pairava alguma dúvida de que chegaria a todo canto, dizimou-se. Dados e informações são despejadas em toda parte: realidades, preventivas, alarmistas e outras.

A questão está e permanecerá fora de controle e o que toma a pauta principal é o nível de incertezas e impactos imediatos. É praga pra tudo que é lado. No fim disso tudo a maioria de nós terá conhecido pessoas afetadas de várias maneiras. Muitos serão os que nos deixarão por conta disso.

A verdade é que nunca mais seremos os mesmos.

As pessoas vão mudar, as cidades vão mudar, os países, o mundo.

Minha esperança é que essa pandemia amplie significativamente o nível de consciência, de irmandade e solidariedade entre os povos.

Que as indesejadas perdas, dores, restrições e tristezas nos acordem para o que de fato importa.

Que a transformação traga evoluções significativas e nos torne mais humanos.

Sempre.

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COVID-19 – grounding #13

“Estou te ligando pra dizer que ninguém poderá levar suas compras e deixar na sua porta. Já falei com todos os colaboradores do prédio e ninguém se dispôs. Ninguém quer ficar doente. Eu gostaria de ajudar mas já tenho idade avançada e sou do grupo de risco.”

Era o porteiro do meu prédio me dizendo que não seria possível colocar meu pedido do supermercado no tapete do lado de fora do meu apartamento. Era o meu primeiro dia de “isolamento social” até que saísse o resultado do teste para o Covid-19. Os meus sintomas (gripe, tosse, vias aéreas e etc) e as informações da expansão do vírus pelos países que passei foram suficientes para o meu enquadramento no grupo de análise / risco.

Resultado de imagem para foto covid

Eu havia desembarcado na noite anterior – suspendendo um programa de viagens por conta disto – vindo da região da Asia e fui ao hospital na primeira hora da manhã seguinte; estava preocupada e não gostaria de eventualmente ser um agente de propagação. Ao conviver nos últimos dias com esta gripe chata, optei por viajar de máscara até chegar em casa, protegendo as pessoas do meu entorno.

Quando cheguei lembrei logo da expressão “buraco de cobra”, (rs) porque era exatamente assim que minha geladeira estava: vazia. Fiz um pedido pelos aplicativos de entrega. No meu prédio não é permitido a entrada de entregadores aos andares. Expliquei pelo telefone ao porteiro o que estava ocorrendo e que eu precisaria de uma flexibilidade. Hmmmm, sem sucesso.

Senti na pele o que muitas pessoas sentem quando são discriminadas de alguma forma. Refleti o quanto a crise e o pânico sobre Covid-19 podem impactar parte da nossa “humanidade”, talvez por instinto de sobrevivência, por desinformação ou incompetência para lidar com a situação.

Enfim, os desdobramentos envolveram amigos e sindicos para orientação da equipe de colaboradores em como proceder para esses casos. Compartilho isso porque daqui pra frente, se as informações divulgadas nos meios de comunicação estiverem corretas, iremos conviver com uma série de momentos como esse e precisaremos estar preparados para as melhores condutas, orientar os colaboradores, equipes de trabalho, para que seja uma experiência humana e de valor.

Todos com o mesmo objetivo – proteção da vida. Simples assim.

O teste? Negativo!. … Ufa!!

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#EI – Momento

Enquanto eu fiquei alegre,
permaneceram um bule azul com um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,
constituindo o mundo pra mim, anteparo
para o que foi um acometimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo
alegre do que triste. Melhor é ser.

Poesia da mineira Adélia Prado

Sobre ser vulnerável – grounding #12

A lombada da rua Nossa Senhora da Conceição era minha pista de patinação com faixa de chegada dentro da garagem de casa. Lembro de ser uma criança livre que ousava em várias situações e estripulias, o que me rendeu marcas na pele: pontos na testa, no queixo e atrás na cabeça; sem contar as repreensões.  O par de patins era daqueles antigos de amarrar e ajustáveis embaixo do pé, (Ahhh) e como eu gostava deles!! A ciência diz que a gente carrega para a vida adulta muitas das características que desenvolvemos na infância. Naquele tempo já vestia o espírito meio aventureiro. Meus pais que o digam…rs

“uma história contada é uma vida vivida.” (foto do google)

Sou muito grata por ter tido o privilégio de viver infância de muita qualidade, provida de elementos fundamentais numa criação: valores morais, princípios, recursos diversos, limites e muita liberdade para crescer, criar e experimentar. Eu faço questão de compartilhar aqui e me reconhecer hoje nos meus traços da infância porque nesses últimos meses várias destas características foram iluminadas e estiveram “sob judice”, à medida em que fui tocada por questões e escolhas.

Algumas delas: “Você tem coragem de ir sozinha?  Não tem uma amiga que toparia ir junto?  Você vai partir sem data certa pra voltar? Como você consegue fazer isto sem ter um plano prévio detalhado?  Você está indo para lugares complicados onde ser mulher pode ser um problema. Já pensou nisso?  E o “coronavirus” se espalhando?  Você está indo para perto da origem do vírus,  lugares considerados críticos e você não está com medo?”

Todas elas foram oportunas e afetuosas além de demonstrarem o quanto essas pessoas se preocupavam, se interessaram por mim e confesso que por uma,  duas ou mais vezes o desânimo me percorreu. Me detive a analisar os meus motivadores e conclui ser absolutamente normal um certo “balançar” diante de um desafio cheio de incertezas.  “Quem nunca?”

Referindo-me às questões digo que sim, que tenho medo, assim como todas as pessoas mas tenho também coragens absurdas como diz Clarice Lispector. (Bem lembrado pela amiga Cláudia Senna =)) Optei por ir só porque atualmente estou nessa condição e livre de algumas ocupações; e não considero isto negativo. A solitude tem seu lugar de destaque e importância na vida de todas as pessoas. Quem não precisa, por vezes, ficar consigo mesmo?

Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não propriamente um estado de solidão. Pode representar isolamento e a reclusão voluntária ou impostos, porém não diretamente associados a sofrimento. Uma distinção foi feita entre solitude e solidão. Nesse sentido, essas duas palavras se referem, respectivamente, à alegria e à dor de estar sozinho (fonte – Wikipedia)

Sobre as incertezas e ausência de um plano detalhado este é um dos elementos dessa jornada: definida a direção deixar fluir conforme os acontecimentos; ajustando os ponteiros na medida das minhas realizações e observações pelo caminho.   Bem diferente de uma viagem nos moldes tradicionais, que têm como objetivo principal o turismo. A ideia é viver um pouco em outros lugares.  Talvez eu possa mesmo dizer que escolhi experimentar um  “estilo de vida”,  uma atitude diferente por um tempo. Algo que me acrescenta em conhecimentos e novas perspectivas.

Google images

Incertezas e situações inesperadas temos todos os dias independente do lugar onde estivermos e é obvio que em lugares muito diferentes com contextos culturais distintos a chance de ocorrências aumenta, entretanto penso que posso lidar com isso como mecanismo de aprendizagem. Sobre visitar lugares com histórias discriminatórias é uma oportunidade para “olhar de perto” temas tão relevantes e pelos quais tenho cá meus interesses: universo feminino, estilos de vida, escolhas, desenvolvimento humano, liderança, visão estratégica, empreendedorismo, entre outros.

A expansão do vírus “Covid_19” é um dos fatores mais limitantes desta empreitada por ser algo novo em plena expansão no mundo, cujo impacto ainda está por ser conhecido. Escolhi acompanhá-lo mais de perto e caso identifique algo que julgue muito crítico tenho a opção por mudar a rota. Por que não? Mérito do meu filho que me faz pensar constantemente sobre.

