Arábias – vestes contam histórias – grounding #5

, outras duras. Quantas histórias não deveriam estar alí guardadas debaixo daquele manto preto. Que fatores seriam predominantes e como seria a vida dessas mulheres.

Fui entender um pouco mais sobre as vestes compridas, utilizadas por muitas pessoas. As brancas para os homens e pretas para as mulheres. Elas ajudam a suportar os dias quentes de verão e as noites frias de inverno. Uma das suas histórias de uso remetem aos beduínos, no século XVII – cujo significado simplifico aqui como “pessoas do deserto”. São também expressões do islamismo. Cada local tem suas próprias suas próprias regras. Mais do que uma forma de vestir, representam estilos de vida e normas de condutas.

Ao visitar alguns destes lugares ouvi mais de uma vez a orientação para que não os fotografasse sem a permissão explícita. Isto poderia suscitar inconvenientes. Seria mesmo ofensivo. Assim, o fiz sem identificação.

Estar em culturas diferentes, independente das convicções pessoais e ideias, pressupõe observar e adaptar-se ao jeito de ser do lugar. Uma forma de respeito às diferenças. Sinônimos de educação e cortesia. Algumas das características adicionais: mesmo em regiões mais modernas, não é usual que homens e mulheres se dêm as mãos em público. Beijos de casal não são permitidos. Somente os homens se beijam como um cumprimento. Bebidas alcóolicas são permitidas aos não muçulmanos desde que sejam oferecidas em lugares específicos, como os hotéis. A visita a lugares considerados religiosos tem seus códigos próprios de conduta.

Voltando ao ponto inicial, o de observar as mulheres, esta experiência me fez pensar que neste contexto social a “objetificação feminina” não é tão indevidamente explorada como em alguns dos países ocidentais. Isto reduz as consequências danosas dessas abordagens mais físicas e aparentes que intelectuais ou emocionais. Taí, gostei!

Do jornal “the natíon” de 20.02.2020
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Península Arábica

Alguns dos nomes e estilos das vestes podem ser pesquisados aqui num rápido artigo da Super Interessante.

"as viagens são os viajantes"

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

“Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo”. Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.

Fernando Pessoa

10kg pra viver – grounding #4

Me afirmaram ser possível viver somente com uma mala de 10kg por um tempo. Ao primeiro impacto a mente desacredita na ideia. Percorrer lugares tão diferentes com estilos próprios e climas diversos carece de um repertório um pouco mais pesado, pensei. rs Me avaliei com uma mentalidade bem tradicional.

Me lancei nesses exercícios. Olhei para o armário e defini poucas peças. As que coubessem numa mala de mão. Deveriam ser úteis para qualquer tipo de situação e por tempo indeterminado. Genéricas. Eu diria tratar-se de uma tarefa difícil para a maioria das mulheres. A gente gosta de combinar peças, ter um “range” de opções – de um hotel cinco estrelas a um hostel. (rs)

Mas acabou que esse movimento se tornou uma boa provocação. Me fez “elaborar” e “processar” um pouco mais. Afinal, sobre do quê mesmo estamos falando? Roupas, calçados? Não seria interessante acrescentar estruturas, comportamentos, hábitos e pensamentos? Do que precisamos pra viver? No fim, o que realmente importa?

Conectei o assunto com um dos meus objetivos para esse ano, o de viver com mais leveza, apreciando o caminho. Encontrar a beleza no próprio ritmo. Isso é sobre fazer escolhas. É sobre carregar apenas o necessário, o que tem valor. Pensamentos e relações tóxicas podem ficar de fora dessa viagem.

A maturidade, parece nos deixar mais livres para esses experimentos. Não posso afirmar que seja fruto dela, nem que seja uma regra geral (não tenho informações adequadas para isso), mas me parece que ao alcançarmos certa altura na vida, ficamos menos suscetíveis aos julgamentos externos. Menos vaidosos até. Em vários sentidos. Com uma “hierarquia de valores” mais apurada, nos incomodamos cada vez menos com o que os outros vão dizer e conhecemos mais sobre o que é, de fato, significante pra nós.

Lembrei da frase de Leonardo da Vinci, exposta recentemente numa amostra em São Paulo, ” a simplicidade é o último grau de sofisticação “.

Eureka!

