O que você anda fazendo nas redes?

Naquele dia, estávamos todos prontos para o happy hour em comemoração ao aniversário de uma colega do trabalho. Não eram dezenove horas quando estacionei em frente ao local combinado. Estavam ali de plantão, como sempre, os “flanelinhas”. Eu os vi e agi como de costume. Tão logo desliguei o carro, e as travas das portas foram liberadas, um deles entrou no banco do passageiro e me rendeu. Armado. Esse foi o início de longos quarenta e cinco minutos de muita apreensão e medo. Os danos materiais não foram significativos. Eu nunca mais esqueci aquele episódio. Dali em diante, mudei muito o jeito de lidar com várias situações cotidianas.

Isso aconteceu comigo porque eu não estava atenta e nem preocupada com a minha segurança. Não me faltava informações a respeito de potenciais riscos e de condutas preventivas. Eu, simplesmente não pensava que isso pudesse acontecer comigo. Aconteceu.

O comportamento que eu tive é exatamente o que muita gente tem quanto se trata da utilização da internet. Por mais informações que tenhamos, por mais evidências e histórias reais de problemas, não estamos atentos e não agimos com os cuidados devidos. Não nos imaginamos como vítimas de ataques digitais.

Desde o “login” numa aplicação, a abertura de um link num email de autor desconhecido até a pesquisa nos sites de buscas. Estamos à mercê de uma enormidade de riscos e possibilidades.

!! Não conhecemos da história a metade. !! E esse é um grande desafio das organizações que estão investindo pesado na transformação digital.

Sempre fui “fã de carteirinha” e executiva de tecnologia da informação por décadas.  Nem preciso abrir meu caderno de argumentos acerca do potencial impressionante das tecnologias a favor da sociedade e dos homens.  Entretanto, esse arcabouço incrível pode ser utilizado, tanto para o bem, como não.

Tem-se falado, inclusive, no desenvolvimento de produtos e serviços digitais que driblam a ansiedade dos consumidores, criando a “ilusão de controle”, uma necessidade por parte das pessoas. Seria meio que um placebo DIGITAL…!?!?!?!!!! Gennnnte, é REAL!

Recentemente muita gente se sentiu atraído por uma aplicação que brincava de “envelhecer”? Um aplicativo de manipulação de fotos, que por meio de uma brincadeira, estimulou as suas subscrições e virou febre. Para participar do “jogo”, as pessoas assinavam um “acordo de uso”, que dava acesso a várias informações pessoais, imagens inclusive. Lamentável.

A Forbes publicou alguns problemas gerados pelas redes sociais na vida dos jovens: distração, distorção da realidade, problemas de saúde mental, bullying e boatos, entre outros. Não é incomum ver notícias relacionadas a casos críticos dessa ordem. Por vezes, os jovens vêem suas informações e imagens pessoais sendo compartilhadas de forma maldosa e depreciativa.

Sabe aquele contrato de serviços qua aparece sempre qua vamos fazer o download de um aplicativo? Então, ninguém lê. E o pior, assina (clica concordando).

Outro alvo de riscos e preocupações recaem nas “deep fakes”, as aplicações que editam vídeos e são capazes de colocar seu rosto no lugar de outro em vídeos… Imaginem o que podem fazer com isso. A divisão de pesquisa do Pentágono, por exemplo, já gastou dezenas de milhões de dólares com tecnologias de proteção contra esses tipos de aplicações. Mas admitem o desafio em manterem-se atualizados, dado a velocidade nos avanços.

O uso indevido dos dados das pessoas têm sido registrados e questionados nos últimos tempos. Algumas empresas detentoras das principais redes estão, de certo modo, acumulando “super poderes” sobre os dados de vários tipos, cuja repercussão futura é difícil prever. Por conta dos escândalos relacionados ao Facebook, por suspeita de venda de dados dos usuários, muitas pessoas estão questionando essa “exposição”, e revisitando suas estratégias no uso das redes.

É preciso colocar na balança… Dependendo do nível de publicações e tipo do posicionamento o resultado pode acabar fazendo mais mal do que bem.

Legislações estão sendo criadas, em vários países, como forma de regular as condutas e comportamentos relacionados a esses temas, contudo, a adoção de regras e a maturidade na aplicação levarão um bom tempo. No Brasil as empresas estão se estruturando para o cumprimento da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados aprovada recentemente.

Por trás de tudo, estão os humanos e humanos falham. Nem preciso explicar…  Basta olhar um pouco ao redor do mundo e ver  as terríveis decisões, guerras, conflitos, corrupções, … etc, etc, etc. 

Nas minhas sessões com executivos (mentorias de liderança),  eu normalmente recomendo  que eles estejam com seus perfis e informações atualizados nas redes profissionais.   Isso para que  possam ser encontrados por outras pessoas, nos seus “ecossistemas”  de trabalho. Para que possam trocar experiências, para que possam realizar pesquisas direcionadas, para que sejam encontrados ou mesmo  para networking. 


Dado os riscos cada vez maiores dos acessos às nossas  informações e o seu uso indiscriminado por empresas, instituições e outros,  vale um “repensar” sobre os limites e cuidados dessa exposição.

Conversei sobre esse tema  hoje com um renomado cirurgião,  provavelmente um dos melhores do Brasil na área dele.  O doutor,  que tem uma  respeitável experiência e reputação internacionais,  provavelmente não poderá ser encontrado nas redes,  pela sua real e verdadeira competência. Não tem facebook,  não tem páginas ressaltando seu trabalho. Mesmo sendo altamente atualizado em tecnologias e as utilizando fortemente no seu trabalho. 

Isso me fez pensar por dois lados.   Primeiro, me senti  grata por tê-lo encontrado.  Isso ocorreu por uma indicação valiosa. Não fosse por intermédio de uma amiga,  não teria acontecido.

O fato é que exímios profissionais,  com carreiras brilhantes,  muitas vezes não estão preocupados em “fazer-se aparecer”.  São reconhecidos pelos seus méritos e feitos na “lida”,  na “realização”,  na “condução diferenciada”  de seus ofícios e equipes. 

Fiquei pensando no tamanho da minha exposição nas redes e o quanto isso traz de real valor para o meu trabalho.

E você? Onde tem estacionado seu carro digital? Qual o seu nível de “exposição” nas redes?

Pare uns minutos e pense: qual o impacto da sua “visibilidade”  e do seu “posicionamento” público nas redes sociais, seja para sua carreira, para o seu trabalho ou para sua vida? Que condutas digitais você tem que podem, de repente, te colocar em riscos?

Estou revisitando minhas posições sobre esse assunto. Acendi uma luz amarela e coloquei “no oxigênio”.  Fiquei mais de seis meses com certas reservas na utilização. E confesso que foi uma excelente experiência.

Tenho estado mais atenta aos “flanelinhas”  digitais,  e sei que já aprendi sobre estacionar em lugares que ofereçam mais segurança.     Vamos aproveitar as enormes potências das redes,  mas sem  esquecer do mínimo de cuidados … 

Fica a dica.

Saudações. .. 



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