Um “amontoado” que me deixa vulnerável claro, porém isso significa estar aberta a viver situações mesmo que impliquem riscos,  mas que ainda assim promovam valores de vida, evoluções e crescimentos que façam sentido pra mim.   “Safe travels” ouvi de um amigo recente; e é por ai. “thx dear”.

Gosto e consinto com Bob Marley quando diz que você descobre que ser vulnerável é a única maneira de permitir o seu coração a sentir o verdadeiro prazer que é tão real que te assusta. – “You find that being vulnerable is the only way to allow your heart to feel true pleasure that’s so real it scares you. You find strength in knowing you have a true friend and possibly a soul mate who will remain loyal to the end.”

A  criança dos patins vai levar muitos pontos pela vida afora. Ela foi. Ela vai sempre. Ela adora ir.

Darlene

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Viajar! Perder Países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

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Mulheres, menstruação e etc – grounding #11

Eu me vi por várias vezes confirmando o meu entendimento do  “inglês nepalês” durante um café numa aldeia do interior do Nepal. O mais crítico era que estava correto, embora preferisse que não, porque foi durante estas conversas com um guia nativo, que me deparei com questões culturais difíceis de acreditar para o meu modelo mental.

A história conta que “elas”, as mulheres nepalesas, em muitas dessas aldeias são obrigadas a saír de suas casas uma vez por mês, de cinco a sete dias, enquanto passam pelo período menstrual.  Desconvidadas ao próprio lar elas precisam se abrigar do frio,  por sua conta e risco, em pequeninas cabanas, muitas construídas por elas próprias ou em currais nos fundos de suas casas.  São consideradas tóxicas e impuras para convivência durante esta fase com o argumento de que são portadoras de má sorte.  Dizem algumas pessoas locais que caso elas entrem nas casas das famílias três coisas ruins acontecem:   a entrada de um tigre, o incêndio da casa e o adoecimento do dono.

Trata-se de uma crença milenar, em parte do Hinduísmo,  conhecida por  “chhaupadi” – significa impureza – e que ainda perdura nos dias atuais, principalmente nas menores aldeias do interior do Nepal, onde um desenvolvimento mínimo ainda está longe de acontecer,  onde há muita pobreza e pouca escolaridade e onde as crenças, os costumes e hábitos têm uma presença forte que chega a estarrecer.    Muitas mulheres, principalmente as  jovens,  chegam a morrer nesses abrigos temporários seja pelo frio,  pela inalação de fumaça (que acendem para se aquecer)  ou vítimas de ataques de animais.

Transcrevo aqui três depoimentos de jovens nepalesas citadas numa reportagem do Jornal de Notícias, de 11.02.2018, texto de Rita Salcedas.

As mulheres do lugar também passam por uma outra situação de discriminação quando se tornam esposas e recebem uma marca no alto da cabeça.  Caso venham se separar por algum motivo ou tornem-se viúvas nenhum outro homem se aproximará mais delas por acreditarem que elas emanam má sorte e coisas ruins podem lhes acontecer.

Meus passos foram lentos e um tanto reflexivos numa destas aldeias ao constatar um estilo de vida  bastante arcaico, primitivo e dominado por crenças;  absolutamente precário no que se refere ao saneamento básico onde a água  para beber ainda é capturada de cisternas (estudo em 2015, pela National Planning Comission menciona que somente 37% das casas nepalesas possuem rede sanitária – fonte no final), e o banho – não sei bem como – ocorre num local público coletivo. 

Sobre a questão feminina no Nepal ainda existem outras realidades merecendo uma atenção especial, como o casamento de crianças, embora seja uma ação ilegal. O jornal da cidade (The Kathmandu Post) fez uma reportagem sobre esta prática frequente nas comunidades próximas não obstante as inúmeras campanhas e esclarecimentos que são feitos. Muitas delas interrompem os estudos para casar e morar com seus maridos. Pessoas da comunidades “Chepang” acreditam ser econômico casar as crianças mais cedo, elas tornam-se força de trabalho extra.

Recorte do “The Katmandu Post”, de 07.03.2020

Sobre estas práticas o governo federal anunciou um plano de erradicação de casamentos com crianças até 2030, mas algumas províncias são mais ambiciosas e querem alcançar a meta ainda em 2022.

São acontecimentos e evoluções de uma nação em meio a um verdadeiro caldeirão de tradições, religiosidades, crenças e superstições que além de milenares são adimensionais.  

Levei um tempo “processando” tudo que vi e ouvi ponderando sobre como ainda existem tais realidades em pleno século XXI quando o acesso às informações de toda ordem está em franca expansão pelas redes. Para o meu jeito de pensar foi difícil ver como as fortes crenças movem uma cultura, uma sociedade,  e as dificuldades de mudanças arraigadas nas mentes. Muitas jovens (cabanas menstruais), em detrimento de uma maior consciência e mais esclarecimentos  acabam por seguir as tradições  para não perder os vínculos familiares,  por vergonha ou por pressão social.  As superstições ainda amedrontam muito as pessoas.

Tendo em vista tudo isso os movimentos voltados a promover mudanças culturais  e de direitos humanos têm se apresentado mais fortemente. Leis foram instituídas penalizando as práticas da “cabana menstrual” mas a sociedade ainda não está totalmente adaptada à sua aceitação e principalmente à sua prática. Em 2008,  o Ministério das Mulheres, da Criança e Previdência Social promulgou diretrizes nesse sentido, mas considerou a adesão incompleta.  Ativistas de direitos humanos tem atuado para que a aplicação da lei seja efetiva e o governo posiciona-se contra este costume, tendo registrado em 2019 uma primeira prisão relacionada a esta prática com muitas controvérsias por parte da população  (saiu mediante pagamento de fiança).  A percepção é de que as pessoas não se importam e alegam que estes costumes são parte da cultura delas. 

Um dos guias com os quais conversei demonstrou ter  uma visão clara deste panorama e os considerou impróprios completando sua visão sobre a lentidão em que ocorrem as mudanças.   Ele deposita sua esperança de transformação para o futuro nos jovens que estão estudando e estão mais esclarecidos. 

Pois é. Isto ainda existe.

Sabe aquela frase do Klink que menciona que  “deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”.   Então, eu estive aqui.  E a palavra que não me escapa da mente hoje é liberdade.

Deixo uma pauta hoje:  Sempre estamos inseridos na nossa cultura de origem, lugar onde nascemos e vivemos a maior parte da vida e isto de certa forma nos “anestesia”  e nos deixa  “acostumados”  a uma série de costumes, hábitos, crenças e etc.   Na sua visão o que seria “prioritário”  em termos de “mudança cultural” para uma evolução mais rápida do nosso país? 

Me escreva e conte o que pensa!!!

Até sempre por aqui.

