(um século) por Zack Magiezi

pixabay

Existia em mim um cansaço de homem centenário.
Nas tardes, eu ocupo o meu tempo, sentado em uma praça de alimentação qualquer, e observo a vida.
Essa se tornou um conjunto de repetições dentro do tempo? Os jovens comendo seus sanduíches com suas roupas iguais e seus jogos de conquistas banais, como um videogame qualquer.
Onde está a vida?
Na gente chique com as suas roupas chiques?
Nos que trabalham como loucos em troca de nada e ainda se julgam espertos. Status é algo criado para roubar o seu tempo, é uma miragem. Pessoas em relacionamentos vazios, academias cheias de pessoas que querem impressionar as outras. Vazios, vou me tornando um profeta furioso, minhas palavras estão repletas de fúria. Todos são engrenagens (eu também sou, essa é a minha dor), repetindo as mesmas coisas de maneira infinita, em cada dia da sua maldita existência.
Gritos mudos em dias de concreto. A vida pronuncia palavras furiosas.

Do Livro “Textos que ficaram quando você partiu”…

one day, by Koolulam

“Koolulam é um grupo novo, premiado e que estourou em Israel e já esteve em vários lugares do mundo. Seu show é único, diferente e emocionante. Quem canta é a plateia regida por um maestro carismático, tornando-se ela a grande estrela do espetáculo.

O show reúne pessoas de diferentes culturas e de todas as faixas etárias. Pessoas que nunca teriam se encontrado antes e que se reúnem para escutar uns aos outros e cantar juntos.

Koolulam tem o objetivo de unir as pessoas, derrubar fronteiras e fortalecer a sociedade através de uma experiência musical criativa e colaborativa.

Uma única voz que conecta as pessoas em torno de objetivos comuns: solidariedade, amor, alegria e muita emoção.

A versão da música “One Day” realizada pelo Koolulam em 2018 foi escolhida pela UNESCO para ser veiculada em estações de rádio de todo o mundo, como parte do tema deste ano “Diálogo, Tolerância e Paz”: “

Não desista!

Perdi as contas de quantas vezes dar passos pra trás significou ir em frente pra mim.

Tenho muitos arrependimentos, que visitam meu travesseiro. Entre eles, está ter dado tanta atenção para quem não quis o meu recomeço, só o meu sangue e a minha dor. Aprendi que seguir com a vida é deixar para trás quem não sabe olhar para frente.

Não viva refém das expectativas dos outros. Quem vive para agradar a todos é escravo da vaidade.

Frases de Lucas Lujan, no livro “Tamanho de flor para enfrentar as estações com beleza.

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios que ninguém sabe
de que, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drumond de Andrade,

do livro “Antologia Poética”. pag 156

“Educação é a única forma de mudar o mundo”

Essa frase é do psiquiatra chileno Claudio Naranjo

Claudio Naranjo – psiquiatra chileno
“Quando há amor na forma de ensinar, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo”
– Claudio Naranjo

“A educação atual produz zumbis”
– Claudio Naranjo

A DIDÁTICA DO AFETO

O psiquiatra chileno diz que investir numa didática afetiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos e formar seres autônomos e saudáveis.

O psiquiatra chileno Claudio Naranjo tem um currículo invejável. Formou-se em medicina na Universidade do Chile, especializou-se em psiquiatria em Harvard e virou pesquisador e professor da Universidade de Berkeley, ambas nos EUA. Desenvolveu teorias importantes sobre tipos de personalidade e comportamentos sociais. Trabalhou ao lado de renomados pesquisadores, como os americanos David McClelland e Frank Barron. Publicou 19 títulos. Sua trajetória pode ser classificada como irrepreensível pelo mais ortodoxo dos avaliadores. Ele é, inclusive, um dos indicados ao Nobel da Paz deste ano. É comum, no entanto, que Naranjo seja chamado, em tom pejorativo, de esotérico e bicho grilo. Há mais de três décadas, ele e a fundação que leva seu nome pregam que os educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores. Ele defende que essa é a forma mais eficaz de ajudar todos os alunos – não só os melhores – a efetivamente aprender “e assim mudar o mundo”, como ele diz.

