Fotos que falam

Ainda pequeninos e já eram de poucas palavras. Sempre abreviados. Eu, mãe como muitas que conheço, querendo sempre mais. Tentava saber como foi o dia na escola, se estavam alegres, tristes, o que tinha acontecido. O que fosse.

Eles, lacônicos: “foi tudo bem”.  Ponto.

Estavam os dois entrando na pré-adolescência e eu, como de costume organizava logo cedo a mesa do café. Um ritual de aquecimento para as atividades do dia intenso pela frente. Ali começava a minha tagarelice. Mental e oral. Sempre pulei da cama com disposição de ânimo pra enfrentar o que viesse e isso incluía a fala.

Num desses dias, “conversa” em curso, Filipe, meu mais velho, num tom de voz diferente me fez parar: – Mãe!!

Levantei o olhar: – oi meu filho.   

Só ouvi um: – a gente acabou de acordar!!!

Pela fisionomia  entendi que era preciso calma. O processo de acordar pedia silêncio.  “Puxaram meu pai”, pensei. Ele era assim, precisava de um tempo  até que o dia pudesse de fato começar.  Rimos juntos e dali em diante fiquei atenta ao  “café com calma”.

Hoje quando recebo a foto deles em lugares tão distantes soam pra mim como boas notícias. Um sinal de que estão bem em suas andanças mundo afora. Sinto um quentinho na minha alma de mãe. No fundo, uma gratidão pelos homens de bem que se tornaram, rodeados de pessoas queridas e com saúde. Permanecem, obviamente, as poucas palavras.

Benditas fotos que falam!!!

Sobre o filme "Little Women"

Se fosse definir o filme Little Women (Adoráveis Mulheres), versão 2019/2020 em uma só palavra eu diria “DELICADO”. No melhor sentido da palavra, uma forma sutil e afável de relatar aspectos humanos. AMEI!!

Adoráveis Mulheres

Uma história de época, adaptação de um clássico da literatura americana, de mais de 150 anos, desenvolvida de uma forma profunda e sensível. Uma apresentação rica em detalhes, com um roteiro muito bem escrito, retratando uma família de mulheres unidas nas problemáticas de toda ordem: comportamentos, dificuldades financeiras, diferenças e competências individuais, solidariedade, vínculos afetivos, relacionamentos, mas solbretudo, a irmandade, a aliança entre os integrantes da família.

A condução feminina da família, na ausência do pai em guerra, também é uma situação que expõe desafios importantes de sobrevivência, de força e de coragem.

Do ano de 2019, um longa metragem do gênero drama, escrito e dirigito por uma roteirista e diretora mulher Greta Gerwig, que ganhou o Oscar pela direção de “Lady Bird”.

A narrativa é complexa e utiliza-se de recursos temporais (idas e vindas no tempo da história) produzindo uma dinâmica que impressiona e prende muito a atenção. Palmas por isso.

A fotografia é admirável, com cenas muito bem caracterizadas e cenários / contextos belos e apropriados.

Enfim, vale a pena!!!!

As seis irmãs

“Um ABSURDO isso!! Até parece que ela não tem família, não tem ninguém por ela, não tem irmãs!!!

Esta foi uma bronca de uma das minhas cinco irmãs quando soube que eu concordei, no período da tarde, em realizar uma cirurgia na manhã seguinte à distãncia de seiscentos quilômetros. Ia me aliviar das recorrentes dores então prontamente consenti quando houve a liberação de agenda do médico. Dado à decisão super rápida não foi possível tè-las comigo no hospital, coisa absolutamente usual na nossa família. Um detalhe: meu filho mais velho suspendeu o trabalho e prontamente me acompanhou. (um fofo)

Ao assistir o filme “Little Women” – belíssimo trabalho, sensível, adaptação de um livro escrito por mulher, dirigido por outra mulher, Greta Gerwig (roteirista e diretora americana, ganhadora do Oscar de melhor direção por Lady Bird) – lembrei várias vezes da gente lá em casa, “da casa das sete mulheres”, das nossas convivências, dos nossos atritos, das nossas trocas e especialmente das nossas colaborações. Muita cumplicidade existia. Guardadas as diferenças individuais, que hoje entendo como ricas, éramos um time de peso. Dos serviços de costureiras, que nossa mãe fazia questão de cuidar, às aulas de artes, esportes, piano e inglês.

“Uma escadinha.”, ouvíamos sempre. Uma atrás da outra. Era pequena a diferença de idade entre nós. As meninas da Ruth e do Nil, sempre muito arrumadas e juntas.

Recentemente no nosso grupo de mensagens da família surgiram algumas fotos, ahhh que belas recordações. Ventilei a possibilidade de contarmos algumas de nossas histórias. E olhe que não são poucas!! E algumas, incontáveis até. rs. Deu mesmo saudade.

As boas lembranças, que deixam saudades apertadas, não são para nos fazer sofrer. Ao contrário, elas são a coleção de tudo o que custa caro para nós. São os tesouros de cada biografia, páginas de alegria. Quem tem saudade é rico de vida.

Lucas Lujan

O fato é que ao longo do tempo a família cresceu, a árvore ficou robusta, cheia de galhos e folhas novas. Frutos pra tudo que é parte. São muitos netos e bisnetos. Minhas irmâs vovós agora são tomadas pelos cuidados e afazeres com seus filhos e netos. Dizem que ter netos é uma das melhores coisas da vida (que delícia). E a dedicação das vovós é algo sanguíneo, absolutamente explicável, dado a generosidade e manifestações de afeto natos.

Eu sei, por experiência própria posso afirmar que este vínculo de irmandade sobrevive aos tempos modernos, agendas familiares e às distãncias. Mesmo não sendo possível a presença naquela hora exata eu sabia que estava amparada por elas, as irmãs de ouro.

Minhas queridas, com vocês, esteja eu onde estiver, nunca estarei só!! Vocês estão comigo no meu melhor lugar, o coração.

Antes que seja tarde, fale sobre seu amor. Fale antes do sol se por. Antes que seja tarde, entregue seu coração. Mas entregue sem ilusão. Pois a vida corre e, antes que alguém perceba, já é tarde demais.

Lucas Lujan

Há vida lá fora!

Acredite!  Grande parte das  horas diárias das pessoas são gastas em comportamentos absolutamente automáticos. Dentro do táxi, do metrô, do ônibus, do carro, … Podem passar por paisagens lindas, porém,  sem de fato vê-las,  apreciá-las,  desfrutá-las.knight-122838_640

Ao final de um período (dia, mês, ano) constatam  o sentimento de insatisfação por não terem feito o que gostariam. Permeia  a sensação de que poderiam ter feito mais ou de forma diferente.   Com tantos desenvolvimentos tecnológicos, inovações,  modernos padrões de vida as pessoas ainda estão abarrotadas de atividades, sem tempo para muitas outras que gostariam de realizar. Não parece contraditório?

Estamos correndo atrás do que mesmo?  

Se a resposta for “da felicidade”,   será esse o caminho?   Dedicamos uma enormidade de tempo na busca, do que  “achamos”  que nos fará mais felizes e ainda assim nos sentimos insatisfeitos,  infelizes até.  Se esse não é o seu caso,  tiro o meu…

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Ir-rompe.

Um sopro.
Um instante.
O elo.
O desencontro.
Que encontra.
Uma estreia.
Uma luz.
Acende.
Brilha.
Apaga.
Arrefece.
A palavra.
A reticência briga.
O sim ou não impõe.
Forte, audaz,
E leve e doce.
Apaga.
Ascende.
O grito.
A vida.
O silêncio.
Diz que não.
Mas sim.
Diz que sim.
Mas não.
O preto no branco.
No laço.
O nó.
Vai.
E volta.
E está.
Porque sim.
Marcou.
Ficou.
O que é.
O é.
Gritou.
Estrondou.
Pontuou.
Sucumbiu.
Sumiu.
Na reticência..
Na dúvida.
No ponto..
Do sim ou não.
Na batida.
Na dúvida.
No tom.
Forte.
Na cor.
No toque.
Do coração.

Nevoeiro, Montanhas, Natureza, Paisagem
Lírio D ' Água, Lírio, Água, Natureza

Imagens pixabay

Dançaremos pra sempre…

Publiquei este texto em agosto de 2017,   uma reunião de lembranças e uma homenagem ao meu pai que havia partido há algum tempo.   Nesse final de 2019, em especial,  recordei muito dele quando nós,  as seis filhas (sim, seis mulheres, rs) ganhamos de presente de nossa mãe,  uma mensagem escrita deixada por ele.

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 Uma mensagem  redigida e assinada de próprio punho,  coisa rara em tempos digitais. Suas palavras eram cheias de calor,  de afeto,  transmitindo  uma emoção embargada, amorosidade (palavra da minha irmã mais velha).  Tudo muito próprio dele. Na verdade, sua cara!!!

O “Dançaremos pra sempre”  é uma forma de dizer que essa pessoinha  estará sempre viva em nós, sua esposa e filhas (a casa das sete mulheres), por meio de suas criações, suas lições, suas palavras.

Reposto…

Dançaremos pra sempre…(13.08.2017)

Desde pequena aprendi os primeiros passos de bolero com ele, …
O agradava esse estilo musical.
Seu olhar sempre se modificava quando as escutava.
Em eventuais festas, casamentos, formaturas, aniversários..
Havendo possibilidade, estávamos lá bailando,  dando nossos passos.

Recordo sempre do seu jeito e de seu ritmo…. peculiares.

Essa era apenas  uma,  das muitas danças que tivemos juntos
durante essa existência. Todas elas, com seus ritmos, melodias e passos peculiares à  vida de pais e filhos.

Ensinamentos de toda ordem,  correções, aprendizados,  inúmeras  circunstâncias que nos ensinaram crescer  e evoluir dentro da nossa órbita de  conhecimentos e limitações.

No porte de nossas condições mentais, intelectuais e sobretudo, sensíveis.
Foram ricas experiências de vinculação e construção de afetos.

Agora,   seu desaparecimento físico,  a matéria se foi.
Mas só a matéria, só o físico.

Ele, meu querido pai, sempre viverá  na minha mente e no meu coração!
Viverá nos seus feitos, viverá em mim,  em nós.
Porque nossa dança é eterna,  não tem dia nem tem hora pra acabar…

Amo vc, meu pai.

Darlene

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2020, por Ana Cláudia Q.A.

Pessoas, Amigos, Casais, Parque

Mais graça, criação.
Mais arte, liberdade.
Mais risadas, horizonte.
Mais aventuras, tempo.
Mais silêncio, compaixão.

Menos cansaço, tristeza.
Menos negatividassde, solidão.
Menos dor. Menos fronteiras.
Mais pontes.
Menos muros.
Mais janelas abertas.
Menos portas fechadas.

Mais leve. Mais humana. Mais gentil.
Amor, todos os dias.

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Ana Claudia Quintana Arantes
Especializou-se em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford, em Londres. Ana Cláudia é sócia-fundadora e vice-presidente da Associação Casa do Cuidar, Prática e Ensino em Cuidados Paliativos e ministra aulas nos cursos de formação multiprofissional e em Congressos Brasileiros.
Ana Cláudia Quintana Arantes – – Conass
www.conass.org.br › consensus › ana-claudia-quintana-arantes

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