#euestiveaqui #groundingaroundtheworld #humanidadespelomundo #grounding #desenvolvimento humano #humanidades #darlenedutra #multiculturalidade #conhecimento #knowledge #nepal #mulheres #cabanamenstrual #casamentoinfantil #culturaregional #women

Leia mais sobre este e outros temas da região aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/06/140619_deusa_nepal_mv

https://oglobo.globo.com/sociedade/celina/mulheres-do-nepal-morrem-por-causa-de-tabu-sobre-menstruacao-24162611

https://noticias.r7.com/internacional/nepal-tenta-acabar-com-habito-de-exilar-mulheres-na-menstruacao-27012019

https://www.publico.pt/2019/12/27/impar/noticia/nepal-luta-cabanas-menstruais-mulheres-terem-morrido-causa-pratica-1898580

Descanso e quietude – grounding #10

Ontem vi o sol nascer em Nagarkot, uma aldeia a 32 km de Catmandu, com em torno de 5000 habitantes e 973 residências.  Começamos a viagem por volta de cinco horas da manhã e era noite ainda.  Embora fosse perto a previsão era de uma hora para alcançar o “posicionamento” que seria alto o suficiente para permitir desfrutar da vista das montanhas.  Ao subir pela estrada de chão super estreita e sinuosa (um carro de cada vez..rs. )  entendi  melhor a previsão.   O motorista habituado ao local acionava a buzina nas curvas perigosas como forma de aviso para quem viesse do lado de lá…. (vixe). Esta viagem me colocou mais perto ainda da vida desse país.  Confesso que preciso “processar” um pouco mais minha leitura pra escrever sobre isso.   Não quero que meus preconceitos e crenças afetem muito essa minha análise. De alguma forma eu sei que estarão impressos pois vemos com os olhos do que temos dentro de nós.   .

Sunrise at Nagarkot, Nepal

No alto daquele lugar, com um frio intenso e uma indesejada cerração, tive o privilégio de contemplar o sol nascer atrás das suntuosas montanhas como nunca havia visto antes. A natureza fazendo seu belíssimo espetáculo. Eu fiquei feliz e grata por ter conseguido um celular mais equipado quando passei pelo Qatar pois foi com ele que pude registrar esta linha dourada do horizonte. (Deixei de carregar minha adorável câmera por conta do peso e esforço físico requerido). Ao viver isso lembrei de uma frase que encontrei outro dia, do poeta italiano Cesare Pavese: “Não nos lembramos de dias, nos lembramos de momentos.” Este com certeza me lembrarei sempre – “momento dourado”.

(Here comes the sun) – Observation point, Nagarkot, Nepal

Meu corpo hoje acordou pedindo descanso: mais quietude, mais leitura, mais escrita e mais calma, e vou respeitá-lo.  Não tenho pressa e definitivamente não estou correndo pra alcançar nenhum prémio. (rs)  Nepal é um lugar árido e de muito pó pelo ar.  Ao caminhar pelas ruas sinto a sequidão pelas vias aéreas e meus olhos por vezes ardem. Tenho receio ou medo mesmo (rs) de adoecer. Se isto vir a acontecer posso ficar insegura por estar longe do meu contexto e sozinha.  Associo esta preocupação  à crise do vírus “Covid-19” cuja origem está bem concentrada na Ásia onde estou. Após várias análises e ponderações, inclusive dos filhos e familiares, decidi permanecer no caminho proposto. Acompanho diariamente os movimentos de expansão do vírus pelos países, como sei que preciso me cuidar pra não reduzir minha imunidade.  Não tenho mais o vigor dos vinte anos e nesta experiência  um dos requerimentos  é seguir o meu próprio ritmo.  

Ao descanso…

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#EI – Dá-me tua mão

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector

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O oriente médio – grounding #8.1

Não guardava muitas expectativas em relação à península árabe.  Diferente de outros países e regiões que me acordavam alvos e interesses específicos.   Mas percorrendo cada um dos lugares, conhecendo suas histórias e me aproximando das suas realidades sintetizo em uma palavra:  SINGULAR. Gosto de escolher uma palavra que represente os lugares. rs

O petróleo, como grande fonte de renda, foi o responsável pela grandiosa alavancagem econômica e social daquela região.  Ao longo das últimas décadas construíram lugares totalmente novos,  com um nível sofisticação e design que impressionam.  

Os Emirados Árabes especialmente (capital Abu Dhabi) abriu-se ao mundo.  Demonstrou uma visão de futuro e de longo prazo.  Vislumbrou um projeto ousado (e “abu”sado – uma apologia a Abu Dhabi) capturando competências externas ao seu país. Empreendimentos deste porte (grandes e rápidos) necessitaram de muitas equipes e contribuições. Gente de muitos países (mais de 150)  moram e trabalham ali.  

Do deserto à imponente modernidade.

Se formos extrapolar a análise para o  sistema político,  geografia de decisões,   hierarquia de poderes e desafios sociais, certamente teremos conteúdos para vários livros.   Rs. Não é o foco aqui.

De forma “simples e compacta”  elenco alguns aspectos que me chamaram a atenção.   A concentração de decisão aliada ao poder econômico,  a visão de futuro, a estratégia de longo prazo  e capacidade de realização. Todos aspectos extraordinários do que presenciei.   Ouso traçar um paralelo com as organizações.  Quando crescem muito rápido acumulam alguns impactos e conhecidas “dores do crescimento”. 

Talvez os maiores desafios desses resultados e conquistas não sejam físicos, pois já demonstraram uma competência fantástica,  sejam ligados aos “humanos”.  Especialmente aos direitos das mulheres.  Algumas regiões estão mais transformadas que outras, mas ainda assim, dependendo do país, existem restrições e diferenças nas tratativas entre gêneros e escolhas individuais.     

A abertura  e  atrativos para atrair força de trabalho, por exemplo nos Emirados Árabes,  é inquestionável.  Entretanto,  ainda apresentam diferenciações na tratativa das pessoas. Por exemplo:   as placas de carros identificam se os proprietários são da região (nativos), se são da família real ou se são estrangeiros.   Conheci algumas pessoas que estão trabalhando nos Emirados há muitos anos. Relataram que   ‘gostam muito’ .   Pretendem permanecer pelas excelentes condições de vida e oportunidades que oferecem.  “Um país estruturado como este, que oferece este tipo de qualidade de vida, trabalho, segurança, educação;  de tudo para as pessoas,  é raro.”.  Estas são palavras de Lorena, uma mexicana, que mora há oito anos e não mede os elogios.

Enfim…  grandes aprendizados. Valeu muito a pena..

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“Pare” para olhar… – grounding #9

Logo quando desci do avião percebi que a experiência nesse país seria um tanto inusitada. Aglomerado de pessoas, vendedores, taxistas, gente pra tudo que é lado  e barulho.  Muito.  Informações claras e aparentes??  Ahhh está pedindo muito.  Muitas divergências, sim.  Ali, naquele momento pensei que eu deveria me “reprogramar” para a experiência.   Precisava preparar os olhos, o coração e a mente.  Como profissional de tecnologia da informação,  identifiquei que seria necessário um novo “software”.   Os últimos que implantei estavam absolutamente inadequados para esse projeto.  Nem “upgrade” ou “downgrade” seriam solução. 

Processo de reinicialização feito. Engenharia de requisitos (ufa) e gestão e expectativas revisados. Hora de ir atrás do que interessa. Gente. Cultura. Vida.  Adianto e afirmo que definitivamente este não é um lugar para pessoas cheias de “nove horas” e com um patamar de exigências e sofisticação.  Trata-se de um lugar rústico e de enormes carências. Mas cheio de energia… Deve ser por causa das montanhas.. ou das pessoas que as buscam pra escalar. Muito sonho por ali. rs

Uma fotografia rápida e primeiras impressões:  imagine um trânsito caótico.  Multiplique por cinco e adicione buzinas,  sinalização complexa ou inexistente,   vias internas e mais estreitas com todos os carros e motos circulando juntos em vários sentidos e  no meio de tudo, pessoas andando.  Aqui, na região do Thamel eu entendi bem o conceito de “ter jogo de cintura”.  Ou você tem ou você não sobrevive. (rs).  Também sobre competências específicas do lugar: direção maluca e defensiva. (rs)   

Um país asiático pobre, com economia baseada na agricultura e turismo, situado na encosta da cordilheira do Himalaia. Apresenta condições de vida rústicas e precárias.  Nas minhas pesquisas li que possuem altos níveis de fome e pobreza. É visível. E lamentável também.