Enriquecer a vida pressupõe criar diferentes experiências. É preciso dar espaço para que isso aconteça. Na mala. Na mente. No coração.

Aposta feita: 10kg.

“A Parceira”

Lição de empreender – grounding #3

Enquanto sentia o vento fresco roçando a pele do rosto meus olhos corriam a paisagem inteira. Não queria perder nada de vista. Sensações como esta só são possíveis ao vivo e a cores. Conhecer lugares por leituras, fotos e vídeos é bem legal, mas viver e sentir a atmosfera “in loco” é outra história.

Eu tinha informações sobre os Emirados Árabes, em especial de Dubai, e pela primeira vez viajei para essas bandas. Um lugar, eu diria “estético” , exuberante e estruturado. E o mais impressionante, construído em pouco tempo (pelo porte) do nada. Ali estão os maiores prédios do mundo e ilhas artificiais. Estas primeiras impressões e isso já me fez lembrar da frase:

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Google.com

Pensar que poucas décadas atras era um deserto. O governo, em regime de monarquia, liderado por um rei visionário, tem transformado o lugar de forma significativa e rápida nos últimos 20 anos. Movimenta vários ecossistemas: tecnologia, negócios, turismo e óleo – que já não é mais representativo na economia como no início. Me chama a atenção a capacidade de ação, além da força e autonomia do poder, gerando resultados.

Não precisei caminhar muito para perceber que as obras não pararam. São várias novas construções e empreendimentos imobiliários em andamento. Imponentes.

Boa parte das pessoas com as quais tive contato foram corteses e amáveis. Ao olhar as fisionomias, o que faço com muita frequência quando ando pelas ruas, percebo a diversidade cultural e os sinais presentes de muitas outras nações. Afinal, um lugar de poucas décadas tem poucos nativos. Pelo menos por enquanto.

Essa passagem por aqui me fez revisitar o curso 4TOUCH – Jornada da realização – que desenvolvi há mais de dois anos atrás. Um dos meus principais propósitos era ajudar as pessoas a ampliarem sua capacidade em empreender, viabiliar a realização de seus projetos e estarem mais preparadas para alcançar seus sonhos. Ao ver Dubai reitero com alegria meus objetivos originais: desenvolver pessoas para realização. !!! É possível sempre.

Aproveito e elenco aqui alguns dos elementos que me ocorreram ao analisar a história desse lugar e sua notória capacidade de empreender:

  1. Não basta ter dinheiro, é preciso vontade política para realizar
  2. Há que se ter visão de futuro (olhar estratégico) e de “longo prazo”
  3. Requer abertura, “mindset” para inovações e para “o mundo”
  4. Conhecimento e planejamento são fundamentais
  5. E uma dose cavalar de capacidade executiva (incluindo times diversos).

Tem tanto deserto por ai, dentro e fora da gente pra construir !!!

Fico por aqui hoje, tenho muito mais a ver..

Saudações árabes,

Da⠀

P.S – Wikipedia
Dubai (em árabe: دبيّ, Dubayy) é a maior cidade e emirado de mesmo nome dos Emirados Árabes Unidos (uma federação de monarquias absolutas hereditárias árabes).[1] O Emirado de Dubai está localizado na costa do Golfo Pérsico, sendo um dos sete emirados que compõem o país. Dubai é o emirado mais populoso entre os sete emirados, com aproximadamente 2 262 000 habitantes. 

Coragem para estalar os dedos pelo mundo – grounding #2

Ouvi a palavra “coragem” com certa frequência nessas últimas semanas. Num primeiro momento me senti reconhecida por isso. Me identifiquei. Me vejo em boas lutas e modificando meus paradigmas. Parece da minha natureza. Refleti que é sobre superar e muitas vezes dar a volta por cima. Não a qualquer preço. Minha mente puxou quase que instantaneamente a palavra “medo”. Ponderei que tenho cá os meus. E como são provocativos. Indecentes até. Mas não sou complacente com eles. No papel de durona faço que não os vejo. (rs) Apenas sigo. Independente dos resultados.

Recordei de um artigo onde a Débora Zanelato menciona que “coragem nada tem a ver com invencibilidade, em nunca fracassar, mas com se colocar em movimento ainda que o resultado não seja garantido ou mesmo, tão satisfatório”. … Ainda que “coragem está intimamente ligada à tolerância de errar. Ou por que não, à capacidade de arriscar sem ter qualquer tipo de certeza se aquilo que buscamos dará certo ou não.”

