Sobre ser vulnerável – grounding #12

A lombada da rua Nossa Senhora da Conceição era minha pista de patinação com faixa de chegada dentro da garagem de casa. Lembro de ser uma criança livre que ousava em várias situações e estripulias, o que me rendeu marcas na pele: pontos na testa, no queixo e atrás na cabeça; sem contar as repreensões.  O par de patins era daqueles antigos de amarrar e ajustáveis embaixo do pé, (Ahhh) e como eu gostava deles!! A ciência diz que a gente carrega para a vida adulta muitas das características que desenvolvemos na infância. Naquele tempo já vestia o espírito meio aventureiro. Meus pais que o digam…rs

“uma história contada é uma vida vivida.” (foto do google)

Sou muito grata por ter tido o privilégio de viver infância de muita qualidade, provida de elementos fundamentais numa criação: valores morais, princípios, recursos diversos, limites e muita liberdade para crescer, criar e experimentar. Eu faço questão de compartilhar aqui e me reconhecer hoje nos meus traços da infância porque nesses últimos meses várias destas características foram iluminadas e estiveram “sob judice”, à medida em que fui tocada por questões e escolhas.

Algumas delas: “Você tem coragem de ir sozinha?  Não tem uma amiga que toparia ir junto?  Você vai partir sem data certa pra voltar? Como você consegue fazer isto sem ter um plano prévio detalhado?  Você está indo para lugares complicados onde ser mulher pode ser um problema. Já pensou nisso?  E o “coronavirus” se espalhando?  Você está indo para perto da origem do vírus,  lugares considerados críticos e você não está com medo?”

Todas elas foram oportunas e afetuosas além de demonstrarem o quanto essas pessoas se preocupavam, se interessaram por mim e confesso que por uma,  duas ou mais vezes o desânimo me percorreu. Me detive a analisar os meus motivadores e conclui ser absolutamente normal um certo “balançar” diante de um desafio cheio de incertezas.  “Quem nunca?”

Referindo-me às questões digo que sim, que tenho medo, assim como todas as pessoas mas tenho também coragens absurdas como diz Clarice Lispector. (Bem lembrado pela amiga Cláudia Senna =)) Optei por ir só porque atualmente estou nessa condição e livre de algumas ocupações; e não considero isto negativo. A solitude tem seu lugar de destaque e importância na vida de todas as pessoas. Quem não precisa, por vezes, ficar consigo mesmo?

Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não propriamente um estado de solidão. Pode representar isolamento e a reclusão voluntária ou impostos, porém não diretamente associados a sofrimento. Uma distinção foi feita entre solitude e solidão. Nesse sentido, essas duas palavras se referem, respectivamente, à alegria e à dor de estar sozinho (fonte – Wikipedia)

Sobre as incertezas e ausência de um plano detalhado este é um dos elementos dessa jornada: definida a direção deixar fluir conforme os acontecimentos; ajustando os ponteiros na medida das minhas realizações e observações pelo caminho.   Bem diferente de uma viagem nos moldes tradicionais, que têm como objetivo principal o turismo. A ideia é viver um pouco em outros lugares.  Talvez eu possa mesmo dizer que escolhi experimentar um  “estilo de vida”,  uma atitude diferente por um tempo. Algo que me acrescenta em conhecimentos e novas perspectivas.

Google images

Incertezas e situações inesperadas temos todos os dias independente do lugar onde estivermos e é obvio que em lugares muito diferentes com contextos culturais distintos a chance de ocorrências aumenta, entretanto penso que posso lidar com isso como mecanismo de aprendizagem. Sobre visitar lugares com histórias discriminatórias é uma oportunidade para “olhar de perto” temas tão relevantes e pelos quais tenho cá meus interesses: universo feminino, estilos de vida, escolhas, desenvolvimento humano, liderança, visão estratégica, empreendedorismo, entre outros.

A expansão do vírus “Covid_19” é um dos fatores mais limitantes desta empreitada por ser algo novo em plena expansão no mundo, cujo impacto ainda está por ser conhecido. Escolhi acompanhá-lo mais de perto e caso identifique algo que julgue muito crítico tenho a opção por mudar a rota. Por que não? Mérito do meu filho que me faz pensar constantemente sobre.

Um “amontoado” que me deixa vulnerável claro, porém isso significa estar aberta a viver situações mesmo que impliquem riscos,  mas que ainda assim promovam valores de vida, evoluções e crescimentos que façam sentido pra mim.   “Safe travels” ouvi de um amigo recente; e é por ai. “thx dear”.

Gosto e consinto com Bob Marley quando diz que você descobre que ser vulnerável é a única maneira de permitir o seu coração a sentir o verdadeiro prazer que é tão real que te assusta. – “You find that being vulnerable is the only way to allow your heart to feel true pleasure that’s so real it scares you. You find strength in knowing you have a true friend and possibly a soul mate who will remain loyal to the end.”

A  criança dos patins vai levar muitos pontos pela vida afora. Ela foi. Ela vai sempre. Ela adora ir.

Darlene

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