Conectei estas informações com a quantidade de asiáticos trabalhando em vários países mais ricos e próximos por onde andei. Ampliei minha compreensão sobre esses movimentos. A busca por oportunidades e melhores condições de vida certamente é o motivador.

Terra de gente simples, agradável pronta pra ajudar com um sorriso no rosto. Na maioria dos lugares o cumprimento usual é “namastêêê”.  Acompanhado muitas vezes, com uma expressão afetuosa.  Típico do sul da Ásia. Significa “eu saúdo você”. Etimologicamente, do Sânscrito, significa literalmente “curvo-me perante a ti” e é considerada a forma mais digna de cumprimento de um ser humano para outro.  

Num dos lugares históricos,  de pé ao meu lado, uma senhora pedia que eu lhe desse “apenas”  cem rupias nepalenses por uma bolsa artesanal.  Em torno de um dólar.  Assim como ela,  várias outras pessoas – muitas mulheres – na feira de rua tentavam tirar uns trocados pra sobreviver.  

Caminhei algumas horas por estreitas ruas e sem pavimentação.  Lotadas de pequenos e simples comércios.  Uma porta atrás da outra. Vi de tudo.  De “souvenirs”, tecido, costureiras, artesanato, livros usados, objetos tradicionais, pequenos câmbios (porque quase nenhum lugar aceita cartões de crédito), à  roupas usadas e calçados para trilhas e escaladas.  Observei também fisionomias,  traços cansados e por vezes,  olhares sofridos.

Por ali também encontrei jovens em pequenos grupos. Exercitando as tagarelices costumeiras da adolescência. Perguntei sobre o estruturado e formal uniforme (gravatas) que usavam. Me contaram que estavam vindo do colégio.  Fiquei surpresa e feliz de ver o valor dado à educação, um dos caminhos valiosos de transformação social.

Além de todas as questões esse país sofreu um terremoto que completa os contornos do lugar. Os inúmeros monumentos (em condições de baixa conservação, alguns atingidos no terremoto) são considerados acervos importantes pela Organização das Nações Unidas para Ciência, Educação e Cultura. Vários dos locais são apontados como patrimônios históricos e acervos da humanidade.   

Quer conhecer um pouco mais dessa realidade diferente e forte? Assista a um filme “a escalada”.

Como é impressionante as tonalidades de cada país. Eita  mundo carregado de contrastes gigantescos. Termino com uma frase que ouvi num filme esses dias: 

“Até os lugares mais feios podem se tornar lindos, desde que você pare para olhar.” Liz Hannah

Namastê.

Informações adicionais:

Nepal, capital Catmandu.

Neste país está o Monte Evereste, o ponto mais alto da terra, com 8848 metros, na fronteira com o Tibet. As principais cidades desta nação são, além da capital, a cidade-lago de Pokhara e Lumbini onde nasceu Sidarta Gautama, o Buda.

Em 2008, após uma década de protestos, houve a abolição da monarquia até então existente. O Nepal hoje é uma democracia representativa ( monarquia em transição) com sete províncias.  É um país em desenvolvimento.(145ª.posição no IDH – 2014). 
Estou torcendo por ele.

Fontes: Wikipedia  e   http://www.significados.com.br

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Gosta de ópera? – grounding #8

Se me perguntassem há quinze anos atrás eu diria que não.  Ouviriam um NÃO bem redondo.  Não mesmo.  Meus estilos musicais tendiam para um outro lugar.  Cada um com suas preferências em vários aspectos da vida, não é?

Ao optar por determinada logística em parte das minhas andanças (grounding around the world) eu já previa algumas das situações prováveis que viveria. Parte delas do meu agrado, outras não. Assim como como tudo na vida.  Nem sempre estamos e somos aderentes aos processos e estilos ao nosso redor.

Violin, Music, Score, Mozart

Daí a importância de se auto reconhecer.  Pensar nas suas escolhas.  Por vezes dizer não e outras e não menos importantes dizer SIM e adaptar-se ao contexto. Até porque senão a vida ficaria muito chata. Se tudo que não for da sua natureza irritar você,  ou tirar o seu humor…  Você viverá muito mal e não aproveitará milhares de detalhes e sutilezas existentes em todos lugares.

“O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma.”

Clarice Lispector

Há mais de uma década  acompanhando uma amiga querida em algumas andanças em países do leste europeu fui assistir com ela uma ópera.  Ela adora.   Mesmo não sendo uma escolha particular minha na ocasião,  eu era “companheira”.   Assim compartilhávamos programas de interesses coletivos.    Busquei compreender melhor o estilo musical,   as interpretações e as grandes peças.  Assisti a várias. As adaptações à essa circunstância me ensinaram a gostar do estilo.  Hoje,  elas fazem parte das minhas escolhas.

A vida de relações tem essa prerrogativa:  a de nos tornar pessoas melhores.  As pessoas da nossa convivência  produzem em nós,  novas opções,  preferências e gostos.   Nos ensinam. Somos mais porque as temos conosco.  

Women, Girlfriends, Nature, Walk, Friendship, Together

O caminho de adaptação a situações diferentes e não necessariamente nossas preferências continua sendo uma bela oportunidade de desenvolvimento e aprendizagem. Desde que haja, interesse, predisposição, obviamente.

Então,  assista ópera.

Até..

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As várias linguagens do amor – grounding #7

Éramos 15 agrupados por uma situação ocasional. Íamos passar algumas horas juntos sendo conduzidos por uma jovem árabe e um provável indiano.  No meio do caminho um senhorzinho contador de histórias, responsável por nos guiar durante a visita a um Museu de história árabe perguntou sobre os nossos países de origem e até, aquele momento,  nós mesmos não sabíamos uns dos outros. rs

E foi uma amostra no mínimo interessante.  Cada pequeno grupo (família, casais ou amigos) vinha de uma parte diferente: Holanda, Bélgica, Noruega, Finlândia, Suécia, Alemanha e eu, a única das Américas.  O idioma de comunicação transitava entre o inglês e o alemão.

Nunca havíamos nos visto antes e estávamos ali realizando uma empreitada com curiosidades ou interesses comuns. Me fez lembrar do termo Torre de Babel, nome também de um balé que assisti recentemente no Teatro Municipal em São Paulo.  Nisto pensei sobre as várias linguagens do entendimento.  

Que a verdade seja dita e escrita, rsss   Nessas andanças é usual encontrarmos com pessoas simpáticas e corteses como também, o inverso. Cruzamos com outras, que por vezes agem de formas desagradáveis  e mesmo grosseiras.  

E eu experimentei isto. Pouco tempo depois desta passagem agradável e multicultural a vida me chacoalhou. De onde eu menos esperava – de brasileiros, “irmãos” de idioma e de nação – ganhei uma “desconsideração”. Tamanha foi a deselegância a ponto de terem que esquivar-se da minha vista a posteriori.

Das lições que tenho guardado com apreço esta é uma delas:  não devo me deixar molestar por atuações como esta. Escolhas e condutas são individuais. Assim também são as responsabilidades. Eu prefiro, sempre que possível,  (porque ninguém é perfeito)  atuar com serenidade e o equilíbrio necessário.   Cada um com seus travesseiros.

