Pare! É revista! Já passou por este procedimento antes?

Pela terceira vez consecutiva estava eu ali, os pés posicionados no tapete marcado com o gabarito, pernas afastadas e braços estendidos, no meio de algumas dezenas de passantes, sendo “apalpada” eu diria, de corpo inteiro. Uma cena estranha, carregada talvez com certo constrangimento, pra não dizer cômica. Era uma revista feminina no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Ocorre normalmente após a passagem pelo portal detector de metais e a pergunta que se ouve, depois de ser escolhida é sempre a mesma, a senhora conhece o procedimento? Já fez isto antes? Sim, sim, sim. Sim, eu já conhecia o procedimento e pensava comigo: já passei por isso recentemente. Mas, eu de novo? Caracaaaaa!!!

Imagem relacionada

A escolha é aleatória e definida pelo olhar discriminatório dos agentes de plantão. Antes de continuar, quero fazer um parênteses: outro dia li um relato pessoal (link ao final desse post) sobre uma “insólita (incomum) revista” em um aeroporto dos Estados Unidos, cujo motivador era nada mais nada menos que os tamanhos dos seios (grandes) da passante.

Ops .. é isso mesmo?? Pior que sim.

Olhei para os meus… Não me pareciam ser do mesmo estilo dos da referida americana (rs). Quais então seriam as razões para ser uma “escolhida e repetente”?

Viajei na maionese: seria por conta da minha expressão facial? Talvez minha usual tranquilidade e calma no meio de tanta gente aparentemente “estressada” correndo como se fosse perder o último vôo para Paris. Uma certa displicência talvez de quem passa absorta pelo cenário, pessoas e lugares. Será que mesmo sendo uma pessoa do tipo “comum” poderia carregar algo de estranho ou esquisito? Aparento algo de “subersiva” como Clarice Lispector? rsss Ou seria o meu jeito próprio e despretensioso de me vestir? Na minha bagagem de mão não havia nada de mais. Nem meu pó branco (bicarbonato de sódio) eu carrego mais para evitar potenciais dúvidas.

O ato corriqueiro do aeroporto conta um pouco sobre julgar os outros. Julgamos os outros pela aparência, pela roupa ou sapatos, pelo tamanho dos seios, pelo corte ou cor dos cabelos, pelo dinheiro que tem, pela vida que leva, pelo relacionamento que sustenta, pelo carro que tem, pelo cargo e status, etc, etc, etc. Fazemos isso repetidamente baseado no que temos dentro de nos. Obviamente não carregamos o “papel”, ou a “responsabilidade” de fazer isso como os agentes da “revista no aeroporto”, mas a mecânica de medir os outros é automática em nós.

Diante desse fato relembro a frase do Bernardo Penna, que diz “A consciência do sujeito não contempla apenas valores positivos. É nela também que se encontram seus preconceitos, traumas, crenças etc. ” Daí, a necessidade de cuidar do que temos dentro da gente, evitando julgamentos maldosos, indevidos, indelicados e das consequências dos julgamentos que desdobram-se em ações.

Completando esse ocorrido, pra quem gosta de analisar situações por meio dos filmes posso citar o título “12 homens e uma sentença” que possui uma série de elementos e oportunidades de reflexão sobre julgamentos.

12 homens

“No decorrer do filme, podemos perceber “a arte imitando a vida” e, enquanto os jurados jogavam pedras no acusado, exteriorizando um “sentimento de alívio pessoal para seus próprios pecados”, Davis (jurado nº 8) ia de encontro ao “senso comum” e seguia na saga em absolver o réu. Infelizmente, as pessoas absolvem seus próprios pecados atirando pedras nos pecados alheios e cada vez mais as redes sociais “formam” juízes, verdugos e carrascos que exercem oficialmente a profissão, expondo suas certezas e prontos para divulgarem o rosto do próximo acusado / condenado.

Assim, o “fenômeno do senso comum”, pelo menos desde o final do século XIX já é estudado, através do trabalho de Gustave Le Bon (Psicologia das Multidões, no ano de 1895) e no começo do século XX, com o estudo sobre Psicologia das Massas, elaborado pelo visionário e “pai da psicanálise”, Sigmund Freud, mas, infelizmente, a sociedade como um todo, continua em acordo com o senso comum, continua agindo como os onze jurados que inicialmente, tinham a total certeza da culpa do acusado.” – por Leonardo Nolasco.

Como diz o ditado o tema dá pano pra manga!! E minha análise me leva a concluir que provavelmente aparento algo que foge ao senso comum. rsss Algo suspeito. kkk

Dentro de poucos dias, passarei pelo mesmo portal, pelo mesmo processo de embarque rumo às Minas Gerais… Já fico pensando… será que serei eu de novo? Vou levar umas perguntinhas preparadas a tiracolo… rs

Uma coisa é certa: essas passagens, por pequenas que sejam, no mínimo, me fazem pensar e ou rir da vida.

Como diz o provérbio portugues “rir é o melhor remédio”.

Até a próxima!!

“A REVISTA FÍSICA pode ocorrer mesmo após a passagem pelo detector de metais, como uma medida alternativa ou adicional de segurança. A revista deverá ser feita por policial ou agente de proteção da aviação civil de mesmo sexo do passageiro. Pode ser feita em sala reservada, se solicitado pelo passageiro, com a presença de testemunha. “

http://www.transportes.gov.br/novoguiadopassageiro/inspecao-de-seguranca-do-passageiro

Relato de revista nos Estados Unidos – http://acontecimentos-insolitos.blogspot.com/2010/11/aeroporto-de-orlando-eua-revistada-por.html

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.