Claudio Naranjo entrevista concedida à Flávia Yuri Oshima/Revista Época*

O senhor é psiquiatra e desenvolveu teorias importantes em estudos de personalidade. Hoje trabalha exclusivamente com educação. Por que resolveu se dedicar a esse tema?

Meu interesse se voltou para a educação porque me interesso pelo estado do mundo. Se queremos mudar o mundo, temos de investir em educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens.

Quais os problemas do modelo educacional atual na opinião do senhor?

Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.

Como é possível mudar esse modelo?

Podemos conceber uma educação para a consciência, para o desenvolvimento da mente. Na fundação, criamos um método para a formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisas. O objetivo é preparar os professores para que eles se aproximem dos alunos de forma mais afetiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando suas características pessoais. Comprovamos por meio de pesquisas que esse é o caminho para formar pessoas mais benévolas, solidárias e compassivas. Hoje a educação é despótica e repressiva. É como se educar fosse dizer faça isso e faça aquilo. O treinamento que criamos está entre os programas reconhecidos pelo Fórum Mundial da Educação, do qual faço parte. Já estive com ministros da Educação de dezenas de países para divulgar a importância dessa abordagem.

E qual foi a recepção?

A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação me recebem muito bem. Eles concordam com meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades. […]

Para quem decidiu ser professor, não seria natural sentir amor, compaixão e vontade de cuidar do aluno?

Uma vez dei uma aula a um grupo de estudantes de pedagogia na Universidade de Brasília. Fiquei muito decepcionado com a falta de interesse. Vendo minha expressão, o coordenador me disse: “Compreenda que eles não escolheram ser educadores. Alguns prefeririam ser motorista de táxi, mas decidiram educar porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque não tiveram condições de se preparar para ser advogados ou engenheiros ou outra profissão que almejassem”. Isso acontece muito em locais em que a educação não é realmente valorizada. Quem chega à escola de educação são os que têm menos talento e menos competência. Não se pode esperar que tenham a vocação pedagógica, de transmitir valores, cuidar e acolher.

O senhor diz que o sistema de educação atual desperdiça talentos, rotulando-os com transtornos e distúrbios. Pode explicar melhor esse ponto?

Humberto Maturana, cientista chileno, me contou que a membrana celular não deixa entrar aquilo que ela não precisa. A célula tem um modelo em seus genes e sabe o que necessita para construir-se. Um eletrólito que não lhe servirá não será absorvido. Podemos usar essa metáfora para a educação. As perturbações da educação são uma resposta sã a uma educação insana. As crianças são tachadas como doentes com distúrbios de atenção e de aprendizado, mas em muitos casos trata-se de uma negação sã da mente da criança de não querer aprender o irrelevante. Nossos estudantes não querem que lhe metam coisas na cabeça. O papel do educador é levá-lo a descobrir, refletir, debater e constatar. Para isso, é essencial estimular o autoconhecimento, respeitando as características de cada um. Tudo é mais efetivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela.

Por que a educação caminhou para esse modelo?

Isso surgiu no começo da era industrial, como parte da necessidade de formar uma força de trabalho obediente. Foi uma traição ao ideal do pai do capitalismo, Adam Smith, que escreveu A riqueza das nações. Ele era professor de filosofia moral e se interessava muito pelo ser humano. Previu que o sistema criaria uma classe de pessoas dedicadas todos os dias a fazer só um movimento de trabalho, a classe de trabalhadores. Previu que essa repetição produziria a deterioração de suas mentes e advertiu que seria vital dar a eles uma educação que lhes permitisse se desenvolver, como uma forma de evitar a maquinização completa dessas pessoas. Sua mensagem foi ignorada. Desde então, a educação funciona como um grande sistema de seleção empresarial. É usada para que o estudante passe em exames, consiga boas notas, títulos e bons empregos. É uma distorção do papel essencial que a educação deveria ter.

Há algo que os pais possam fazer?