Apaziguar a mente e erguer uma pauta de compreensão e amor não é corriqueiro.  Amar as pessoas que você gosta,  a  família,  seus filhos,  seus amigos… ahhhh isso é bom demais!! E fácil. Né não??   Agora amar a “humanidade” circundante, reconhecendo suas limitações e dificuldades, não é para “os fracos”, (rs)  porém, é possível.   É sobre ter consciência do que você é e sobre as suas escolhas.  É sobre ter auto gestão mental e emocional.  

O humanista Pecotche ensina: “Mude os pensamentos e você muda a sua vida”.  

Preferir não criticar e não reagir. Conseguir manter a mente calma – o que não significa não produzir emoções – é uma chave.  Somente nesse estágio de flexibilidade mental é possível lidar melhor com as situações. O silêncio,  a paciência e  a compaixão são excelentes companhias. Indicação de uso sem restrições. Comportamentos destrutivos que presenciamos são bons exemplos de como não agir.  Eu espero nunca  precisar esconder meu rosto e ter que evitar alguém por vergonha de minhas condutas indevidas.  Lutando por isso.

“O que você tem todo mundo pode ter, mas o que você é… ninguém pode ser.” Constanza Pascolato

E uma das chaves é pensar nas tantas almas boas por ai,  nas gentilezas da maioria das pessoas. Isso sim vale a pena!! Uma amiga querida escreveu esses dias no nosso grupo: “com viagens assim nunca mais voltamos para o ponto de partida… somos transformados.”.  Consinto totalmente com ela.  Experiências e histórias que fazem nossa humanidade bem melhor.

 A de dentro e a de fora de nós.

Até sempre… “in grounding”..

Darlene Dutra

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Sobre Noma – grounding #6

Ela me mostrou pelo celular as fotos de vestes coloridas e modernas usadas pelas omanenses. Explicou que elas eram livres para escolher a cor e estampas preferidas.  Um parênteses meu:  nisso, eram livres.  Compreendi e presenciei nas ruas que em situações cotidianas e profissionais o preto era o mais usual.   Por parte dos homens as vestes são brancas e nesta região muitos trocaram o turbante por um “cap”  característico do lugar. O turbante ainda prevalece e tem também uma caracterísitca mais formal. 

Foto autorizada por ela.

Ao ver realidades tão distintas nossa mente começa a fazer comparações instantâneas, quase que automáticas. Refletimos e valorizamos mais o nosso jeito de viver. Tem tanta coisa disputando o alvo de nossa atenção que a gente não para pra pensar nos hábitos e culturas de onde nascemos. Esta pequena experiência demonstrou com mais clareza a liberdade que nós,  povos de outras bandas temos para fazer uma série de escolhas. 

A jovem suave e dona de um olhar bondoso explicou logo no início  que não era uma profissional de turismo e que estava ali compartilhando seu tempo entre os estudos  e o ofício de mostrar Muscat (capital de Omã,  o único país do mundo que começa com a letra “O”) aos visitantes. Uma cidade com quase cinquenta por cento de nativos e a outra parte de estrangeiros.  

Noma nos levou a vários lugares e entre eles a grande e conhecida mesquita. Lugar de cultos religiosos do islamismo. Embora eu tenha ido preparada com uma saia bastante longa, (mostrava parte da minha perna e meus pés),  Eu e uma companheira norueguesa não fomos aprovadas. Foi necessário alugar.

Internamente uma bela arte de mosaico  enchia as paredes e o teto.  Detalhes em ouro concluíam um acabamento delicado. Lustres de cristais enormes e também finalizados em ouro. Chão inteiro coberto por  um tapete produzido especialmente pelas mulheres do Irã e “sem emendas” – o segundo maior do mundo com esta característica.   As tecelãs estiveram muito tempo no local  o tecendo.  Isto, na sala reservada aos homens.  A das mulheres,  bem menor e menos suntuosa.   Perguntamos sobre os motivadores da diferença.  Ouvimos que as mulheres, dado os seus afazeres em casa e com os filhos,  eram autorizadas a realizar a “oração” onde quer que estivessem. Também que a posição de oração é um tanto inadequada para estarem juntos.  E todos o fazem cinco vezes ao dia, em horários específicos ao som de uma música própria. Som que ouvi várias vezes nos Emirados,  seja na rua ou nos shoppings.

Estas visitas, independente da função do lugar e da minha concordãncia ou não, são valiosas para um mergulho na cultura. Algo que adoro fazer. Conhecer e conversar com gente. Saber como vivem, seus costumes, suas dores, suas artes. Sua expressão na vida.

Durante todo o percurso a atenção dela, da Noma era evidente.  Mais uma pessoinha boa no meu caminho. Observo esta característica especialmente nas mulheres.  Me parece uma conexão velada pelas afinidades de gênero. Nos entendemos em muitas coisas.

Aqui não foi diferente. Thx Noma.  

Saudações árabes, Da.

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Curiosidades:

Omã é uma “monarquia absoluta”, situada num ponto estratégico do Golfo Pérsico. Um dos dois únicos sultanatos no mundo.    O Sultão Haitham bin Tariq Al Said, em 1970  herdou essa responsabilidade do seu primo,  um dos maiores líderes do oriente.  Deu foco importante à educação (taxa de alfabetização em 2010 – 86,9%) como meio de desenvolver uma força de trabalho nacional, considerada pelo governo um fator vital para o progresso econômico e social do país. Hoje, existem mais de 1000 escolas estaduais e cerca de 650.000 alunos em Omã.

A religião predominante é o islamismo tradicional, com restrições.

Confesso que fiquei triste em ler sobre os “direitos humanos” em Omâ,  cujas práticas são bem complicadas,  se comparadas a outras áreas tão desenvolvidas.  Conforme registro na fonte que pesquisei, trabalhadores estrangeiros chegam a ser abusados por seus empregadores. (não conheços os detalhes dessa afirmação)  E no país, os atos homossexuais são considerados ilegais.

Omã tem como ponto alto da economia a exploração do petróleo e é classificado como uma economia de alta renda.

Fonte: Wikipedia –  

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Arábias – vestes contam histórias – grounding #5

Ao cruzar com “elas” pelas arábias eu observava seus olhos, sorrisos. Fisionomias. Algumas suaves, outras duras. Quantas histórias não deveriam estar alí guardadas debaixo daquele manto preto. Que fatores seriam predominantes e como seria a vida dessas mulheres.

Fui entender um pouco mais sobre as vestes compridas, utilizadas por muitas pessoas. As brancas para os homens e pretas para as mulheres. Elas ajudam a suportar os dias quentes de verão e as noites frias de inverno. Uma das suas histórias de uso remetem aos beduínos, no século XVII – cujo significado simplifico aqui como “pessoas do deserto”. São também expressões do islamismo. Cada local tem suas próprias suas próprias regras. Mais do que uma forma de vestir, representam estilos de vida e normas de condutas.

Ao visitar alguns destes lugares ouvi mais de uma vez a orientação para que não os fotografasse sem a permissão explícita. Isto poderia suscitar inconvenientes. Seria mesmo ofensivo. Assim, o fiz sem identificação.

Estar em culturas diferentes, independente das convicções pessoais e ideias, pressupõe observar e adaptar-se ao jeito de ser do lugar. Uma forma de respeito às diferenças. Sinônimos de educação e cortesia. Algumas das características adicionais: mesmo em regiões mais modernas, não é usual que homens e mulheres se dêm as mãos em público. Beijos de casal não são permitidos. Somente os homens se beijam como um cumprimento. Bebidas alcóolicas são permitidas aos não muçulmanos desde que sejam oferecidas em lugares específicos, como os hotéis. A visita a lugares considerados religiosos tem seus códigos próprios de conduta.

