Aprender a perder, aprender a viver

Assisti na semana passada uma série recém lançada na plataforma de conteúdos Netflix, de nome “O Gambito da Rainha”. Dona de belas interpretações e uma cuidadosa fotografia, a história ocorrida na década de 60 conta a trajetória crescente de uma enxadrista órfâ no mundo do xadrez dominado pelos jogadores masculinos.

Dentre os vários elementos de valor que podem ser extraídos do conteúdo, trago um relacionado ao desenvolvimento humano, à possibilidade de construir uma vida melhor, à capacidade de saber ganhar e perder. O mundo dos “jogos” cria esta prerrogativa, a de aumentar a musculatura, experimentando as duas posições: altos e baixos, glória e derrota. Ninguém consegue vencer o tempo todo e dependendo do estilo e psicologia do jogador pode aproveitar muito as situações estudando e aprendendo nesse processo.

Pensando em transportar essa experiência para o contexto de “aprender na vida” vou engrossar este caldo conectando uma das entrevistas realizadas por Clarice Lispector. Ela fez uma série delas com muitos conhecidos e deixou guardados interessantes. Abaixo, um pequeno trecho da conversa com Hélio Pellegrino, psicanalista mineiro, escritor e poeta brasileiro, amigo de Fernando Sabino, Otto Lara, Nelson Rodrigues, entre outros.

Clarice:
– Hélio, é bom viver, não é? É pelo menos essa a impressão que você me dá.

Hélio Pellegrino:
– Viver, essa difícil alegria. Viver é jogo, é risco. Quem joga pode ganhar ou perder. O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo. Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. Se sei perder, sei ganhar. Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias. Quem não sabe perder acumula ferrugem nos olhos e se torna cego – cego de rancor. Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais que bom – se torna fascinante. Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos constitui. Somos feitos de tempo, e isto significa: somos passagem, movimento sem trégua, finitude.

Aprender a reconhecer as próprias vulnerabilidades, inerentes à natureza humana, as próprias fraquezas, considerando as derrotas caminhos naturais, pode ser um desafio a princípio e depois uma dádiva na construção de um viver mais rico, leve e melhor.

Até breve,

Dah

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