Fotos que falam

Ainda pequeninos e já eram de poucas palavras. Sempre abreviados. Eu, mãe como muitas que conheço, querendo sempre mais. Tentava saber como foi o dia na escola, se estavam alegres, tristes, o que tinha acontecido. O que fosse.

Eles, lacônicos: “foi tudo bem”.  Ponto.

Estavam os dois entrando na pré-adolescência e eu, como de costume organizava logo cedo a mesa do café. Um ritual de aquecimento para as atividades do dia intenso pela frente. Ali começava a minha tagarelice. Mental e oral. Sempre pulei da cama com disposição de ânimo pra enfrentar o que viesse e isso incluía a fala.

Num desses dias, “conversa” em curso, Filipe, meu mais velho, num tom de voz diferente me fez parar: – Mãe!!

Levantei o olhar: – oi meu filho.   

Só ouvi um: – a gente acabou de acordar!!!

Pela fisionomia  entendi que era preciso calma. O processo de acordar pedia silêncio.  “Puxaram meu pai”, pensei. Ele era assim, precisava de um tempo  até que o dia pudesse de fato começar.  Rimos juntos e dali em diante fiquei atenta ao  “café com calma”.

Hoje quando recebo a foto deles em lugares tão distantes soam pra mim como boas notícias. Um sinal de que estão bem em suas andanças mundo afora. Sinto um quentinho na minha alma de mãe. No fundo, uma gratidão pelos homens de bem que se tornaram, rodeados de pessoas queridas e com saúde. Permanecem, obviamente, as poucas palavras.

Benditas fotos que falam!!!

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