Voltando ao ponto inicial, o de observar as mulheres, esta experiência me fez pensar que neste contexto social a “objetificação feminina” não é tão indevidamente explorada como em alguns dos países ocidentais. Isto reduz as consequências danosas dessas abordagens mais físicas e aparentes que intelectuais ou emocionais. Taí, gostei!

Do jornal “the natíon” de 20.02.2020
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Península Arábica

Alguns dos nomes e estilos das vestes podem ser pesquisados aqui num rápido artigo da Super Interessante.

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“as viagens são os viajantes”

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

“Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo”. Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.

Fernando Pessoa

10kg pra viver – grounding #4

Me afirmaram ser possível viver somente com uma mala de 10kg por um tempo. Ao primeiro impacto a mente desacredita na ideia. Percorrer lugares tão diferentes com estilos próprios e climas diversos carece de um repertório um pouco mais pesado, pensei. rs Me avaliei com uma mentalidade bem tradicional.

Me lancei nesses exercícios. Olhei para o armário e defini poucas peças. As que coubessem numa mala de mão. Deveriam ser úteis para qualquer tipo de situação e por tempo indeterminado. Genéricas. Eu diria tratar-se de uma tarefa difícil para a maioria das mulheres. A gente gosta de combinar peças, ter um “range” de opções – de um hotel cinco estrelas a um hostel. (rs)

Mas acabou que esse movimento se tornou uma boa provocação. Me fez “elaborar” e “processar” um pouco mais. Afinal, sobre do quê mesmo estamos falando? Roupas, calçados? Não seria interessante acrescentar estruturas, comportamentos, hábitos e pensamentos? Do que precisamos pra viver? No fim, o que realmente importa?

Conectei o assunto com um dos meus objetivos para esse ano, o de viver com mais leveza, apreciando o caminho. Encontrar a beleza no próprio ritmo. Isso é sobre fazer escolhas. É sobre carregar apenas o necessário, o que tem valor. Pensamentos e relações tóxicas podem ficar de fora dessa viagem.

A maturidade, parece nos deixar mais livres para esses experimentos. Não posso afirmar que seja fruto dela, nem que seja uma regra geral (não tenho informações adequadas para isso), mas me parece que ao alcançarmos certa altura na vida, ficamos menos suscetíveis aos julgamentos externos. Menos vaidosos até. Em vários sentidos. Com uma “hierarquia de valores” mais apurada, nos incomodamos cada vez menos com o que os outros vão dizer e conhecemos mais sobre o que é, de fato, significante pra nós.

Lembrei da frase de Leonardo da Vinci, exposta recentemente numa amostra em São Paulo, ” a simplicidade é o último grau de sofisticação “.

Eureka!

Enriquecer a vida pressupõe criar diferentes experiências. É preciso dar espaço para que isso aconteça. Na mala. Na mente. No coração.

Aposta feita: 10kg.

“A Parceira”

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Lição de empreender – grounding #3

Enquanto sentia o vento fresco roçando a pele do rosto meus olhos corriam a paisagem inteira. Não queria perder nada de vista. Sensações como esta só são possíveis ao vivo e a cores. Conhecer lugares por leituras, fotos e vídeos é bem legal, mas viver e sentir a atmosfera “in loco” é outra história.

Eu tinha informações sobre os Emirados Árabes, em especial de Dubai, e pela primeira vez viajei para essas bandas. Um lugar, eu diria “estético” , exuberante e estruturado. E o mais impressionante, construído em pouco tempo (pelo porte) do nada. Ali estão os maiores prédios do mundo e ilhas artificiais. Estas primeiras impressões e isso já me fez lembrar da frase:

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Google.com

Pensar que poucas décadas atras era um deserto. O governo, em regime de monarquia, liderado por um rei visionário, tem transformado o lugar de forma significativa e rápida nos últimos 20 anos. Movimenta vários ecossistemas: tecnologia, negócios, turismo e óleo – que já não é mais representativo na economia como no início. Me chama a atenção a capacidade de ação, além da força e autonomia do poder, gerando resultados.

Não precisei caminhar muito para perceber que as obras não pararam. São várias novas construções e empreendimentos imobiliários em andamento. Imponentes.

Boa parte das pessoas com as quais tive contato foram corteses e amáveis. Ao olhar as fisionomias, o que faço com muita frequência quando ando pelas ruas, percebo a diversidade cultural e os sinais presentes de muitas outras nações. Afinal, um lugar de poucas décadas tem poucos nativos. Pelo menos por enquanto.

Essa passagem por aqui me fez revisitar o curso 4TOUCH – Jornada da realização – que desenvolvi há mais de dois anos atrás. Um dos meus principais propósitos era ajudar as pessoas a ampliarem sua capacidade em empreender, viabiliar a realização de seus projetos e estarem mais preparadas para alcançar seus sonhos. Ao ver Dubai reitero com alegria meus objetivos originais: desenvolver pessoas para realização. !!! É possível sempre.

Aproveito e elenco aqui alguns dos elementos que me ocorreram ao analisar a história desse lugar e sua notória capacidade de empreender:

  1. Não basta ter dinheiro, é preciso vontade política para realizar
  2. Há que se ter visão de futuro (olhar estratégico) e de “longo prazo”
  3. Requer abertura, “mindset” para inovações e para “o mundo”
  4. Conhecimento e planejamento são fundamentais
  5. E uma dose cavalar de capacidade executiva (incluindo times diversos).

Tem tanto deserto por ai, dentro e fora da gente pra construir !!!

Fico por aqui hoje, tenho muito mais a ver..

Saudações árabes,

Da⠀

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P.S – Wikipedia
Dubai (em árabe: دبيّ, Dubayy) é a maior cidade e emirado de mesmo nome dos Emirados Árabes Unidos (uma federação de monarquias absolutas hereditárias árabes).[1] O Emirado de Dubai está localizado na costa do Golfo Pérsico, sendo um dos sete emirados que compõem o país. Dubai é o emirado mais populoso entre os sete emirados, com aproximadamente 2 262 000 habitantes. 

Coragem para estalar os dedos pelo mundo – grounding #2

Ouvi a palavra “coragem” com certa frequência nessas últimas semanas. Num primeiro momento me senti reconhecida por isso. Me identifiquei. Me vejo em boas lutas e modificando meus paradigmas. Parece da minha natureza. Refleti que é sobre superar e muitas vezes dar a volta por cima. Não a qualquer preço. Minha mente puxou quase que instantaneamente a palavra “medo”. Ponderei que tenho cá os meus. E como são provocativos. Indecentes até. Mas não sou complacente com eles. No papel de durona faço que não os vejo. (rs) Apenas sigo. Independente dos resultados.

Recordei de um artigo onde a Débora Zanelato menciona que “coragem nada tem a ver com invencibilidade, em nunca fracassar, mas com se colocar em movimento ainda que o resultado não seja garantido ou mesmo, tão satisfatório”. … Ainda que “coragem está intimamente ligada à tolerância de errar. Ou por que não, à capacidade de arriscar sem ter qualquer tipo de certeza se aquilo que buscamos dará certo ou não.”

Ouvindo Machado de Assis me detive na seguinte frase: “o medo é um preconceito dos nervos e um preconceito desfaz-se – basta a simples reflexão”. Pensa se gostei (rs).

Adotar esta perspectiva nos leva a estudar as causas de intrusos temores que tem a função até mesmo de desestabilizar… (rs). É preciso parar, ouvi-los e tratá-los com o devido cuidado. Para impedir que sejam paralizantes.

Dois verbos juntos colaboram para mudar essa classe de pensamentos: “ENTENDER” e “PREPARAR-SE”. Quanto mais entendo e preparada, melhor perpasso as situações. Mais êxito, mais satisfação, mais realização e menos medo.

Eu consinto que ter coragem não significa a ausência do medo, mas a forma como o encaramos e agimos. Tudo que alimentamos cresce, então me esforço para deixá-los famintos. Guiada pelo desejo de prosseguir a favor do que faz sentido, nas várias dimensões da vida.

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Faço minhas as palavras de Adélia Prado: “Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.”

Lá vamos nós pra mais uma jornada…

Touché!

P.S:
De Marie Curie, cientista polonesa (prêmio Nobel de física) :

“Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos.” (Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less)

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Pé na estrada… e fé na vida – grounding #1

Férias, Viagens, Verão, Estilo De Vida

Formidável é a diferença que mora em cada um de nós. Conheço pessoas que adoram ficar bem sossegadas e não tem qualquer interesse em conhecer lugares e culturas. Preferem a quietude das viagens em suas próprias casas. Qual o problema? Tá tudo bem com isso!! Aí está a beleza das individualidades. Não há certo ou errado. O importante é descobrir suas próprias motivações, seus estímulos e interesses, e o que lhe faz acordar e sentir entusiasmo pelo seu dia, pelo seu futuro, seja ele qual for.

Nas últimas décadas fui inoculada com o “vírus da viagem”. As várias delas: as viscerais, as do meu quarto, do livro da vez, as do modo tradicional com mala e tudo. Nas minhas listas de afazeres não falta o nome de algum lugar a ser visitado, conhecido e desfrutado. Havendo a possibilidade, não perco mesmo. Como diz um jeito mineiro: “Gosto demais da conta”. rs.

Ao fazer o percurso de volta pra casa, enquanto esperava o trânsito, me propus a pensar sobre isso:
Por que tenho tanto prazer em viajar?
Quais meus principais motivadores?

As viagens representam um encontro comigo mesmo. Dependendo da forma e do lugar podem se tornar mecanismos incríveis para um diálogo com minha voz interna. Uma verdadeira aproximação com meus claros e escuros, meus pesados e leves, meus coloridos e pretos, meus desejos e ordens. Ufa!! Um recurso para o autoconhecimento e autoreconhecimento. Uma bela de uma terapia. Eu e eu. Nelas eu evoluo e saio sempre uma pessoa MELHOR – o que literalmente é um dos meus objetivos de vida.

As viagens São oportunidades para encontrar “o mundo”, os demais. Ampliam meu repertório de conhecimentos e minha visão. Histórias, gente, comidas, imagens, um verdadeiro afago ao meu apetite intelectual e cultural. Aprendo andando, vendo, conversando, fotografando, experimentando. Ganho novos olhos, ouvidos e palavras.

Permanecer em atividade pra mim é uma forma de vida.
Escolhas e experiências valiosas são movimentos que eu posso criar, ou que outros podem criar pra mim. Aguçam meus interesses, mantem-me em plena ação, uma usina de vitalidade.

Assumo uma certa inquietação positiva, um medo da acomodação, medo da apatia e da depressão. Tenho receio que essa vontade passe ou que eu não consiga mais exercê-la. (rs)

Ao colocar-me nessas peregrinações, empreitadas deliciosas estou pondo a minha vida em foco. Enfim, viajar é uma extasiada sensação de liberdade. De poder ir e vir. Leveza!

Concluo com a inspiração e leitura do Amyr Klink, um navegador de muitos mares e que sabe, como ninguém, os remédios pra essa doença, para esse vírus.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”
Amyr Klink

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Fotos que falam

Ainda pequeninos e já eram de poucas palavras. Sempre abreviados. Eu, mãe como muitas que conheço, querendo sempre mais. Tentava saber como foi o dia na escola, se estavam alegres, tristes, o que tinha acontecido. O que fosse.

Eles, lacônicos: “foi tudo bem”.  Ponto.

Estavam os dois entrando na pré-adolescência e eu, como de costume organizava logo cedo a mesa do café. Um ritual de aquecimento para as atividades do dia intenso pela frente. Ali começava a minha tagarelice. Mental e oral. Sempre pulei da cama com disposição de ânimo pra enfrentar o que viesse e isso incluía a fala.

Num desses dias, “conversa” em curso, Filipe, meu mais velho, num tom de voz diferente me fez parar: – Mãe!!

Levantei o olhar: – oi meu filho.   

Só ouvi um: – a gente acabou de acordar!!!

Pela fisionomia  entendi que era preciso calma. O processo de acordar pedia silêncio.  “Puxaram meu pai”, pensei. Ele era assim, precisava de um tempo  até que o dia pudesse de fato começar.  Rimos juntos e dali em diante fiquei atenta ao  “café com calma”.

Hoje quando recebo a foto deles em lugares tão distantes soam pra mim como boas notícias. Um sinal de que estão bem em suas andanças mundo afora. Sinto um quentinho na minha alma de mãe. No fundo, uma gratidão pelos homens de bem que se tornaram, rodeados de pessoas queridas e com saúde. Permanecem, obviamente, as poucas palavras.

Benditas fotos que falam!!!

#cinema – Sobre o filme “Little Women”

Se fosse definir o filme Little Women (Adoráveis Mulheres), versão 2019/2020 em uma só palavra eu diria “DELICADO”. No melhor sentido da palavra, uma forma sutil e afável de relatar aspectos humanos. AMEI!!

Adoráveis Mulheres

Uma história de época, adaptação de um clássico da literatura americana, de mais de 150 anos, desenvolvida de uma forma profunda e sensível. Uma apresentação rica em detalhes, com um roteiro muito bem escrito, retratando uma família de mulheres unidas nas problemáticas de toda ordem: comportamentos, dificuldades financeiras, diferenças e competências individuais, solidariedade, vínculos afetivos, relacionamentos, mas solbretudo, a irmandade, a aliança entre os integrantes da família.

A condução feminina da família, na ausência do pai em guerra, também é uma situação que expõe desafios importantes de sobrevivência, de força e de coragem.

Do ano de 2019, um longa metragem do gênero drama, escrito e dirigito por uma roteirista e diretora mulher Greta Gerwig, que ganhou o Oscar pela direção de “Lady Bird”.

A narrativa é complexa e utiliza-se de recursos temporais (idas e vindas no tempo da história) produzindo uma dinâmica que impressiona e prende muito a atenção. Palmas por isso.

A fotografia é admirável, com cenas muito bem caracterizadas e cenários / contextos belos e apropriados.

Enfim, vale a pena!!!!

As seis irmãs

“Um ABSURDO isso!! Até parece que ela não tem família, não tem ninguém por ela, não tem irmãs!!!

Esta foi uma bronca de uma das minhas cinco irmãs quando soube que eu concordei, no período da tarde, em realizar uma cirurgia na manhã seguinte à distãncia de seiscentos quilômetros. Ia me aliviar das recorrentes dores então prontamente consenti quando houve a liberação de agenda do médico. Dado à decisão super rápida não foi possível tè-las comigo no hospital, coisa absolutamente usual na nossa família. Um detalhe: meu filho mais velho suspendeu o trabalho e prontamente me acompanhou. (um fofo)

Ao assistir o filme “Little Women” – belíssimo trabalho, sensível, adaptação de um livro escrito por mulher, dirigido por outra mulher, Greta Gerwig (roteirista e diretora americana, ganhadora do Oscar de melhor direção por Lady Bird) – lembrei várias vezes da gente lá em casa, “da casa das sete mulheres”, das nossas convivências, dos nossos atritos, das nossas trocas e especialmente das nossas colaborações. Muita cumplicidade existia. Guardadas as diferenças individuais, que hoje entendo como ricas, éramos um time de peso. Dos serviços de costureiras, que nossa mãe fazia questão de cuidar, às aulas de artes, esportes, piano e inglês.

