não fui a escolhida…

Cheguei a pensar que eu era o problema !!!
Me considerei mesmo incompetente!!
Como dizem os gaúchos:  “Bah..Tchê“!!   Ou “Barbaridade Tchê!!!

Não ser capaz de ocupar uma posição para a qual eu me preparava há anos foi realmente frustrante.  Eu tinha, em geral,  o reconhecimento positivo de grande parte das pessoas,  tinha feedbacks relevantes sobre minha performance e experiência com gestão de pessoas  (inclusive formais),  escrevi uma trajetória de realizações e engajamento  reais,  ou seja, muitas variáveis  favoráveis para que eu fizesse o  “step” seguinte, o próximo passo.

Naquele momento me passou um pensamento de arrependimento por  não ter aceito um convite de  trabalho numa grande empresa no Rio de Janeiro, épocas antes.  Mas como nada ocorre por acaso…

Ao viver tal episódio tive a necessidade interna de entender  a decisão,  tentei  obter informações mais aprofundadas,  mas foram iniciativas e movimentos em vão.  Tem decisões que nunca serão totalmente expostas e entendidas. Mesmo com o apoio dos aparatos do marketing interno sempre haverão dúvidas  porque envolvem questões que não são explícitas  e não são declaradas nessas circunstâncias.

“Teoricamente” eu  pensava  que mereceria  um feedback sobre o pontos que precisaria evoluir e conquistar para assumir mais responsabilidades e  ou para que eu pudesse me preparar para um outro posicionamento profissional.   Em matérias avançadas de gestão de pessoas esse seria um caminho natural e óbvio,  mas isso nem sempre funciona assim.

Muito pelo contrário,  as pesquisas nos revelam que falta muito ainda às organizações para que hajam processos de gestão e feedbacks adequados.  Ainda depende muito da cultura,   do interesse individual  do gestor no desenvolvimento das pessoas,  da sua capacitação em “dar feedback” de forma genuína e natural,  e mesmo do cuidado “humano” com os profissionais.

Em alguns estudos e fontes conhecidas da administração (Drucker) :

“os executivos gastam muito tempo gerenciando pessoas e tomando grandes decisões sobre pessoas do que qualquer outra coisa – e estão certos. Nenhuma outra decisão tem consequências tão duradouras ou é tão difícil  de ser desfeita.  Porém, mesmo assim de modo geral, os executivos tomam decisões ruins com respeito a promoções e a alocação de pessoal.  Segundo opinião geral, a média de acertos desses executivos não ultrapassa 0,333. Quando muito, 33% dessas decisões revelam-se corretas,  33% são minimamente eficazes; e 33% são um completo fracasso. Em nenhuma outra área da administração toleraríamos um desempenho tão desprezível.”

As decisões sobre pessoas são complexas, carregam em si uma série de variáveis e por vezes, não necessariamente conscientes: ancoragem emocional, apego ao familiar, rotulação,  julgamentos precipitados,  superestimação da capacidade, conhecimentos específicos,   dificuldades de avaliações, necessidades de capacitações mutáveis (estágio e maturidade dos negócios),  procrastinação, avaliação de pessoas em termos absolutos, tentativas de salvar as aparências, gregarismos,  pressões políticas,   conflitos de interesses,  princípios e valores, intuição, contextos culturais, etc…   Acho que já foi muito. Na  bibliografia há uma fartura dessas questões.!!

Quando coloco aqui essa racionalização pode parecer que apresento justificativas pela minha não escolha.  Mas,  não!!  Por pior e mais frustrante que tenha sido  me proporcionou um verdadeiro  SALTO DE VISÃO E AMADURECIMENTO PROFISSIONAL…

Passei a ler, estudar,  refletir e compreendi muito mais aspectos das culturas organizacionais e seus protagonistas.   Mergulhei nas matérias sobre lideranças (que sempre gostei demais), sobre  as geografias de decisões nas empresas,   sobre as mazelas do poder,  sobre as práticas políticas,  sobre características psicológicas, entre outros.

Também pude realizar um trabalho de  autoconhecimento e auto-avaliação na busca de uma maior elucidação  das minhas reais competências e capacitações de trabalho para novas oportunidades e experiências.

Enfim,  foi uma SUPER oportunidade para aquisição de conhecimentos que foram fabulosos e substanciais pra mim! 

Em certo momento,  cheguei a pensar…  “Naquele contexto, que bom que não fui eu.”.

As relações de toda ordem passam por alinhamentos  de interesses,   de objetivos, de propósitos e sobretudo de princípios. A aceleração promovida pelas tecnologias e inovações ampliam o espectro de escolhas de todos os atores – empregadores e empregados.  Os modelos e  as relações de produção e  trabalho passam por uma significativa transformação e por conseguinte as geografias de decisões de todos os agentes desse panorama também.

Aprendi que as experiências difíceis são fontes de crescimento quando há uma mentalidade aberta  e  uma inquietação intelectual e emocional para evoluir.

As grandes decisões sobre pessoas abrem muitos caminhos,  muitas PORTAS…
Como não ser grata por isso??

Até sempre!

Darlene

P.S.:

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3 comentários em “não fui a escolhida…

  1. Darlene, muito bacana este post! Tive a oportunidade de estar entre os 33% positivos: tive um gestor que com um único Feedback transformou totalmente minha perspectiva profissional-a partir dele fui em busca de novas capacitações e aprendizado que levaram anos depois a posição que tanto almejava!

    Temos que ser gratos as oportunidades que a vida nos dá!

    Abraço

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    1. Katia, obrigada pelo seu comentário e interação. Estive também entre os 33% algumas vezes e sou super grata por isso. O mais interessante é que não estar nos 33% (especificamente nesse momento que relatei) me proporcionou muitos novos aprendizados e reflexões, dado o contexto e o que vivi. Por isso considerei oportuno compartilhar!! Ressaltando a oportunidade por outra perspectiva!!
      Gostei muito de receber seu comentário!! Abraço,

      Curtir

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