A dose de “telas” e o impacto no desenvolvimento humano

Atolados no mar de publicações nas redes sociais, de supostas “alegrias” ou talvez “alegorias” (rs), mover-se na vida baseando-se nisto é real e também quimérico. Em geral, as postagens tem lá seus interesses, conscientes ou não. As pessoas postam não exatamente porque estão felizes por mais que se façam parecer assim. Há uma exposição que movimenta egos, expectativas e “consomem” tempo de vida. E se o sujeito não está atento ao que isto significa poderá ser levado por mensagens de muitas ordens e tipos, além dos vários impactos de ordem emocional, neurológica e outros.

Já parou pra pensar que a suposta felicidade de uns (publicadas com regularidade) tornam-se “objetos de desejo” para prover a teórica felicidade de outros. Gennnte, cuidado, ledo engano.

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from pixabay

O pesquisador neurocientista Michel Desmurget lançou recentemente um livro, com o título “A fábrica de cretinos digitais”, onde reflete sobre os impactos do entretenimento bobo no desenvolvimento, na mente das crianças e jovens. Eles perdem potência na sua capacidade de reflexão e forma de ver o mundo e ainda ficam felizes com essa “sina”. Alguns países estão registrando uma geração com QI´s inferiores aos dos pais. É uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França, etc….

Embora a pesquisa contemple uma série de atributos e variáveis a serem analisadas um dos pontos que me chamou a atenção como profissional do desenvolvimento humano foi que quanto maior a exposição da criança ao uso de telas menor seu desenvolvimento cognitivo – linguagem, concentração, memória, desempenho acadêmico. (vou deixar ao final deste post o link da reportagem sobre isto, caso seja do seu interesse).

Esta frase é dele: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”

Ok, além de ser uma pessoa positiva por natureza, sou uma “tecnófila” de carteirinha e vejo uma enormidade de benefícios e vantagens que a tecnologia proporciona para a sociedade. Eu mesmo consumo uma série deles especialmente o de conectar pessoas que não vejo há anos… ahhhh que coisa boa!!!! Também tem sido um dos meus canais prediletos para aprendizados em diversos campos do meu interesse: uma nova pós graduação em “humanidades”, uma certificação em neurociência, artes, etc.

Afinal, quem não quer ter experiências positivas e momentos felizes proporcionados por elas, as redes??

O que considero aqui é que, assim como todo remédio, é importante cuidar da dose, da prescrição devida. As movimentações psicológicas, emocionais, mentais geradas e não conscientes podem ter impactos relevantes nas vidas das pessoas.

Nesses últimos dois meses muito se falou do documentário – o “Dilema das Redes” – lançado na plataforma de conteúdos da Netflix. Muitas críticas mencionavam que não há novidade no documentário o taxando de sensacionalista. Mas o incrível é que apesar de não haver tantas novidades em termos de informações isto não reflete no comportamento e em ações efetivas das pessoas com relação ao exposto. Além do mais há muito a ser feito na regulamentação sobre o uso do poder concentrado nas mãos de poucos detentores. (desigualdade aff)

Crítica | O Dilema das Redes é bem produzido, mas falha em apontar dedos -  Canaltech
Imagem da reportagem do estadão, https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,facebook-acusa-filme-o-dilema-das-redes-de-sensacionalismo,70003461523

É do Desmurget a frase: “A grande mídia está repleta de afirmações infundadas, propaganda enganosa e informações imprecisas. A discrepância entre o conteúdo da mídia e a realidade científica costuma ser perturbadora, se não enfurecedora. Não quero dizer que a mídia seja desonesta: separar o joio do trigo não é fácil, mesmo para jornalistas honestos e conscienciosos. Mas não é surpreendente. A indústria digital gera bilhões de dólares em lucros a cada ano. E, obviamente, crianças e adolescentes são um recurso muito lucrativo.”

Fica sempre a pergunta: o que podemos fazer dentro do nosso espectro de ação, na nossa condição individual? Pais, educadores, influenciadores digitais, como podemos colaborar para que as gerações futuras possam ter experiências valiosas e um desenvolvimento propício e adequado?

Bora pensar, meu povo!..

Até breve…

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Reportagem –
https://www.uol.com.br/tilt/noticias/bbc/2020/10/30/geracao-digital-por-que-pela-1-vez-filhos-tem-qi-inferior-ao-dos-pais.htm

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