Muitos pais só querem que seus filhos sigam bem na escola e ganhem dinheiro. Acho que os pais podem começar a refletir sobre o fato de que a educação não pode se ocupar só do intelecto, mas deve formar pessoas mais solidárias, sensíveis ao outro, com o lado materno da natureza menos eclipsado pelo aspecto paterno violento e exigente. A Unesco define educar como ensinar a criança a ser. As Constituições dos países, em geral, asseguram a liberdade de expressão aos adultos, mas não falam das crianças. São elas que mais necessitam dessa liberdade para se desenvolver como pessoas sãs, capazes de saber o que sentem e de se expressar. Se os pais se derem conta disso, teremos uma grande ajuda. Eles têm muito poder de mudança.

Fonte: *Revista Época

“A crise que estamos enfrentando não é apenas econômica, mas multifacetada e universal, e pode ser um sinal da obsolescência do conjunto de valores, instituições e hábitos interpessoais que chamamos ‘civilização’. Precisamos de uma mudança da consciência e o melhor caminho é a transformação da educação, por meio de uma nova formação de educadores – orientada não só para a transmissão de informações, mas para o desenvolvimento de competências existenciais”
– Claudio Naranjo, no livro “A revolução que esperávamos”. [tradução ?]. Brasília: Verbena Editora, 2015.

“A verdadeira crise é uma crise de relações humanas, a crise de um mal antigo das relações humanas, uma incapacidade de fraternais, de verdadeira relações amorosas, um mal antigo que agora se tornou crise porque se tornou insustentável. É, pois uma crise de amor e o que fracassa é um modelo de sociedade, o modelo patriarcal.”
– Claudio Naranjo, no livro “A revolução que esperávamos”. [tradução ?]. Brasília: Verbena Editora, 2015.

(um século) por Zack Magiezi

Como gosto do jeito que o Zack traduz sentimentos e visões em palavras. Aprecio porque meus pensamentos, ou percepções, por vezes, se alinham demais aos dele. As palavras dele encontram “eco” em mim. De alguma forma, em algum sentido. Sei lá.

Nesse (um século), em específico, que chamei de “automatismo inconsequente”, é como se ao ler, eu colocasse as lentes pelos olhos dele, tirando uma fotografia de um desses momentos em que o “sistema”, as “rotinas padrões” representam um poder dominante. É como se as engrenagens só tem o trabalho de girar… Interminavelmente.

“Onde está a vida?…”

“Acorda menino !!!”.

Imagem de Nickbar

Existia em mim um cansaço de homem centenário.
Nas tardes, eu ocupo o meu tempo, sentado em uma praça de alimentação qualquer, e observo a vida.
Essa se tornou um conjunto de repetições dentro do tempo? Os jovens comendo seus sanduíches com suas roupas iguais e seus jogos de conquistas banais, como um videogame qualquer.
Onde está a vida?
Na gente chique com as suas roupas chiques?
Nos que trabalham como loucos em troca de nada e ainda se julgam espertos. Statos é algo criado para roubar o seu tempo, é uma miragem. Pessoas em relacionamentos vazios, academias cheias de pessoas que querem impressionar as outras. Vazios, vou me tornando um profeta furioso, minhas palavras estão repletas de fúria. Todos são engrenagens (eu também sou, essa é a minha dor), repetindo as mesmas coisas de maneira infinita, em cada dia da sua maldita existência.
Gritos mudos em dias de concreto.
A vida pronuncia palavras furiosas.

Do Livro “Textos que ficaram quando você partiu”…

(guarda-roupa) por Zack Magiezi

Eu queria estar presente por inteiro dentro do meu dia, eu queria estar presente em todos os abraços que recebo, queria lembrar das palavras que escuto, eu queria ser um amigo melhor e estar atento, eu queria saber chorar quando bate a vontade.

Eu queria deixar a minha solidão no cabide e sair com uma roupa diferente, eu queria sentar em um banco qualquer e puxar um papo despretensioso, eu queria que o futuro parasse de exigir coisas que eu n]ão vou conseguir.

Eu queria sentir o sabor de cada instante, eu queria olhar para os meus olhos e enxergar a minha alma, eu queria sonhar e, por um instante, acreditar que posso fazer uma realidade melhor, eu queria, mas, no fim, temos o terrível hábito de vestir a mesma camiseta surrada.

De Zack Magiezi, do livro “Textos que ficaram quando você partiu”

%d blogueiros gostam disto: