Conformismo…. nahhh

Há poucos dias a publicação de duas mulheres que respeito me fizeram parar o que estava fazendo pra pensar. A primeira, uma dessas frases rápidas, sugeriu escolher bem as pessoas a quem se dedicar (com quem anda), os livros que lê e a maneira com que investe seu tempo. A segunda, de uma brasileira que mora nos Estados Unidos há décadas, após a separação no casamento lamenta ter que passar somente quinze dias do mês com os filhos e acaba de perder pessoas queridas dessa vida. Chama a atenção sobre o que importa.

A mente “farturenta” que é de movimentos passeia adoidado com esses dois insights. Aliás, como sempre. E o que ressalta hoje é principalmente sobre como tem sido a aplicação do meu tempo: pessoas, leituras, projetos … que marcas estão ficando pelo caminho.

Ao ver pessoas vivendo à revelia, urrando condutas indevidas, menosprezando e desrespeitando os demais, desigualdades de todo tipo, opressões veladas penso: e eu com tudo isso? Ouvi de uma conhecida um tempo atrás que para sobreviver a algumas intempéries, por vezes a melhor saída é fingir demência. Ahhhh exercício hercúleo esse!! Quando vejo algo de índole questionável normalmente me pronuncio. Tento escolher a forma e não significa que sempre acerto no jeito. Também não significa que estou certa ou tenho todo o conhecimento necessário para ter razão. Mas tenho posição e busco ouvir lados diferentes do meu. E isso não é fácil não. As vezes chateia, às vezes dói. Incomoda. A gente e os outros.

Por vezes me pergunto se vale mesmo a pena. De uma coisa eu sei: que continuo com meus estudos (especializações) e pesquisas no campo das ciências humanas e me vejo sempre escolhendo o lado de ser “ativa”. Isso tem lá seu preço.

Nesses momentos de autoanálise acabo me conectando conceitos como brio, dignidade, justiça e honradez. Não dá pra passar pela vida incólume não.

Boa semana e “força na peruca”.

Darlene Dutra

Por onde passa a experiência de escutar..

A gente fica triste e ou mesmo chateado quando há um “desentendimento” na experiência de troca com o outro, com nossos afetos mais queridos. Recordo de um professor do MBA dizendo que às vezes nossos entendimentos percorrem uma linha paralela aos do outro. E linhas paralelas nunca se encontram.

Escutar hoje em dia, em meio à cultura do rápido, da conhecença rasa tornou-se um desafio gigante.

O ato de sair da caverna, de escutar o outro pressupõe consciência, pressupõe um querer valioso, pressupõe abrir mão de estar sempre certo e cheio de razões.

Vamos combater a tristeza pelo caminho do conhecimento. “O conhecimento é o único bem verdadeiro que temos”, segundo Espinosa.

O ato de escutar pode ser transformador… o vídeo abaixo pode colaborar com essas reflexões.

Gosto muito do texto do  ESCUTATÓRIA (por Rubem Alves) sobre esse tema. Transcrevo aqui:

“A mente e os pensamentos, por vezes, entram em estado de puro alvoroço. Por um motivo ou outro. Ou mesmo por motivo nenhum. Esse texto do Rubem Alves pode ajudar. Ele nos convida a um reposicionamento de imediato. Uma maior calmaria para alma. Como se fosse uma atualização de “setup” do modo “ouvir”.

Compartilho contigo e espero que também curta e encontre elementos de valor. Leia com calma, sem pressa, desfrutando das palavras.

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise…) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada…“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós – como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a ideia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto… “

Rubem Alves, do Livro, (O amor que acende a lua, pág. 65.)

Patrocínio: www.pothum.com.br

Você pode mais…. sempre!

Sempre tive um interesse especial pelas questões humanas e pela gestão de pessoas nas experiências que vivi. Sei que podemos ser mais realizados e felizes do que normalmente somos… E isso me estimulou a realizar vários trabalhos nesse sentido!

Quem não deseja viver a realidade de relacionamentos pessoais e profissionais saudáveis, tornando sua vida mais plena? …mas o que isso significa?

Tenho aprendido que algumas das grandes bases da existência humana estão sustentadas no “coletivo”, ou seja na vida de relações: na família, nos amores, nos amigos, nos colegas, no trabalho. Na medida que cuidamos bem dessas bases podemos enriquecer a nossa trajetória, modificar nossa história.

O que vejo e é comprovado por vários estudos é que cada vez mais, estamos ficando individualistas, por várias razões.

De acordo com Bauman, um grande e respeitado sociólogo polonês, as relações escorrem pelo vão dos dedos. Ele disse ainda:

“Em nosso mundo de furiosa individualização, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Na maior parte do tempo, esses dois “avatares” coabitam – embora em diferentes níveis de consciência. No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência.”

SABER LIDAR COM ISSO É MESMO UM DESAFIO DO NOSSO TEMPO.

Uma das fontes de recursos para nos sairmos melhor nessas empreitadas é o autoconhecimento. Ele pode ser considerado o ponto de partida para um diálogo interno com maior profundidade e para que possamos promover as mudanças que gostaríamos de ver na nossa vida!

Daniel Goleman menciona claramente a necessidade de nos capacitarmos nas matérias da inteligência emocional, para nos administrarmos bem e também administrarmos nossos relacionamentos. Esse caminho pressupõe conhecer as próprias emoções e as dos demais, além de saber lidar com elas.

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Esse e outros temas eu trato na Jornada da realização, o 4TOUCH, um treinamento digital que idealizei para ajudar as pessoas.

Também tenho parte desse conteúdo no meu  ebook que chamei de   “Segredos de se relacionar”.  

Para receber informações das próximas turmas do 4TOUCH e receber o ebook, basta se cadastrar aqui e participar da nossa REDE!! 

Será muito bom ter você conectado por aqui!!!

até sempre,

Darlene

Conexões humanas – fundamentais para uma vida saudável

Há alguns anos optei por viver novos modelos de trabalho e criei uma oportunidade, transitei para um novo ciclo profissional. Habituada a determinados sistemas e modelos tradicionais de produção durante toda a vida o passo precisou de ingredientes como ousadia, coragem e determinação. Ouvi de uma diretora de recursos humanos na época que eu era uma pessoa de muita coragem ao ter aquela atitude e isto se tornou um reforço positivo para mim. Era isso mesmo que eu deveria fazer.

Eu sempre trabalhei em empresas rodeada de muitas pessoas. Equipes grandes. Interações nacionais e internacionais. Conheci tanta gente boa e interessante nesse caminho que não dá pra descrever. Isto tomaria mais de um livro de relatos. A mudança para o ciclo solo me causou, num primeiro momento, uma perda provisória. Chamo de um esvaziamento. Posso considerar que tenha sido um dos pontos mais críticos da transição: a redução significativa do contato humano, do tecido social tão costumeiro. Foi um sentimento intenso porque desde sempre gostei de gente, de trocas, das relações. Ao longo da nova experiência novos laços e modelos de relações foram sendo criados e a perda deu lugar a inovações nas formas de conectar outras pessoas.

Recentemente assistindo uma aula na especialização em neurociências, pude aprender sobre as químicas que percorrem nosso cérebro – com Paul Zak, PhD pelo Universidade da Pensylvania, e respeitado cientista no tema neuroeconomia – especialmente aquelas que geram e corroboram para nosso grau de satisfação na vida. A ocitocina, por muitos chamada de “fórmula da felicidade” ou é uma das responsáveis por essa repercussão positiva e produzida por nós em determinadas ocasiões. Ela cresce em situações de “convivência social”.

Os estudos científicos do Dr. Zak ao longo de muitos anos registram o nível dessa substância nos indivíduos em várias situações e contextos diferentes, inclusive em tribos ainda com costumes primitivas que vivem apartadas em lugares distantes. Alguns momentos sociais fazem com que este “hormônio do amor” aumente significativamente no corpo humano. Por exemplo, uma noiva teve o crescimento de 28% registrado após a cerimônia do seu casamento. Mãe, pai, noivo e pessoas próximas também tiveram seus percentuais acrescidos durante a experiência.

A produção de ocitocina também reduz o estresse cardiovascular, melhora o sistema imunológico e tende a aumentar a empatia, segundo o professor. Ao realizar estudos sobre o estresse, observou que pode manejar os estresse a seu favor, aprendendo a lidar com ele. O cérebro humano possui uma plasticidade e se adapta ao longo da vida mediante as experiências vividas. O aprendizado pode ser uma excelente ferramenta para a saúde mental se souber utilizá-lo.

Uma informação que considero relevante: 95% das pessoas produzem a ocitocina em situações sociais e coletivas. A exceção ocorre para alguns casos, patológicos inclusive, como os conhecidos psicopatas que não o produzem e nem se importam com o que fazem às outras pessoas para atingir seus objetivos.

De acordo com Zak, as pessoas que tem conexões sociais tendem a ter vidas mais longas e mais saudáveis. As pessoas precisam umas das outras. Nas palavras dele: “Somos seres fundamentalmente sociais. Somos feitos para nos conectarmos uns aos outros. ”

O autoconhecimento pode colaborar para criar uma vida mais saudável. A partir do momento em que a pessoa se conhece melhor e aprende sobre como ela funciona diante das situações aumenta a possibilidade de agir com mais consciência orquestrando devidamente seus comportamentos. Assim lidará melhor com suas necessidades e consequentemente construirá um viver melhor.

Até breve,

Darlene Dutra
Consultora estratégica
em humanização e negócios.

PS

Segundo a Wikipédia, a Ocitocina ou oxitocinona é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na p90-hipófise posterior (Neurohipófise) tendo como função: promover as contrações musculares uterinas; reduzir o sangramento durante o parto; estimular a libertação do leite materno; desenvolver apego e empatia entre pessoas; produzir parte do prazer do orgasmo; e modular a sensibilidade ao medo (do desconhecido).[1][2]

#ocitocina #oxitocina #paulzak #zak #autoconhecimento #saudemental #felicidade #bemestar #estilodevida #vida #darlenedutra #comportamento #desenvolvimentohumano #humanbehavior #personaldevelopment #happyness #oxytocin #ciencia #amor #cience #neurocience #neurociência

Compreendendo a ligação entre o sono e a ansiedade

“As descobertas de pesquisas que sugerem que a perda de sono e a ansiedade estão intimamente ligadas foram apresentadas na Neuroscience 2018, uma conferência anual da Society for Neuroscience realizada em San Diego, Califórnia. As notícias não são todas terríveis, no entanto o evento deste ano ofereceu algum elementos baseados na ciência, juntamente com motivos de preocupação.

A neurociência continua se concentrando nos mistérios do sono (e sim, ainda é muito misterioso, apesar de sua onipresença na mídia) – não apenas os perigos de não conseguir o suficiente, mas a lista de papéis vitais que desempenha em nossos cérebros.

Imagem de Andreas Lischka por Pixabay

A pesquisa discutida no evento deste ano 2018 abordou uma série de descobertas, desde os papéis do sono na consolidação da memória até a remoção de lixo no tecido cerebral. Estamos aprendendo por meio de mais estudos a cada ano que o sono, incluindo cochilos bem posicionados, facilita a consolidação de informações do cérebro – movendo o carregamento da memória de armazenamento de curto para longo prazo e aprimorando sua acessibilidade para quando precisarmos. Sem dormir, a memória simplesmente não acontece.

Também aprendemos que o sono fornece ao cérebro um período inestimável de transporte de toxinas para fora do tecido neural por meio de um sistema complexo de remoção de lixo. Operando separadamente do sistema linfático do corpo, o aparato de eliminação de lixo do cérebro parece dependente do sono para funcionar corretamente. As ligações entre doenças neurodegenerativas como Alzheimer e o acúmulo de toxinas no tecido cerebral são excepcionalmente fortes, e a perda de sono é uma provável culpada.

Uma sessão de painel no evento deste ano chamado “Ameaças de privação de sono” destacou novas descobertas sobre a conexão entre perda de sono e ansiedade.

“A privação de sono não é o que geralmente pensamos que é”, disse o moderador da sessão Clifford Saper, MD, PhD da Harvard Medical School. Geralmente não é “ficar acordado 40 horas de uma vez”, mas sim gradualmente perder o sono ao longo do tempo.

Saper observou que a maior parte da privação de sono é mais especificamente a privação REM (movimento rápido dos olhos), referindo-se ao período de sono durante o qual o corpo fica mais relaxado enquanto o cérebro se torna mais ativo. Durante o ciclo normal de sono, as pessoas passam cerca de 20% do tempo em REM, mas o sono interrompido atrapalha o ciclo, com consequências para a memória, os sistemas nervoso e imunológico e muito mais.

A pesquisa apresentada durante o painel descobriu que a atividade cerebral após períodos de privação de sono reflete a atividade cerebral indicativa de transtornos de ansiedade. A amígdala – sede da resposta de luta ou fuga do cérebro – fica particularmente “excitada” quando não dormimos o suficiente.

Um estudo descobriu que os cérebros de participantes que experimentaram mesmo breves períodos de privação de sono mostraram maior atividade em um complexo de “regiões do cérebro geradoras de emoção” e atividade reduzida em “regiões reguladoras de emoção”.

Essas descobertas estão relacionadas ao motivo pelo qual as pessoas com transtornos de ansiedade freqüentemente relatam uma explosão de ansiedade logo pela manhã. O sono insatisfatório parece colocar o cérebro em guarda, desencadeando picos nos hormônios do estresse, como o cortisol, produzindo um “surto de ansiedade” na madrugada antes mesmo de o dia começar.

O painel também abordou o “ciclo vicioso de ansiedade e perda de sono” – embora a perda de sono seja freqüentemente um precursor de transtornos de ansiedade, a ansiedade também leva à perda de sono. As condições se alimentam, com efeitos combinados.

Felizmente, a ciência também está trazendo boas notícias com aplicações práticas. Como a ligação entre ansiedade e sono é tão forte, os pesquisadores relataram que a “terapia do sono” pode ser um método eficaz de tratar transtornos de ansiedade. Encontrar maneiras de melhorar o sono de um paciente ansioso pode ser uma das oportunidades de tratamento mais negligenciadas e acessíveis.

“Os resultados [da pesquisa] sugerem que a terapia do sono pode reduzir a ansiedade em populações não clínicas, bem como em pessoas que sofrem de ataques de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático e outras condições”, disse o palestrante e principal autor do estudo Eti Ben-Simon, PhD, do Center for Human Sleep Science da University of California, Berkeley.

E a notícia realmente boa é que muitos dos efeitos negativos da perda de sono parecem reversíveis depois de apenas uma noite de sono tranquilo.

“Para pessoas saudáveis, a pesquisa mostra que uma noite de sono de recuperação traz os sistemas de volta online e traz os níveis de ansiedade de volta ao normal”, acrescentou o Dr. Ben-Simon.

O que pode ajudar a explicar por que pesquisas anteriores descobriram colocar o sono em dia durante o fim de semana acaba sendo eficaz – algumas noites de sono sólido podem equilibrar muitos dos aspectos negativos do trabalho árduo em noites estressantes durante a semana. Não é uma solução ideal (o padrão-ouro é dormir bem consistentemente), mas certamente melhor do que não se recuperar.

Conclusão: mesmo se você estiver lutando para dormir bem, certifique-se de ter pelo menos uma ou duas noites de recuperação durante a semana para sintonizar as partes do cérebro que geram emoções e trazer a regulação da emoção de volta online. Esse é apenas um dos muitos benefícios de ter uma boa noite de sono, mas é especialmente crucial quando se trata de controlar a ansiedade.”

Referências:

Este artigo, escrito por David DiSalvo, foi traduzido de forma automática e pode ser lido no original nas fontes abaixo:

Pesquisa relacionada nesse artigo foi apresentada na  Neuroscience 2018, the annual conference of the Society for Neuroscience.

Uma edição revisada e alterada de 2018 está disponível em  What Makes Your Brain Happy and Why You Should Do the Opposite i

Você pode encontrar os artigos de David DiSalvo at Forbes.
December 13, 2018 by David DiSalvo.

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Aprender a perder, aprender a viver

Assisti na semana passada uma série recém lançada na plataforma de conteúdos Netflix, de nome “O Gambito da Rainha”. Dona de belas interpretações e uma cuidadosa fotografia, a história ocorrida na década de 60 conta a trajetória crescente de uma enxadrista órfâ no mundo do xadrez dominado pelos jogadores masculinos.

Dentre os vários elementos de valor que podem ser extraídos do conteúdo, trago um relacionado ao desenvolvimento humano, à possibilidade de construir uma vida melhor, à capacidade de saber ganhar e perder. O mundo dos “jogos” cria esta prerrogativa, a de aumentar a musculatura, experimentando as duas posições: altos e baixos, glória e derrota. Ninguém consegue vencer o tempo todo e dependendo do estilo e psicologia do jogador pode aproveitar muito as situações estudando e aprendendo nesse processo.

Pensando em transportar essa experiência para o contexto de “aprender na vida” vou engrossar este caldo conectando uma das entrevistas realizadas por Clarice Lispector. Ela fez uma série delas com muitos conhecidos e deixou guardados interessantes. Abaixo, um pequeno trecho da conversa com Hélio Pellegrino, psicanalista mineiro, escritor e poeta brasileiro, amigo de Fernando Sabino, Otto Lara, Nelson Rodrigues, entre outros.

Clarice:
– Hélio, é bom viver, não é? É pelo menos essa a impressão que você me dá.

Hélio Pellegrino:
– Viver, essa difícil alegria. Viver é jogo, é risco. Quem joga pode ganhar ou perder. O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo. Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. Se sei perder, sei ganhar. Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias. Quem não sabe perder acumula ferrugem nos olhos e se torna cego – cego de rancor. Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais que bom – se torna fascinante. Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos constitui. Somos feitos de tempo, e isto significa: somos passagem, movimento sem trégua, finitude.

Aprender a reconhecer as próprias vulnerabilidades, inerentes à natureza humana, as próprias fraquezas, considerando as derrotas caminhos naturais, pode ser um desafio a princípio e depois uma dádiva na construção de um viver mais rico, leve e melhor.

Até breve,

Dah

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A dose de “telas” e o impacto no desenvolvimento humano

Atolados no mar de publicações nas redes sociais, de supostas “alegrias” ou talvez “alegorias” (rs), mover-se na vida baseando-se nisto é real e também quimérico. Em geral, as postagens tem lá seus interesses, conscientes ou não. As pessoas postam não exatamente porque estão felizes por mais que se façam parecer assim. Há uma exposição que movimenta egos, expectativas e “consomem” tempo de vida. E se o sujeito não está atento ao que isto significa poderá ser levado por mensagens de muitas ordens e tipos, além dos vários impactos de ordem emocional, neurológica e outros.

Já parou pra pensar que a suposta felicidade de uns (publicadas com regularidade) tornam-se “objetos de desejo” para prover a teórica felicidade de outros. Gennnte, cuidado, ledo engano.

Macbook, Apple, Imac, Computador, Tela, Laptop
from pixabay

O pesquisador neurocientista Michel Desmurget lançou recentemente um livro, com o título “A fábrica de cretinos digitais”, onde reflete sobre os impactos do entretenimento bobo no desenvolvimento, na mente das crianças e jovens. Eles perdem potência na sua capacidade de reflexão e forma de ver o mundo e ainda ficam felizes com essa “sina”. Alguns países estão registrando uma geração com QI´s inferiores aos dos pais. É uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França, etc….

Embora a pesquisa contemple uma série de atributos e variáveis a serem analisadas um dos pontos que me chamou a atenção como profissional do desenvolvimento humano foi que quanto maior a exposição da criança ao uso de telas menor seu desenvolvimento cognitivo – linguagem, concentração, memória, desempenho acadêmico. (vou deixar ao final deste post o link da reportagem sobre isto, caso seja do seu interesse).

Esta frase é dele: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”

Ok, além de ser uma pessoa positiva por natureza, sou uma “tecnófila” de carteirinha e vejo uma enormidade de benefícios e vantagens que a tecnologia proporciona para a sociedade. Eu mesmo consumo uma série deles especialmente o de conectar pessoas que não vejo há anos… ahhhh que coisa boa!!!! Também tem sido um dos meus canais prediletos para aprendizados em diversos campos do meu interesse: uma nova pós graduação em “humanidades”, uma certificação em neurociência, artes, etc.

Afinal, quem não quer ter experiências positivas e momentos felizes proporcionados por elas, as redes??

O que considero aqui é que, assim como todo remédio, é importante cuidar da dose, da prescrição devida. As movimentações psicológicas, emocionais, mentais geradas e não conscientes podem ter impactos relevantes nas vidas das pessoas.

Nesses últimos dois meses muito se falou do documentário – o “Dilema das Redes” – lançado na plataforma de conteúdos da Netflix. Muitas críticas mencionavam que não há novidade no documentário o taxando de sensacionalista. Mas o incrível é que apesar de não haver tantas novidades em termos de informações isto não reflete no comportamento e em ações efetivas das pessoas com relação ao exposto. Além do mais há muito a ser feito na regulamentação sobre o uso do poder concentrado nas mãos de poucos detentores. (desigualdade aff)

Crítica | O Dilema das Redes é bem produzido, mas falha em apontar dedos -  Canaltech
Imagem da reportagem do estadão, https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,facebook-acusa-filme-o-dilema-das-redes-de-sensacionalismo,70003461523

É do Desmurget a frase: “A grande mídia está repleta de afirmações infundadas, propaganda enganosa e informações imprecisas. A discrepância entre o conteúdo da mídia e a realidade científica costuma ser perturbadora, se não enfurecedora. Não quero dizer que a mídia seja desonesta: separar o joio do trigo não é fácil, mesmo para jornalistas honestos e conscienciosos. Mas não é surpreendente. A indústria digital gera bilhões de dólares em lucros a cada ano. E, obviamente, crianças e adolescentes são um recurso muito lucrativo.”

Fica sempre a pergunta: o que podemos fazer dentro do nosso espectro de ação, na nossa condição individual? Pais, educadores, influenciadores digitais, como podemos colaborar para que as gerações futuras possam ter experiências valiosas e um desenvolvimento propício e adequado?

Bora pensar, meu povo!..

Até breve…

#telas #dilemadasredes #internet #facebook #google #midiassociais #desenvolvimentohumano #humandevelopment #darlenedutra #desenvolvimentocognitivo #humanidades #humanities #neurocience #neurociência #comportamento #behavior

Reportagem –
https://www.uol.com.br/tilt/noticias/bbc/2020/10/30/geracao-digital-por-que-pela-1-vez-filhos-tem-qi-inferior-ao-dos-pais.htm

Hora de começar a próxima turma do 4TOUCH

Há três anos tenho me dedicado mais às matérias do desenvolvimento humano. Baseado nas minhas experiências corporativas, acadêmicas e pessoais criei um programa para ajudar as pessoas a ampliarem suas realizações.

Sei que muitos projetos e sonhos são engavetados por alguns motivos: foco, tempo, organização, disciplina entre outros.

Por isso esse programa é uma alavanca para as pessoas que querem tirar esses planos da gaveta e agir. Eu sei que posso ajudar essas pessoas a saírem da inércia.

Vou abrir uma turma nova ainda essa semana. Serão seis encontros semanais online de aproximadamente 90 minutos. A ideia é ter poucas pessoas para que eu possa me dedicar pessoalmente a cada um dos processos dos estudantes. Publiquei hoje, no meu canal do youtube o vídeo que explica os módulos dessa jornada. (veja aqui)

Se for algo que faça sentido pra você, me escreva por aqui ou deixe uma mensagem no meu direct do instagram – h2h.

até breve..

A força do professor

A FORÇA DO PROFESSOR

Um guerreiro sem espada
Sem faca, foice ou facão
Armado só de amor
Segurando um giz na mão
O livro é seu escudo
Que lhe protege de tudo
Que possa lhe causar dor
Por isso eu tenho dito
Tenho fé e acredito
Na força do professor.

Ah… se um dia governantes
Prestassem mais atenção
Nos verdadeiros heróis
Que constroem a nação
Ah… se fizessem justiça
Sem corpo mole ou preguiça
Lhe dando o real valor
Eu daria um grande grito
Tenho fé e acredito
Na força do professor.

Porém não sinta vergonha
Não se sinta derrotado
Se o nosso pais vai mal
Você não é o culpado
Nas potências mundiais
São sempre heróis nacionais
E por aqui sem valor
Mesmo triste e muito aflito
Tenho fé e acredito
Na força do professor.

Um arquiteto de sonhos
Engenheiro do futuro
Um motorista da vida
Dirigindo no escuro
Um plantador de esperança
Plantando em cada criança
Um adulto sonhador
E esse cordel foi escrito
Porque ainda acredito
Na força do professor.

Bráulio Bessa

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la,
isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la,
isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
          Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que pássaros sem vôos.
  Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
            Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
             Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cícero

Poster Noite de Dah Visual Art na #colab55. Tags: watercolor, aquarela, preto, noite, delicado, night, modern, minimalista, minimalism
Dah Visual Art

#poesia #poema #antoniocicero #guardar #arte #vida #afeto #amor #liberdade #consciência #

Qual sua posição na fila ?

Eu e a vida

Dah

Estamos todos na fila…..
A cada minuto alguém deixa esse mundo pra trás. Não sabemos quantas pessoas estão na nossa frente.
Não dá pra voltar pro “fim da fila”. Não dá pra sair da fila. Nem evitar essa fila.
Então, enquanto esperamos a nossa vez:-
Faça valer a pena cada momento vivido aqui na Terra.
Tenha um propósito.
Motive pessoas !!
Elogie mais, critique menos.
Faça um “ninguém” se sentir um alguém do seu lado.
Faça alguém sorrir.
Faça a diferença.
Faça amor.
Faça as pazes.
Faça com que as pessoas se sintam amadas.
Tenha tempo pra você.
Faça pequenos momentos serem grandes.
Faça tudo que tiver que fazer e vá além.
Viva novas experiências.
Prove novos sabores.
Não tenha arrependimentos por ter tentado além do que devia, por ter valorizado alguém mais do que deveria, por ter feito mais ou menos do que podia.
Tudo está no lugar certo.
As coisas só acontecem quando têm quem acontecer.
Releve.
Não guarde mágoas.
Guarde apenas os aprendizados.
Liberte o rancor.
Transborde o amor.
Doe amor.
Ame, mesmo quem não merece.
Ame, sem querer receber nada em troca.
Ame, pelo simples fato de vc vibrar amor e ser amor.
Mas sempre, ame a si mesmo antes de qualquer coisa.” Esteja preparado para partir a qualquer momento. Vc não sabe seu lugar na Fila, então se prepare prá deixar aqui apenas boas lembranças.
Suas mãos vão embora vazias.
Não dá pra levar malas, nem bens…
Se prepare DIARIAMENTE prá levar consigo, somente aquilo que tens guardado no coração.”


Lya Luft

Integridade

Toda vez que assisto o filme “Perfume de Mulher” eu identifico novos elementos e gosto mais ainda.

Baseado num filme italiano de 1974 e com uma atuação incrível de Al Pacino, que lhe rendeu um Oscar, a trama faz pensar sobre o papel de um educador, a importância de uma parceria autêntica, e especialmente o valor dos princípios e o sentido de integridade. Uma aula relevante nesses tempos em que assistimos tantas condutas inescrupulosas em vários de nossos contextos.

Vale a pena o reprise !!

#perfumedemulher
#liderança
#integridade
#desenvolvimentohumano
#leadership
#alpacino
#integrity
#etica
#humanidades

As mulheres…

as mulheres da minha família
adornam os ossos pesados
com tecidos finos

e cores plácidas
desde minha avó
elas dançam sutis nos coquetéis
e firmes nas noites de insônia
sem perder os brios
mesmo à luz da fivela do cinto
de homens e progenitores
mesmo quando são avisadas
em seu baile de formatura
que seus namorados engravidaram
as formandas loiras

nós, muito morenas.

Mariana Marino

Um luxo da
Poesia contemporânea brasileira

#ei – O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

Motores do comportamento

João era um profissional tido em alta conta na empresa. Recebia elogios pelo conhecimento técnico que tinha e era enviado com regularidade a cursos no exterior além de pontualmente contribuir nas grandes decisões. O que soava estrano era que grande parte das pessoas não entendia bem o que o João queria dizer. E ele não se incomodava com isso. Não se importava em fazer-se entender. Parecia até um esforço ao contrário, deixando nas entrelinhas que era letrado e sabido demais. Ou não. rs

Certa vez ele foi motivo de chacota e as pessoas passaram a sugerir a contratação de um curso de formação extra em “traduação do João” de tanto que a questão foi ficando séria. Anos mais tarde quando João foi desligado da organização a informação era que ele, embora tivesse conhecimentos técnicos importantes não conseguia traduzi-los em prol dos objetivos estratégicos.

Na minha vida profissional pude ver esse episódio se repetir algumas vezes. Presenciei e participei do desligamento de várias pessoas, onde a ausência de habilidades pessoais / sociais era o fator decisor e não o conhecimento técnico que possuiam. Aprendi com um diretor de recursos humanos, na época, que disse: “demitimos 90% por habilidades pessoais e não técnicas. Habilidades técnicas são adquiridas com maior facilidade que as comportamentais”.

Muitas histórias passearam na minha mente essa semana durante uma aula que com Dr. Goleman no curso de Neurociências. Eu já o conhecia pelos seus livros e teorias pois o leio há muito tempo. Aliás, tem um artigo de uns anos atrás (2011) sobre liderança primal que escrevi baseado no livro dele que trata sensibilidade na liderança com maestria.

Durante a aula ele apresentou um gráfico (abaixo), que ressalta a importância da inteligência emocional no desempenho principalmente nas posições de lideranças. Esse sim, é um grande desafio para as organizações para não dizer nações: ter líderes genuínamente humanos e capazes !

De que adianta ter conhecimentos técnicos profundos se eles não são utilizados ou viabilizados pelas habilidades pessoais e sociais (motores do comportamento humano) ?

Até sempre..

Da.

#liderança #liderançaprimal #leadership #goleman #inteligênciaemocional #qe #líderes #comportamento #desenvolvimentohumano #humanidades

Obra

Nem tive a chance de olhar no relógio, consumida estava pela energia do realizar com gosto. Formas, cores, sons… Pensamentos de várias ordens e a obra acontece. Arte ou não, não importa. É sobre debruçar-se em aprender. Desdobrar-se. Encontrar-se em outras frequências.

Então tá combinado

“Vivo de palavra. Escolho as que briham, enfilero, lustro com esmero para embonitecer, ofereço. De vez em quando, a luz de um acontecido é forte o suficiente para me fazer esquecer como é que se faz. Desaprendo. Perco a chave, esqueço a senha. Paro de respirar. Como quando por acaso te vejo e lembro que não sei te ler. Dói um pouco. Acho bom mesmo assim. “Porque toda razão, toda palavra, vale nada, quando chega o amor. “.

Cris Lisboa, no Livro “Tem um coração que faz barulho de água.”

“Então tá combinado”, citação dela da música de Peninha

Todos os dias me sujo de coisas eternas

Em tempos de pandemia um pouco de poesia contemporânea brasileira.
Aqui… Luana Carvalho em “E Agora Como Nunca. Antologia Incompleta da Poesia Contemporânea Brasileira”.

“Todos  os  dias  me  sujo  de  coisas  eternas    
café preto
vinho tinto
shoyo
sono
horror
saudade
sombra
chama
chuva
britas
parasitas
labirintos
lestrigões
livros
discos
organismos
hemisférios
centenários
água
sorte
soro  
cores  
casas   brancas   com   varanda
variantes   armaduras  
sonhos  
seivas          
céu        
você.

https://sites.google.com/view/art-dah/in%C3%ADcio

Canção do dia de sempre

“Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas…”

Mário Quintana

Retrato do artista quando coisa

Enquanto as palavras insistem em não brotar… me aproprio das de Manoel de Barros, cantadas sensivelmente por Luiz Melodia.

“Borboletas
Já trocam as árvores por mim
Insetos me desempenham
Já posso amar as moscas
Como a mim mesmo
Os silêncios me praticam

De tarde
Um dom de latas velhas
Se atraca em meu olho
Mas eu tenho o predominio
Por lírios

Plantas desejam a minha boca
Pra crescer por cima
Sou livre
Para o desfrute das aves
Dou meiguice aos urubús
sapos desejam ser-me
Quero cristianizar as águas
Já enxergo o cheiro do sol”

Luiz Melodia

Quero a minha garagem de volta

“Mãe você se aborreceu por causa da vaga de garagem?” Meu filho perguntou esses dias durante “nosso tradicional” almoço japonês. Algo aparentemente banal mas que me fez pensar a respeito. Eu deveria mesmo me “ocupar” com isto?

Tudo começara há quatro, cinco meses atrás. Lembro como foi estranho o dia da minha volta ao Brasil por conta do covid-19 em março. A saúde debilitada pelo cansaço na busca de alternativas e mais de vinte quatro horas entre aeroportos e vôos usando máscara para conter um resfriado forte que poderia assustar os demais. Depois a entrada no grupo de risco, os dois dias de isolamento total por segurança, as dificuldades na obtenção de ajuda das pessoas sem informação e o teste negativo.

Não obstante todo o imbróglio um detalhe corriqueiro e incômodo foi o papel colado no meu elevador que mencionava o resultado do “sorteio da garagem”. Evento dos mais disputados em qualquer condomínio. Eu havia deixado uma procuração para uma de minhas amigas me representasse. Sabia que o meu número era o 39 mas o informe anunciava que alguém se apropriara da minha garagem.

Passou esse filme todo na minha cabeça quando fiz as contas do tempo. Comunicações, notificações, protocolos e tentativas de correção do problema foram em vão. Simples e corriqueiro, mas ainda assim é um “direito”.

Lembrei de uma palestra do Karnal sobre a ética. (link) Eu a utilizei numa de minhas aulas da pós graduação há alguns anos atrás. Muitos alunos daquela turma não associavam as “vantagens” cotidianas, obtidas com certo jeitinho aos desvios de ética. É questão de ética sim senhor. Furar fila, comprar um guarda de trânsito, colar na prova, achar dinheiro perdido e não devolver, ser abusivo em contratos comerciais, não devolver um troco errado, romper o lacre de uma correspondência, entre outros.

Aí filho vai o resultado da minha reflexão: não me aborreci pela vaga da garagem em si. Eu fico incomodada quando vejo as pessoas querendo levar vantagem sobre as outras, por menores que sejam as situações. Minha natureza não me permite a inércia. O que não significa que vou bradar, brigar, gritar. Quem me conhece sabe que não uso desses artifícios. Mas tenha certeza que vou questionar e tentar elucidar a atitude.

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A vida social e a convivência coletiva carecem do polimento estrutural da honestidade, da confiança, hombridade e da lisura. É preciso se indignar e agir se isto acionar um mínimo “repensar” da coisa, se trouxer para a pauta determinados padrões de condutas. A aceitação pura e simples é omissão. O pequeno tem por trás o grande, o princípio.

Quero a minha garagem de volta!

Darlene

Significado de ÉTICA –

A palavra ética é de origem grega derivada de ethos, que diz respeito ao costume, aos hábitos dos homens. Teria sido traduzida em latim por mos ou mores (no plural), sendo essa a origem da palavra moral. Uma das possíveis definições de ética seria a de que é uma parte da filosofia (e também pertinente às ciências sociais) que lida com a compreensão das noções e dos princípios que sustentam as bases da moralidade social e da vida individual. Em outras palavras, trata-se de uma reflexão sobre o valor das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como no âmbito individual.

fonte:https://medium.com/@amarcoscrf/%C3%A9tica-no-dia-a-dia-das-rela%C3%A7%C3%B5es-pessoais-e-profissionais-c2cdd694da18

Ética é uma área da filosofia que busca problematizar as questões relativas aos costumes e à moral de uma sociedade, sem recorrer ao senso comum. A ética tenta estabelecer, de maneira moderada e com uma visão questionadora, o que é o certo e o errado e a linha, muitas vezes tênue, entre o bem e o mal. A ética está intimamente ligada à moral e consiste numa importante ferramenta para o bom convívio entre as pessoas e para o bom funcionamento das relações e das instituições sociais. 

fonte: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/o-que-etica.htm

covardia

Ao escolher a carreira política decidiu assumir a responsabilidade por governar.. Tudo bem. Aceito. Pedir pra ele ser um líder é exagero. Mas governar é o mínimo. Ser “chefe” é o papel básico para o qual foi eleito.
Impressionante como o principal político desse país parece estar totalmente avesso às dores e acontecimentos relacionados à crise da saúde. Essa coisa de mudar ministros em série, bradar mensagensdesumanas e impróprias, mudar o sistema de informações da crise em plena curva ascendente … gente!!!! Socorro!! “que país é esse”.

Não escrevo sobre política. Não tenho arsenal e competência pra tal. Não conheço o sistema político a fundo para tecer considerações com substãncia. Mas estudo e escrevo sobre o tema liderança em suas várias dimensões. Trabalho e experimento esse tema nas mentorias de executivos. Como cidadã e brasileira não resisti a esse posicionamento pelo porte do impacto e consequências do que tenho visto.

Pronto. Falei.

Significado de covardia (google)

  1. 1.comportamento que denota ausência de coragem; atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia.
  2. 2.violência contra o mais fraco.

#ei – Tomo conta do mundo

Sou uma pessoa muito ocupada: tomo conta do mundo. Todos os dias olho pelo terraço para o pedaço de praia com mar, e vejo às vezes que as espumas parecem mais brancas e que às vezes durante a noite as águas avançaram inquietas, vejo isso pela marca que as ondas deixaram na areia. Olho as amendoeiras de minha rua. Presto atenção se o céu de noite, antes de eu dormir e tomar conta do mundo em forma de sonho, se o céu de noite está estrelado e azul-marinho, porque em certas noites em vez de negro parece azul-marinho. O cosmos me dá muito trabalho, sobretudo porque vejo que Deus é o cosmos. Disso eu tomo conta com alguma relutância.

Dah

Observo o menino de uns dez anos, vestido de trapos e macérrimo. Terá futura tuberculose, se é que já não a tem. No Jardim Botânico, então, eu fico exaurida, tenho que tomar conta com o olhar das mil plantas e árvores, e sobretudo das vitórias-régias.

Que se repare que não menciono nenhuma vez as minhas impressões emotivas: lucidamente apenas falo de algumas das milhares de coisas e pessoas de quem eu tomo conta. Também não se trata de um emprego pois dinheiro não ganho por isso. Fico apenas sabendo como é o mundo.

Se tomar conta do mundo dá trabalho? Sim. E lembro-me de um rosto terrivelmente inexpressível de uma mulher que vi na rua. Tomo conta dos milhares de favelados pelas encostas acima. Observo em mim mesma as mudanças de estação: eu claramente mudo com elas.

Hão de me perguntar por que tomo conta do mundo: é que nasci assim, incumbida. E sou responsável por tudo o que existe, inclusive pelas guerras e pelos crimes de lesa-corpo e lesaalma. Sou inclusive responsável pelo Deus que está em constante cósmica evolução para melhor.

Tomo desde criança conta de uma fileira de formigas: elas andam em fila indiana carregando um pedacinho de folha, o que não impede que cada uma, encontrando uma fila de formigas que venha de direção oposta, pare para dizer alguma coisa às outras.

Li o livro célebre sobre as abelhas, e tomei desde então conta das abelhas, sobretudo da rainha-mãe. As abelhas voam e lidam com flores: isto eu constatei. Mas as formigas têm uma cintura muito fininha. Nela, pequena, como é, cabe todo um mundo que, se eu não tomar cuidado, me escapa: senso instintivo de organização, linguagem para além do supersônico aos nossos ouvidos, e provavelmente para sentimentos instintivos de amor-sentimento, já que falam. Tomei muita coisa das formigas quando era pequena, e agora, que eu queria tanto poder revê-las, não encontro uma. Que não houve matança delas, eu sei porque se tivesse havido eu já teria sabido. Tomar conta do mundo exige também muita paciência: tenho que esperar pelo dia em que me apareça uma formiga. Paciência: observar as flores imperceptivelmente e lentamente se abrindo.

Só não encontrei ainda a quem prestar contas.

Clarice Lispector

From – #ei – Escritos Incríveis (https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/tomo-conta-do-mundo-clarice-lispector.html)

Crônica de Clarice Lispector, publicada originalmente no ‘Jornal do Brasil, 4 de março de 1970) – Clarice Lispector, do livro “Aprendendo a viver”. Rio de Janeiro: editora Rocco, 2004.

#claricelispecto #mundo #crônicas #viver #vida

#ei – Todo dia mais ..

Pessoas, Mulher, Menina, Vestuário, Olho

Chegou ao meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar. Não sabia explicar. Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos. Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.

Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida. Estava olhando para si mesma e nem notou. Ali, naquele instante estava recebendo um presente. Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais. Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não. Não mais. Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa. Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do seu próprio tempo.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais. Sonha pelo simples exercício de sonhar. Sonha porque notou que é o sonho que tempera a vida. Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo. Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas, nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vista dos outros.

Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor. E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar. A mulher ao centro da vida traz a leveza que os anos teceram, pacientemente. Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo. Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais. Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar. Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais.
(autor desconhecido)

Do site – https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/um-pouco-cada-dia.html

#liberdade #maturidade #equilíbrio #vida #lifecoaching #sonhos #projeto #amor #pazdeespírito #escolhas #tradeoff #mulheres

#ei – Tempos difíceis …

“Minha avó uma vez me deu uma dica:
 Em tempos difíceis, você avança em pequenos passos.
 Faça o que você tem que fazer, mas pouco a pouco.
 Não pense no futuro ou no que pode acontecer amanhã.
 Lave os pratos. Tire o pó.
 Escreva uma carta.
 Faça uma sopa.
 Entende?
 Você está avançando passo a passo.
 Dê um passo e pare.
 Descanse um pouco.
 Elogie-se. Dê outro passo.
 Então outro.
 Você não notará, mas seus passos crescerão cada vez mais.
 E chegará o momento em que você poderá pensar no futuro sem chorar.”

– Elena Mikhalkova

Imagem Tasha Tudor 

Do site escritosincriveis.blogspot.com

https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/em-tempos-dificeis-elena-mikhalkova.html

#ei – A bolsa ou a vida?

Contardo Calligaris
Psicanalista, na FSP de 14.05.2020


Há quem ache que, diante da pandemia, deveríamos sacrificar vidas

A bolsa ou a vida? Anos atrás, o psicanalista francês Jacques Lacan se serviu dessa alternativa para explicar o que é uma escolha forçada —que, de fato, nem sequer é uma escolha.

Eis por quê: se eu escolher ficar com a bolsa, não perderei só a vida, mas também a própria bolsa pela qual me sacrifiquei, pois nenhum ladrão vai ser burro a ponto de deixar a bolsa com o meu cadáver. Então, quem escolhe a bolsa perde a vida e também a bolsa.

Conclusão: só resta escolher a vida e entregar a bolsa. No Brasil, por causa de um gosto antigo pela violência (que talvez tenha penetrado a cultura nacional junto da prática da escravatura), o bandido, às vezes, recebe a bolsa e ainda assim nos dá um tiro de despedida. De qualquer forma, entregando a bolsa, temos ao menos uma chance de ficar com a vida —embora, é claro, uma vida sem a bolsa.

A alternativa de “a bolsa ou a vida?” talvez nos ajude a enxergar a estranheza do debate em curso entre a saúde e a economia diante da pandemia de coronavírus. Deveríamos, por exemplo, proteger as vidas com o maior isolamento social possível? Ou deveríamos aceitar um aumento da taxa de infecção e do número de mortos para preservar a atividade econômica? A vida ou a bolsa?

Parênteses: em outros países, o debate a favor ou contra o isolamento existe como discussão sobre qual caminho poderia, a longo prazo, produzir uma imunidade coletiva e portanto poupar mais vidas.

No Brasil, a questão é apenas sobre a “necessidade” de reabrir o comércio e retomar a atividade econômica.

Voltemos. Há uma diferença considerável entre a alternativa proposta pelo bandido e nossa situação atual. A pergunta do bandido se endereça a uma pessoa só —você, que está sendo assaltado.


Imagine que, na hora do assalto, você esteja com um seu conhecido. Ao serem assaltados, você consegue se entrincheirar numa sala segura, junto com a sua bolsa, mas seu conhecido fica de fora. O bandido pede para você escolher entre a sua bolsa e a vida do conhecido. Qual será sua escolha?

Os que acham que, diante da pandemia, deveríamos escolher a bolsa e sacrificar vidas não estão entrincheirados em abrigos que os protejam da contaminação e de uma morte eventual. Eles apenas se consideram invulneráveis. São crianças atrasadas, convencidas de sua onipotência e da proteção eterna que lhes seria reservada pelo amor de suas mães.

Essa é uma patologia frequente, sobretudo masculina, incômoda para quem tem a desgraça de conviver com o paciente e só realmente perigosa quando o paciente ocupa um cargo de governo, sobretudo executivo.

No governo, a criança onipotente se transforma facilmente num canalha, que, considerando-se invulnerável, está disposto a escolher a bolsa, porque a vida que ele perderia seria sempre a vida dos outros.

Ou seja, os negacionistas acham que deveríamos desistir do isolamento social para preservar a economia e estão dispostos, para isso, a entregar, não a vida deles, mas a vida dos outros. Eles escolhem a bolsa e deixam o bandido (o vírus) matar a quem ele quiser (salvo a eles mesmos, que se imaginam protegidos por serem os eternos bebês maravilhosos de suas mães).

Alguém dirá: então deveríamos escolher a vida e esquecer a bolsa? E como vamos pôr comida na mesa?

Pois bem, é exatamente aqui que se esperariam a existência e a intervenção de um governo. O debate entre privilegiar a saúde ou a economia (a bolsa ou a vida) parece ser uma diversão inventada por um governo que não enxerga sua função crucial, a qual consistiria em administrar as consequências econômicas da única escolha aceitável (a escolha pela vida).

Ou seja, uma vez que só é possível escolher a vida (e não a bolsa), resta a tarefa de sustentar a vida de todos da melhor maneira possível.

Os governos, mundo afora, gastam e gastarão o que têm e o que não têm (sim, há momentos em qualquer administração nos quais é necessário gastar o que não se tem) para que os cidadãos possam proteger suas vidas (e logo retomá-las) sem se preocupar com sua sustentação básica, suas dívidas vencidas, seu aluguel e seus impostos atrasados etc.

Em vez disso, no Brasil, até agora, assistimos a uma comédia patética em que o governo promete, brada e não consegue nem sequer distribuir dignamente uma ajuda irrisória (os famosos R$ 600) sem que a própria distribuição se torne, para muitos, a ocasião de mais uma sinistra exposição ao contágio, em filas de espera.

https://escritosincriveis.blogspot.com/2020/05/a-bolsa-ou-vida-contardo-calligaris.html

#coronavirus #covid-19 #pandemia #economia #gestao #liderança #leadership #tradeoff #corona #pandemy

Sinal de continência

Nunca sequer imaginamos que a cena desses tempos pudesse acontecer. (número de mortes dobra a cada 10 dias no Brasil) Se algum dos gurus do futuro tivesse dito que em duas semanas estaríamos todos “quarentenados”, esperando o vírus passar … teríamos gargalhado. “Deve ser um louco.”. Lembrei da frase “de médico e louco todo mundo tem um pouco”.

E é mais ou menos isso… uma loucura.  Estamos no meio de uma guerra e não há que pestanejar. Obviamente que muitos avisos foram dados pelo caminho: cientistas, intelectuais, visionários e tantos outros disseram em vão. Porque enquanto tentavam ser ouvidos o que estava em jogo eram  a política, o negócio, o dinheiro. O mundo tinha outras “pressas”.

Lamentar?  Não.  Isso posto o melhor a fazer é encarar. Rs… O que quero dizer? Passou da hora de trocar de roupa e vestir a farda, Qual? A do “front”. A da comissão de frente. Queremos e precisamos vencer essa fase do jogo. Começando por filtrar pensamentos e palavras que só servem pra piorar as coisas.  Algumas precisam entrar na gaveta dos “proibidos”. Lembrou de alguém, vizinho, amigo, parente, que vivia reclamando da vida sem fazer nada? Pois é.   Engavete também.. rs

Hora de aceitar que modelos vigentes até bem pouco tempo não mais retornarão porque hoje já somos outros, sociedades, empresas, estado, indivíduos. Aquela sensação de controle, de que tudo estava indo bem? Esquece. O momento urge por resiliência e mais do que nunca adaptação, em várias direções. Estamos sendo convocados a uma reinvenção sem precedentes na nossa história. ” Na bruta”. “Na marra”.  “Na saúde”.  Em escala mundial.  

Conforme informações da BCG, a taxa de mortos no Brasil dobra a cada dez dias e a comparação com outros países colabora para o aprofundamento e análises, pois trata-se de um momento crítico. Veja:

BCG – Boston Consulting Group

Escutei um dos governadores do Nordeste do Brasil, onde há uma aceleração da contaminação,   clamando pelo cumprimento:  “Pelo amor de Deus,  fiquem em casa”.  Os impactos podem ser maiores para os que demorarem a assumir posições firmes e efetivamente entrar na guerra.  As curvas de contaminação e mortes escancaram isso.    E dai? Mãos à obra. Acionamento emergencial da guarita da consciência.  Sinal de continência e procure seu posto.  Fica na trincheira da tua casa!

#pandemia #covid-19 #quarentena #isolamentosocial #quarentine #mentalhealth #saudemental #ficaemcasa #stayhome #saude #emotionalhealth #bcg #bcganalysis

#EI – Aprendendo a viver

“Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.

Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas «melhore o momento presente», exclamava. E acrescentava: «Estamos vivos agora.» E comentava com desgosto: «Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar.»

A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.

Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.

Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós. Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.

Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. «É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.»

E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: «Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?» Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.

Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: «A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.» É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois «o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino».

E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. «Creio», escreveu, «que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força.» E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!

De Clarice Lispector, in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’

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O barulho do andar de cima

Ele ou ela, não sei.  Só sei que corria no andar de cima.  Insistentemente.  Tive dúvidas se seria alguém se exercitando.  !?!?!  Seria uma brincadeira de criança ou de bicho?  Gato, cachorro?  Uma verdadeira viagem  pra quem está há algumas semanas em distanciamento social.

picture from pixabay

Acho que prefiro ficar com a hipótese de alguém se exercitando. Assim usarei como um incentivo. (rs)  O vizinho de cima realizou uma proeza: conseguiu  “movimentar o esqueleto” dentro da nossa pequena casa.   Uma verdadeira façanha dado que atualmente moramos cada vez em menores espaços físicos e maiores espaços  de vida.     Méritos para ele.  Inovou pra não se entregar somente às guloseimas de uma cozinha disponível e convidativa dia todo. !! Ufa!!   Um parênteses:  os experimentos culinários e novos sabores são grandes prazeres.   Ponto para os chefes de cozinha, os peritos cozinheiros.

Não tive como não lembrar dos parques que adoro por aqui e que estão fechados.   Eu sempre brinco que são “meu quintal”.   Sei que daqui a pouco estarão de novo disponíveis pra gente se esbaldar.    Também recordei de quando morava em Minas e acordava pra correr.  Lugar lindo. No entorno de um pequeno lago!!  Certo que essa necessidade de reclusão nos ajuda a revisitar  o valor do que temos disponível em muitos aspectos.  A mente busca  rapidamente a liberdade.  A condição de ir e vir. 

O  fato é que aqueles passos rápidos e firmes do andar de cima me deram um empurrão.   Havia dias que eu não fazia exercícios aeróbicos  e meu corpo e mente cobravam alguma ação a respeito.  

Liberdade pode ser encontrada ainda que na mente.
Nos dias que se seguiram,   corri também.

Da

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socorro, pandemia “digital”

Pela manhã, antes de começar o trabalho será a live “X”. Na hora do almoço se as reuniões digitais do trabalho permitirem – sem “pit stop” para comer – terei a live “Y” e a tardinha tem aquela pessoa imperdível que eu admiro muito e que vai falar sobre um tema que preciso aprender pra melhorar minha performance profissional. Não posso perder. Ahhhh, a noite precisarei escolher pois haverão quatro lives importantes e legais ao mesmo tempo … SOCORRO!!!!

A utilização massiva da internet e dos seus atributos de conexão e comunicação cria possibilidades SENSACIONAIS. Abriu um espaço extravagante para o consumo de conteúdos dos mais diversos tipos e a custos acessíveis.

A tendência tecnológica apontada em seminários internacionais há mais de dez anos que mencionava o consumo em “qualquer lugar, qualquer dispositivo, qualquer hora” se materializou a uma velocidade impensada. São vários os fenômenos das aglomerações digitais. Marília Mendonça que o diga. rsss A novidade e a facilidade de utilização é tão grande que gerou certa avidez pelas práticas e o uso indiscriminado. Um verdadeiro fermento para carências humanas!!!

“não aguento mais tanta “live” e reuniões digitais a todo instante”.

Foi o que ouvi de amigos recentemente. Me disseram que estão muito mais sobrecarregados que antes, sem tempo para comer e organizar a vida direito. Antes o tempo de deslocamento era também o tempo pra pensar, organizar as ideias. Hoje ?!?!?! E com o agravante de que em tempos de quarentena essas pessoas assumiram adicionalmente as tarefas de casa e apoio aos filhos. Estamos convivendo com o “milagre da multiplicação de agendas” (rs). Os efeitos nocivos podem ocorrer na saúde mental e emocional.

Me lembro de quando a televisão aberta ainda dominava a sala de muitas casas dispersando a atenção de outras atividades mais interessantes e saudáveis. A tela só mudou de tamanho. Agora passou a morar na mão de cada um de nós. Os produtores e distribuidores de conteúdo atingiram uma escala mundial: nada mais nada menos que quase “TODO O MUNDO”.

Eu não sou louca de não reconhecer o poder da digitalização. Eu que sempre fui tecnófila. (rs). A tecnologia criou caminhos inovadores e em grande parte, muito mais produtivos para a realização em vários aspectos e setores. Entretanto, como ocorre nas curvas de aprendizagem, adaptações são necessárias. “Manual de instruções” (rss) Como lidar com isso no sentido de desfrutar de todos os benefícios inegáveis mas de uma maneira estruturada e positiva?

A competência humana “análise crítica” ou “pensamento crítico” passou a ser ainda mais “essencial” para a gestão do tempo e para o discernirmento acerca do consumismo digital. Um dos mecanismos analógicos e que, se aplicado ao digital pode contribuir muito é a utilização de curadorias. Pessoas ou instituições especialistas que têm a missão de reunir conteúdos relevantes, com profundidade e valor diferenciados.

“lives”, use com moderação.

Da

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Traços dos líderes genuínos e humanos

Num dia corriqueiro de trabalho João, um profissional sério e dedicado foi surpreendido com algo quase incompreensível. Foi advertido pelo seu superior sobre um email que teria enviado. Parece que uma frase no meio da mensagem escrita por ele teria despertado a “ira” do “chefe-mor” (do alto escalão) .

A menção feita por joão era algo quase banal e existia uma preocupação genuína dele ao dizer que deveriam aguardar um direcionamento para que o trabalho fosse encaminhado. Isso porque o projeto era de alta complexidade e eles, naquela posição da hierarquia, não tinham alçada para as decisões que se impunham. Eles realmente não tinham “autoridade” suficientemente outorgada.

Aí vem algo que costumeiramente ocorre quando o contexto reúne variáveis como poder, competência, comunicação e especialmente contextos humanos. Por detrás das posições corporativas existem indivíduos e junto com eles todo um arsenal de histórias, acertos, desacertos e até traumas, egos.

Aquela “bronca” era uma surpresa aos olhos do João. Ele, ao escrever a mensagem entendia que estava valorizando e respeitando a posição daquela chefia. Entendia que não deveriam seguir sem que “o poder instituído” desse seu comando e parecer. Mas ao contrário disso, a percepção do superior era de que o profissional estava “dizendo o que o chefe deveria fazer”. Por algum motivo a frase remexeu em algo seriamente abalado dele, talvez acordou questões de “ego trêmulo” e provocou um “quem ele pensa que é”, “quem manda aqui sou eu”, “não aceito subordinados me dizendo o que devo fazer.”

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Nesse caso, assim como em inúmeros outros na história de empresas e executivos, a comunicação por mensagem escrita provocou entendimentos contraditórios. Pontos de vistas absolutamente diferentes sobre o mesmo fato. Essa história voltou à tona nesses tempos de pandemia e que tenho assistido o presidente da república repetir várias vezes a mesma frase, ainda que com outras palavras: “quem manda aqui sou eu”.

“Ser líder é como ser uma dama: se você precisa provar que é, então você não é. ”

Margareth Thatcher

Em momentos de grandes crises as pessoas, especialmente as que ocupam cargos de gestão pública ou privada são convidadas a apresentar suas competências, suas habilidades para lidar com adversidades de toda ordem. Escancaram suas carências de desenvolvimento enquanto humanos e gestores.

Me fez lembrar também de um determinado período profissional quando cheguei a pensar que “acreditar nas características humanas dos líderes” fosse puro romantismo ou um olhar com óculos “cor-de-rosa” demais. Via uma combustão de interesses diversos. Meio que uma ingenuidade instalada pensar na bondade e generosidade de algumas mentes. Isso porque estava convivendo com muitas situações criticas e até cruéis. Percebi que me molestaram emocionalmente. O mais incrível é que foi daí uma grande oportunidade de aprendizado. Me levaram a um aprofundamento sobre comportamentos humanos como eu nunca havia estudado. Vi percepções caírem por terra e muitos conceitos positivos sobre liderança foram colocados “sob judici”.

Esse amadurecimento de conhecimentos foi extraordinário. Uma das lições da época, na história do João que contei, é que pude comprovar algo que já havia lido: chefes ou gestores não necessáriamente são líderes, embora ocupem posições de autoridade e responsabilidades maiores. E o contrário, na maioria das vezes é verdadeiro. Líderes em geral são bons gestores.

Recentemente lendo o livro que conta a admirável história do Starbucks, me deparei com várias questões sobre escolhas na liderança. compartilho um parágrafo que grifei, entre outros tantos:

“Os céticos sorriem maliciosamente quando me ouvem falar em “tratar as pessoas com respeito e dignidade”, uma frase que posteriormente incorporamos à Declaração de Missão da Starbucks. Eles acham que é papo furado, ou uma realidade evidente. Mas algumas pessoas não vivem conforme essa regra. Se eu sinto que uma pessoa sofre com falta de integridade ou princípios, encerro qualquer acordo com ela. A longo prazo, não vale a pena.

Schultz, Howard. Dedique-se de coração (p. 99). Buzz Editora. Edição do Kindle.

Sigo em outros escritos e postagens nesse tema que está entre os meus preferidos..

Atéeeee..

Da

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#EI – Novo mundo

“Defrontamo-nos com uma nova realidade, tanto individual como coletivamente. A mudança se dá porque o mundo humano tornou-se instável e não mais sustentável. Mas a revolução da realidade abriga uma oportunidade única: essa é a primeira década da história que nos oferece a escolha entre ser a última de um mundo desvanecente e obsoleto, ou a primeira década de um mundo novo e viável. A realidade emergente é radicalmente nova, intrinsecamente surpreendente e anteriormente imprevista. Vivemos a era da macromudança.”

 Ervin Laszlo em seu livro “Um Salto Quântico no Cérebro Global”

citado no artigo “Liderança Holística”, Exame Digital https://darlenedutra.com/2019/10/18/sobre-lideranca-holistica/

PARA AMANHÃ

Faz tua
casa um fragmento de alma,
cobre o teu pensamento.
Vai, que estás em tempo de colher-te,
um minuto para ser teu.
Interrompe tuas regatas desbravadas,
saídas das marinas solitárias,
e retribui para terra a demonstração das tuas patas.
Que não há segunda vez,
um homem se esgalha da marga ou desiste.
Para terra dá teus domingos desagradáveis e os risíveis.
Fica lasso, pétala urdida no sol e na água.
Vai, capaz de crescer.

Mariana Ianelli

A imagem reinterpretada na intimidade das crônicas de Mariana Ianelli

Mariana é uma poeta, cronista e crítica literária brasileira. Neta do artista plástico Arcangelo Ianelli, é graduada em jornalismo e fez o mestrado em Literatura e Crítica Literária na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Dias nublados

Hoje o dia amanheceu sem sol. Não é o sol de fora. É o aqui de dentro. Aquele que ilumina a alma. Acho que é tristeza. De ver tantas perdas mundo afora. O meu sol está vestido de uma palidez estranha. Só de pensar nas muitas pessoas que já estão lá fora lutando contra as mazelas do vírus. médicos, enfermeiros e profissionais de saúde deixando suas casas logo cedo rumo ao trabalho sem ter certeza do que está por vir.

Quantos mais estarão nas listas dos hospitais no fim do dia. Não sei se posso chamar de desafio ou se seria mais adequado chamar de uma missão de fé. Nno fronte nem todos conseguem executar seguramente seus ofícios. Esse momento exige equipamentos de proteção especiais para evitar o contágio. Que condições delicadas as deles! A falta de material adequado é um dos gargalos noticiados em todos os países. Imagine nos subdesenvolvidos cuja estrutura já não atendia as necessidades mesmo antes de tudo.

Eu, como a maioria, só tem que ficar em casa. É a maior das contribuições. Não ser agente transmissor.

Ontem o número de mortes subiu mais de quarenta por cento. Sim, esse dia sem sol fala muito. Fala de medo. Fala do desconhecido. Fala de perdas. Eu soube do que o Dudu fez a noite lá no centro da cidade de São Paulo. Por volta de dezenove e trinta da noite ele começou a tocar a música “Imagine” dos Beatles na sua janela. Em seguida vieram outras canções. Ele ficou ali acalentando e compartilhando com a vizinhança por mais de trinta minutos. O som enternecido e vibrante tomou conta dos ares naquele instante. O coro foi a resposta de tantas outras janelas. Um verdadeiro sopro de luz, uma acolhida pelos ares. É algo que comove. É como se nesse momento um círculo se formasse. Sempre digo que a música tem o poder de tocar frequências humanas inimagináveis.

Arte e Arquitetura: "Janelas do Mundo" / André Vicente Gonçalves ...
imagem de https://www.archdaily.com.br/br/775067/arte-e-arquitetura-janelas-do-mundo-andre-goncalves

Tive vontade de conhecer e conversar com o Dudu. Saber mais dele, como está vivendo esse momento e o que pensou ali ao unir-se a tantos pelos acordes. Atitudes como essa, de gente como a gente, sensibiliza. Me faz reafirmar a crença na bondade das pessoas. Tem uma frase que me acompanha há algumas décadas: “há gente boa em toda parte”.

Em todo canto do mundo. 

Em muita janela.  

Da.

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#CINEMA – Sobre o “MILAGRE NA CELA 7”

Um roteiro sensível, bem dirigido e de atuações fortes. Apresenta uma trama cativante que segura a atenção todo o tempo. Uma regravação de um filme sul coreano com o mesmo nome que conta a história de um pai com problemas mentais, e que nem por isso deixa de ter os sentimentos nobres nesse papel. Super recomendo a película turca de 2019. Surpreendente e triste.

Milagre na Cela 7

Neste momento de grande fragilidade, da crise mundial da saúde (covid-19), o cinema nos ajuda a refletir sobre o cultivo de sentimentos e ações de grande estatura, especialmente diante de situações difíceis. Gostei tanto do olhar humano e delicado do crítico no site omelete que transcrevo o trecho aqui:

“Quando pensamos em um milagre, é comum envolvermos o ar sobrenatural, quase divino, que envolve a expressão. Milagres são quase sinônimos do impossível e muitas vezes consideramos um ato do além para justificá-los quando acontecem. O maior feito de Milagre na Cela 7 … é captar toda a sensibilidade que envolve um raro ato de bondade vindo de onde menos esperamos – o que por si só, para muitos, já configura um milagre.”

https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/milagre-na-cela-7-netflix-critica)

Os homens reais podem fazer milagres todos os dias. De todo tamanho e forma. De um pão a um abraço. Basta ver e querer.

Darlene Dutra

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SURTO

Tem dias que nem ele próprio se aguenta e parece que algo sacou-lhe o eixo central do corpo. Cambaleia. Uma ausência de si mesmo, um lapso, talvez. Registra sinais rasos de certa impaciência ou uma ligeira e persistente irritação. A mente procura em tudo que é canto, atividade ou conteúdo uma forma de sair dessa combustão.

Image by Harpreet Batish from Pixabay

Algumas distrações tentam ludibriar o olhar aproveitando um filamento ainda vivo de interesse. Vários recursos saltam da cartola: meditação, música, estudos, leituras e filmes; todos companheiros pertinentes.

aEle sente a bola na boca do estômago. Ela grita. Seja lá o que for que estiver atravessado ali está fazendo questão de bem manter-se acordada. Aliás, por falar em acordado a noite dele não foi lá essas coisas. Sono entrecortado. Ele pensa que talvez possa ser isso. Sua mente vagueia escarafunchando razões para essa visita indesejada. Uma coisa meio fora de ordem.

Mas quem é que manda em quem?

Uma frase de Karen Vogel lhe vem à tona: “Quando a gente busca a paz, isso tira a paz.” e nessa conversa veio a Ana dizendo que brigamos o tempo todo com a gente mesmo por não querer sentir certas coisas. É fato que evita-se sentir o que provoca o nó na garganta.

Há mais de quinze dias em quarentena e suas saídas de casa só ocorrem para questões essenciais como mercado e farmácia. Seu corpo anseia por movimentos e os poucos exercícios físicos não parecem suficientes para destampar o barril. Algo ofusca-lhe o raciocínio…. O homem é um ser social. Isolamento parece vir na contramão da sua natureza.

Angústia ou quarentena? Qual dos dois vem primeiro?? rs..

Mas por que é que em dias como esse a solução passa longe de tudo que é alternativa normal? Muita calma nessa hora! (rs) É ela que vai colocar todas as coisas no lugar. Mentes turbulentas não pensam direito… só executam, impostam na vida.

Para. Senta. Tenta o silêncio.
Se acolhe. Só seja. E sente.
Escreve.
E alí no processo de dar a forma de palavras ao pensamento começa nascer a clareza e a mente inicia sua viagem de volta ao corpo.

Pois é.

(Crônicas de Darlene Dutra)

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Lua estrela

Bastou a roupa chegar da lavanderia pra eu me lembrar da minha afilhada. E não foi porque ela hoje tem lavanderia. Recordei dos muitos anos morando juntas, dividindo tantas vivências, conquistas, dificuldades, dias bons e os outros nem tanto. Muitos socorros recíprocos… Ela presenciou muitas de minhas lutas e eu, as dela. Nos dias mais duros não precisava nem conversar. O silêncio de saber que ela estava lá já bastava. Outras vezes era tanto riso, daqueles de doer a barriga e de chorar. Motivos tínhamos aos montes, dos mais elevados aos mais tolos… AHHH que o digam as “lagartixas”.

Hoje ao bater os olhos na toalha de banho “de céu” que ela usava – cheia de estrelas e lua – foi o suficiente pra despertar imagens de tudo que jeito, dos bilhetes afetuosos e de tudo que fez a gente aprender tanto juntas. Talvez eu precisasse de mais uns anos dessa convivência pra aprender as matérias das aulas que eu faltei. Enfim.. a vida é uma eterna escola.

Minha estrela cresceu, formou, se casou e tornou-se mãe. Parece que foi ontem de tão rápido. Assumiu mais e mais responsabilidades. Agora é ela que tem desfrutado dos mesmos privilégios que eu ao conviver com seus afilhados bem de pertinho. Aproveite, porque depois eles crescem e se vão.. (rs) Amo vc!

#EI – Medida de competência

“A medida final de um homem não é onde ele fica nos momentos de conforto e conveniência, mas onde fica em fases de desafio e controvérsia. “

MARTIN LUTHER KING JR.

Martin Luther King: quem foi, biografia e discurso - Toda Matéria

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E as pessoas ficaram em casa
E leram livros e ouviram
E descansaram e se exercitaram
E fizeram arte e brincaram
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam
E ouviram fundo
Alguém meditou
Alguém orou
Alguém dançou
Alguém conheceu sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E pessoas se curaram
E na ausência de pessoas que viviam de maneiras ignorantes,
Perigosas, sem sentido e sem coração,
Até a Terra começou a se curar
E quando o perigo terminou
E as pessoas se encontraram
Lamentaram pelas pessoas mortas
E fizeram novas escolhas
E sonharam com novas visões
E criaram novos modos de vida
E curaram a Terra completamente.

Um poema de Kathleen O’Meara (1839-1888)

POEMA ESCRITO EM 1869

#EI – Mais fortes, mais doces, mais humanos.

Sonhe com o que você quiser.
Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

Clarice Lispector

Emirates – Dubai (fev-2020)

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Fora de controle – grounding #end

Não havia completado vinte por cento do meu plano, estava no meio de uma jornada interna e cultural pelo sudeste asiático e eu me via numa interrogação diária e constante: é hora de voltar? Monitorava as informações regularmente e o que acontecia à minha volta começou a me inquietar mais seriamente. A última cidade onde estive o uso de máscaras era o mais usual nas ruas. Até que uma mensagem do meu filho acionou o meu gatilho de decisão. As fronteiras aéreas começaram a ser fechadas pelos países. Proteger-se era o mais prioritário. Era chegada a hora de cuidar-se.

Retornei pra casa tão logo consegui organizar a logística. Entrei no grupo de risco e me testei. Negativo. Mas pude ampliar ainda mais minha percepção sobre o perigo e sobre o que está ainda por vir.
(https://darlenedutra.com/2020/03/13/eu-e-o-covid-19/)

Impensável é a palavra para a pandemia do COVID-19 pelo mundo afora. Se pairava alguma dúvida de que chegaria a todo canto, dizimou-se. Dados e informações são despejadas em toda parte: realidades, preventivas, alarmistas e outras.

A questão está e permanecerá fora de controle e o que toma a pauta principal é o nível de incertezas e impactos imediatos. É praga pra tudo que é lado. No fim disso tudo a maioria de nós terá conhecido pessoas afetadas de várias maneiras. Muitos serão os que nos deixarão por conta disso.

A verdade é que nunca mais seremos os mesmos.

As pessoas vão mudar, as cidades vão mudar, os países, o mundo.

Minha esperança é que essa pandemia amplie significativamente o nível de consciência, de irmandade e solidariedade entre os povos.

Que as indesejadas perdas, dores, restrições e tristezas nos acordem para o que de fato importa.

Que a transformação traga evoluções significativas e nos torne mais humanos.

Sempre.

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COVID-19 – grounding #13

“Estou te ligando pra dizer que ninguém poderá levar suas compras e deixar na sua porta. Já falei com todos os colaboradores do prédio e ninguém se dispôs. Ninguém quer ficar doente. Eu gostaria de ajudar mas já tenho idade avançada e sou do grupo de risco.”

Era o porteiro do meu prédio me dizendo que não seria possível colocar meu pedido do supermercado no tapete do lado de fora do meu apartamento. Era o meu primeiro dia de “isolamento social” até que saísse o resultado do teste para o Covid-19. Os meus sintomas (gripe, tosse, vias aéreas e etc) e as informações da expansão do vírus pelos países que passei foram suficientes para o meu enquadramento no grupo de análise / risco.

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Eu havia desembarcado na noite anterior – suspendendo um programa de viagens por conta disto – vindo da região da Asia e fui ao hospital na primeira hora da manhã seguinte; estava preocupada e não gostaria de eventualmente ser um agente de propagação. Ao conviver nos últimos dias com esta gripe chata, optei por viajar de máscara até chegar em casa, protegendo as pessoas do meu entorno.

Quando cheguei lembrei logo da expressão “buraco de cobra”, (rs) porque era exatamente assim que minha geladeira estava: vazia. Fiz um pedido pelos aplicativos de entrega. No meu prédio não é permitido a entrada de entregadores aos andares. Expliquei pelo telefone ao porteiro o que estava ocorrendo e que eu precisaria de uma flexibilidade. Hmmmm, sem sucesso.

Senti na pele o que muitas pessoas sentem quando são discriminadas de alguma forma. Refleti o quanto a crise e o pânico sobre Covid-19 podem impactar parte da nossa “humanidade”, talvez por instinto de sobrevivência, por desinformação ou incompetência para lidar com a situação.

Enfim, os desdobramentos envolveram amigos e sindicos para orientação da equipe de colaboradores em como proceder para esses casos. Compartilho isso porque daqui pra frente, se as informações divulgadas nos meios de comunicação estiverem corretas, iremos conviver com uma série de momentos como esse e precisaremos estar preparados para as melhores condutas, orientar os colaboradores, equipes de trabalho, para que seja uma experiência humana e de valor.

Todos com o mesmo objetivo – proteção da vida. Simples assim.

O teste? Negativo!. … Ufa!!

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#EI – Momento

Enquanto eu fiquei alegre,
permaneceram um bule azul com um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,
constituindo o mundo pra mim, anteparo
para o que foi um acometimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo
alegre do que triste. Melhor é ser.

Poesia da mineira Adélia Prado

Sobre ser vulnerável – grounding #12

A lombada da rua Nossa Senhora da Conceição era minha pista de patinação com faixa de chegada dentro da garagem de casa. Lembro de ser uma criança livre que ousava em várias situações e estripulias, o que me rendeu marcas na pele: pontos na testa, no queixo e atrás na cabeça; sem contar as repreensões.  O par de patins era daqueles antigos de amarrar e ajustáveis embaixo do pé, (Ahhh) e como eu gostava deles!! A ciência diz que a gente carrega para a vida adulta muitas das características que desenvolvemos na infância. Naquele tempo já vestia o espírito meio aventureiro. Meus pais que o digam…rs

“uma história contada é uma vida vivida.” (foto do google)

Sou muito grata por ter tido o privilégio de viver infância de muita qualidade, provida de elementos fundamentais numa criação: valores morais, princípios, recursos diversos, limites e muita liberdade para crescer, criar e experimentar. Eu faço questão de compartilhar aqui e me reconhecer hoje nos meus traços da infância porque nesses últimos meses várias destas características foram iluminadas e estiveram “sob judice”, à medida em que fui tocada por questões e escolhas.

Algumas delas: “Você tem coragem de ir sozinha?  Não tem uma amiga que toparia ir junto?  Você vai partir sem data certa pra voltar? Como você consegue fazer isto sem ter um plano prévio detalhado?  Você está indo para lugares complicados onde ser mulher pode ser um problema. Já pensou nisso?  E o “coronavirus” se espalhando?  Você está indo para perto da origem do vírus,  lugares considerados críticos e você não está com medo?”

Todas elas foram oportunas e afetuosas além de demonstrarem o quanto essas pessoas se preocupavam, se interessaram por mim e confesso que por uma,  duas ou mais vezes o desânimo me percorreu. Me detive a analisar os meus motivadores e conclui ser absolutamente normal um certo “balançar” diante de um desafio cheio de incertezas.  “Quem nunca?”

Referindo-me às questões digo que sim, que tenho medo, assim como todas as pessoas mas tenho também coragens absurdas como diz Clarice Lispector. (Bem lembrado pela amiga Cláudia Senna =)) Optei por ir só porque atualmente estou nessa condição e livre de algumas ocupações; e não considero isto negativo. A solitude tem seu lugar de destaque e importância na vida de todas as pessoas. Quem não precisa, por vezes, ficar consigo mesmo?

Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não propriamente um estado de solidão. Pode representar isolamento e a reclusão voluntária ou impostos, porém não diretamente associados a sofrimento. Uma distinção foi feita entre solitude e solidão. Nesse sentido, essas duas palavras se referem, respectivamente, à alegria e à dor de estar sozinho (fonte – Wikipedia)

Sobre as incertezas e ausência de um plano detalhado este é um dos elementos dessa jornada: definida a direção deixar fluir conforme os acontecimentos; ajustando os ponteiros na medida das minhas realizações e observações pelo caminho.   Bem diferente de uma viagem nos moldes tradicionais, que têm como objetivo principal o turismo. A ideia é viver um pouco em outros lugares.  Talvez eu possa mesmo dizer que escolhi experimentar um  “estilo de vida”,  uma atitude diferente por um tempo. Algo que me acrescenta em conhecimentos e novas perspectivas.

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Incertezas e situações inesperadas temos todos os dias independente do lugar onde estivermos e é obvio que em lugares muito diferentes com contextos culturais distintos a chance de ocorrências aumenta, entretanto penso que posso lidar com isso como mecanismo de aprendizagem. Sobre visitar lugares com histórias discriminatórias é uma oportunidade para “olhar de perto” temas tão relevantes e pelos quais tenho cá meus interesses: universo feminino, estilos de vida, escolhas, desenvolvimento humano, liderança, visão estratégica, empreendedorismo, entre outros.

A expansão do vírus “Covid_19” é um dos fatores mais limitantes desta empreitada por ser algo novo em plena expansão no mundo, cujo impacto ainda está por ser conhecido. Escolhi acompanhá-lo mais de perto e caso identifique algo que julgue muito crítico tenho a opção por mudar a rota. Por que não? Mérito do meu filho que me faz pensar constantemente sobre.

Um “amontoado” que me deixa vulnerável claro, porém isso significa estar aberta a viver situações mesmo que impliquem riscos,  mas que ainda assim promovam valores de vida, evoluções e crescimentos que façam sentido pra mim.   “Safe travels” ouvi de um amigo recente; e é por ai. “thx dear”.

Gosto e consinto com Bob Marley quando diz que você descobre que ser vulnerável é a única maneira de permitir o seu coração a sentir o verdadeiro prazer que é tão real que te assusta. – “You find that being vulnerable is the only way to allow your heart to feel true pleasure that’s so real it scares you. You find strength in knowing you have a true friend and possibly a soul mate who will remain loyal to the end.”

A  criança dos patins vai levar muitos pontos pela vida afora. Ela foi. Ela vai sempre. Ela adora ir.

Darlene

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