“Uma escadinha.”, ouvíamos sempre. Uma atrás da outra. Era pequena a diferença de idade entre nós. As meninas da Ruth e do Nil, sempre muito arrumadas e juntas.

Recentemente no nosso grupo de mensagens da família surgiram algumas fotos, ahhh que belas recordações. Ventilei a possibilidade de contarmos algumas de nossas histórias. E olhe que não são poucas!! E algumas, incontáveis até. rs. Deu mesmo saudade.

As boas lembranças, que deixam saudades apertadas, não são para nos fazer sofrer. Ao contrário, elas são a coleção de tudo o que custa caro para nós. São os tesouros de cada biografia, páginas de alegria. Quem tem saudade é rico de vida.

Lucas Lujan

O fato é que ao longo do tempo a família cresceu, a árvore ficou robusta, cheia de galhos e folhas novas. Frutos pra tudo que é parte. São muitos netos e bisnetos. Minhas irmâs vovós agora são tomadas pelos cuidados e afazeres com seus filhos e netos. Dizem que ter netos é uma das melhores coisas da vida (que delícia). E a dedicação das vovós é algo sanguíneo, absolutamente explicável, dado a generosidade e manifestações de afeto natos.

Eu sei, por experiência própria posso afirmar que este vínculo de irmandade sobrevive aos tempos modernos, agendas familiares e às distãncias. Mesmo não sendo possível a presença naquela hora exata eu sabia que estava amparada por elas, as irmãs de ouro.

Minhas queridas, com vocês, esteja eu onde estiver, nunca estarei só!! Vocês estão comigo no meu melhor lugar, o coração.

Antes que seja tarde, fale sobre seu amor. Fale antes do sol se por. Antes que seja tarde, entregue seu coração. Mas entregue sem ilusão. Pois a vida corre e, antes que alguém perceba, já é tarde demais.

Lucas Lujan

Há vida lá fora!

Acredite!  Grande parte das  horas diárias das pessoas são gastas em comportamentos absolutamente automáticos. Dentro do táxi, do metrô, do ônibus, do carro, … Podem passar por paisagens lindas, porém,  sem de fato vê-las,  apreciá-las,  desfrutá-las.knight-122838_640

Ao final de um período (dia, mês, ano) constatam  o sentimento de insatisfação por não terem feito o que gostariam. Permeia  a sensação de que poderiam ter feito mais ou de forma diferente.   Com tantos desenvolvimentos tecnológicos, inovações,  modernos padrões de vida as pessoas ainda estão abarrotadas de atividades, sem tempo para muitas outras que gostariam de realizar. Não parece contraditório?

Estamos correndo atrás do que mesmo?  

Se a resposta for “da felicidade”,   será esse o caminho?   Dedicamos uma enormidade de tempo na busca, do que  “achamos”  que nos fará mais felizes e ainda assim nos sentimos insatisfeitos,  infelizes até.  Se esse não é o seu caso,  tiro o meu…

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Ir-rompe.

Um sopro.
Um instante.
O elo.
O desencontro.
Que encontra.
Uma estreia.
Uma luz.
Acende.
Brilha.
Apaga.
Arrefece.
A palavra.
A reticência briga.
O sim ou não impõe.
Forte, audaz,
E leve e doce.
Apaga.
Ascende.
O grito.
A vida.
O silêncio.
Diz que não.
Mas sim.
Diz que sim.
Mas não.
O preto no branco.
No laço.
O nó.
Vai.
E volta.
E está.
Porque sim.
Marcou.
Ficou.
O que é.
O é.
Gritou.
Estrondou.
Pontuou.
Sucumbiu.
Sumiu.
Na reticência..
Na dúvida.
No ponto..
Do sim ou não.
Na batida.
Na dúvida.
No tom.
Forte.
Na cor.
No toque.
Do coração.

Nevoeiro, Montanhas, Natureza, Paisagem
Lírio D ' Água, Lírio, Água, Natureza

Imagens pixabay

Dançaremos pra sempre…

Publiquei este texto em agosto de 2017,   uma reunião de lembranças e uma homenagem ao meu pai que havia partido há algum tempo.   Nesse final de 2019, em especial,  recordei muito dele quando nós,  as seis filhas (sim, seis mulheres, rs) ganhamos de presente de nossa mãe,  uma mensagem escrita deixada por ele.

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 Uma mensagem  redigida e assinada de próprio punho,  coisa rara em tempos digitais. Suas palavras eram cheias de calor,  de afeto,  transmitindo  uma emoção embargada, amorosidade (palavra da minha irmã mais velha).  Tudo muito próprio dele. Na verdade, sua cara!!!

O “Dançaremos pra sempre”  é uma forma de dizer que essa pessoinha  estará sempre viva em nós, sua esposa e filhas (a casa das sete mulheres), por meio de suas criações, suas lições, suas palavras.

Reposto…

Dançaremos pra sempre…(13.08.2017)

Desde pequena aprendi os primeiros passos de bolero com ele, …
O agradava esse estilo musical.
Seu olhar sempre se modificava quando as escutava.
Em eventuais festas, casamentos, formaturas, aniversários..
Havendo possibilidade, estávamos lá bailando,  dando nossos passos.

Recordo sempre do seu jeito e de seu ritmo…. peculiares.

Essa era apenas  uma,  das muitas danças que tivemos juntos
durante essa existência. Todas elas, com seus ritmos, melodias e passos peculiares à  vida de pais e filhos.

Ensinamentos de toda ordem,  correções, aprendizados,  inúmeras  circunstâncias que nos ensinaram crescer  e evoluir dentro da nossa órbita de  conhecimentos e limitações.

No porte de nossas condições mentais, intelectuais e sobretudo, sensíveis.
Foram ricas experiências de vinculação e construção de afetos.

Agora,   seu desaparecimento físico,  a matéria se foi.
Mas só a matéria, só o físico.

Ele, meu querido pai, sempre viverá  na minha mente e no meu coração!
Viverá nos seus feitos, viverá em mim,  em nós.
Porque nossa dança é eterna,  não tem dia nem tem hora pra acabar…

Amo vc, meu pai.

Darlene

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#EI – 2020, por Ana Cláudia Q.A.

Pessoas, Amigos, Casais, Parque

Mais graça, criação.
Mais arte, liberdade.
Mais risadas, horizonte.
Mais aventuras, tempo.
Mais silêncio, compaixão.

Menos cansaço, tristeza.
Menos negatividassde, solidão.
Menos dor. Menos fronteiras.
Mais pontes.
Menos muros.
Mais janelas abertas.
Menos portas fechadas.

Mais leve. Mais humana. Mais gentil.
Amor, todos os dias.

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Ana Claudia Quintana Arantes
Especializou-se em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford, em Londres. Ana Cláudia é sócia-fundadora e vice-presidente da Associação Casa do Cuidar, Prática e Ensino em Cuidados Paliativos e ministra aulas nos cursos de formação multiprofissional e em Congressos Brasileiros.
Ana Cláudia Quintana Arantes – – Conass
www.conass.org.br › consensus › ana-claudia-quintana-arantes

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