Ouvindo Machado de Assis me detive na seguinte frase: “o medo é um preconceito dos nervos e um preconceito desfaz-se – basta a simples reflexão”. Pensa se gostei (rs).

Adotar esta perspectiva nos leva a estudar as causas de intrusos temores que tem a função até mesmo de desestabilizar… (rs). É preciso parar, ouvi-los e tratá-los com o devido cuidado. Para impedir que sejam paralizantes.

Dois verbos juntos colaboram para mudar essa classe de pensamentos: “ENTENDER” e “PREPARAR-SE”. Quanto mais entendo e preparada, melhor perpasso as situações. Mais êxito, mais satisfação, mais realização e menos medo.

Eu consinto que ter coragem não significa a ausência do medo, mas a forma como o encaramos e agimos. Tudo que alimentamos cresce, então me esforço para deixá-los famintos. Guiada pelo desejo de prosseguir a favor do que faz sentido, nas várias dimensões da vida.

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Faço minhas as palavras de Adélia Prado: “Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.”

Lá vamos nós pra mais uma jornada…

Touché!

P.S:
De Marie Curie, cientista polonesa (prêmio Nobel de física) :

“Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos.” (Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less)

Pé na estrada… e fé na vida – grounding #1

Férias, Viagens, Verão, Estilo De Vida

Formidável é a diferença que mora em cada um de nós. Conheço pessoas que adoram ficar bem sossegadas e não tem qualquer interesse em conhecer lugares e culturas. Preferem a quietude das viagens em suas próprias casas. Qual o problema? Tá tudo bem com isso!! Aí está a beleza das individualidades. Não há certo ou errado. O importante é descobrir suas próprias motivações, seus estímulos e interesses, e o que lhe faz acordar e sentir entusiasmo pelo seu dia, pelo seu futuro, seja ele qual for.

Nas últimas décadas fui inoculada com o “vírus da viagem”. As várias delas: as viscerais, as do meu quarto, do livro da vez, as do modo tradicional com mala e tudo. Nas minhas listas de afazeres não falta o nome de algum lugar a ser visitado, conhecido e desfrutado. Havendo a possibilidade, não perco mesmo. Como diz um jeito mineiro: “Gosto demais da conta”. rs.

Ao fazer o percurso de volta pra casa, enquanto esperava o trânsito, me propus a pensar sobre isso:
Por que tenho tanto prazer em viajar?
Quais meus principais motivadores?

As viagens representam um encontro comigo mesmo. Dependendo da forma e do lugar podem se tornar mecanismos incríveis para um diálogo com minha voz interna. Uma verdadeira aproximação com meus claros e escuros, meus pesados e leves, meus coloridos e pretos, meus desejos e ordens. Ufa!! Um recurso para o autoconhecimento e autoreconhecimento. Uma bela de uma terapia. Eu e eu. Nelas eu evoluo e saio sempre uma pessoa MELHOR – o que literalmente é um dos meus objetivos de vida.

As viagens São oportunidades para encontrar “o mundo”, os demais. Ampliam meu repertório de conhecimentos e minha visão. Histórias, gente, comidas, imagens, um verdadeiro afago ao meu apetite intelectual e cultural. Aprendo andando, vendo, conversando, fotografando, experimentando. Ganho novos olhos, ouvidos e palavras.

Permanecer em atividade pra mim é uma forma de vida.
Escolhas e experiências valiosas são movimentos que eu posso criar, ou que outros podem criar pra mim. Aguçam meus interesses, mantem-me em plena ação, uma usina de vitalidade.

Assumo uma certa inquietação positiva, um medo da acomodação, medo da apatia e da depressão. Tenho receio que essa vontade passe ou que eu não consiga mais exercê-la. (rs)

Ao colocar-me nessas peregrinações, empreitadas deliciosas estou pondo a minha vida em foco. Enfim, viajar é uma extasiada sensação de liberdade. De poder ir e vir. Leveza!

Concluo com a inspiração e leitura do Amyr Klink, um navegador de muitos mares e que sabe, como ninguém, os remédios pra essa doença, para esse vírus.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”
Amyr Klink